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Mercado Financeiro

Mosaic Alerta: Queda de 30% no Uso de Fosfato no Brasil Ameaça Safra e Preços de Fertilizantes em 2026

A gigante dos fertilizantes Mosaic sinalizou um cenário preocupante para a agricultura brasileira em 2026. A empresa estima uma redução de aproximadamente 30% no uso de fosfato em termos de nutrientes, uma queda acentuada…

Por Publicado em 5 min de leitura

Mosaic Prevê Recuo Drástico no Uso de Fosfato no Brasil em 2026, Gerando Preocupações com a Produção Agrícola e a Segurança Alimentar Global

A gigante dos fertilizantes Mosaic sinalizou um cenário preocupante para a agricultura brasileira em 2026. A empresa estima uma redução de aproximadamente 30% no uso de fosfato em termos de nutrientes, uma queda acentuada que já pode estar impactando as colheitas em importantes estados produtores. Este dado representa uma reversão significativa em relação ao ano anterior, quando o consumo de fosfato no Brasil apresentou leve crescimento.

A previsão da Mosaic abrange toda a América Latina, onde a combinação de disponibilidade limitada de fertilizantes e a pressão financeira sobre os produtores, aliada a preços elevados, aponta para um cenário de retração. Nos Estados Unidos, a situação não é diferente, com uma queda de 15% nas aplicações de fosfato na última safra e uma projeção de declínio adicional de 20% para 2027.

A executiva Jenny Wang, vice-presidente comercial da Mosaic, destacou durante a teleconferência de resultados da companhia que a redução nas aplicações de fosfato terá um “profundo impacto nos rendimentos”. A escassez de fósforo pode resultar em um déficit nutricional no Brasil equivalente a 1,3 milhão de toneladas métricas de diamônio fosfato (DAP), com um gap similar previsto para os Estados Unidos, alcançando 1,4 milhão de toneladas.

A fonte principal desta análise é a Mosaic, cujas declarações e projeções moldam a compreensão atual do mercado de fertilizantes e seus desdobramentos.

Impacto Direto na Produção Agrícola Brasileira: Menos Nutrientes, Menos Colheita

Apesar da expansão da área plantada no Brasil para a safra 2025/26, os rendimentos em alguns estados produtores já demonstram queda. A Mosaic atribui esse declínio à menor reposição de fósforo nos solos. “Já estamos vendo um impacto nos rendimentos em alguns dos principais estados produtores do Brasil”, afirmou Jenny Wang. Essa realidade acende um alerta para os produtores rurais, que podem enfrentar perdas de produtividade significativas caso a tendência se mantenha.

Nos Estados Unidos, os efeitos da redução na aplicação de fertilizantes podem se tornar mais evidentes nesta safra, especialmente se o clima se mostrar adverso. A falta de nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas é um fator crítico que pode comprometer a oferta e, consequentemente, os preços dos produtos agrícolas no mercado global.

A Crise do Enxofre: O Elo Perdido na Produção de Fosfato

O recuo no uso de fosfato é uma consequência direta de um cenário de escassez global de enxofre, matéria-prima fundamental na produção de fertilizantes fosfatados. A Mosaic apontou que o fechamento do Estreito de Ormuz e restrições mais recentes às exportações de enxofre do Cazaquistão elevaram os custos das matérias-primas a patamares que tornaram parte da produção de fosfato antieconômica.

Em resposta, a Mosaic reduziu sua produção nos Estados Unidos e praticamente paralisou suas operações no Brasil, mantendo apenas as unidades mais lucrativas em funcionamento. O CEO Bruce Bodine ressaltou que “a situação do enxofre é mais do que um inconveniente para a indústria” e que a produção global de fertilizantes fosfatados será “significativamente abaixo do nível do ano passado”.

Perspectivas Globais: Segurança Alimentar em Risco e Desafios para o Agronegócio

As baixas taxas de aplicação de fertilizantes no ano passado, somadas à limitada disponibilidade atual, têm o potencial de prejudicar a produtividade das lavouras e criar desafios de curto prazo para a segurança alimentar global. Bodine alertou para essa possibilidade, que pode impactar desde os produtores rurais até os consumidores finais, com possíveis reflexos na inflação de alimentos.

A Mosaic possui certa proteção contra essa volatilidade através de contratos de longo prazo com refinarias da Costa do Golfo dos EUA e outros fornecedores globais, o que permitiu assegurar parte de seu suprimento de enxofre para o terceiro trimestre a preços abaixo do mercado à vista. No entanto, a empresa continua operando abaixo de sua capacidade para proteger suas margens e evitar o acúmulo de estoques produzidos com matérias-primas de alto custo.

As operações brasileiras da Mosaic, que geraram US$ 60 milhões em Ebitda no segundo trimestre, uma queda de 62% em relação ao ano anterior, demonstram a resiliência da subsidiária mesmo diante de um cenário desafiador. A empresa também destacou o desempenho de sua divisão de produtos biológicos, a Mosaic BioSciences, que espera dobrar sua receita em relação ao ano passado, apesar das condições adversas do setor.

Conclusão Estratégica Financeira: Navegando a Tempestade nos Fertilizantes

A atual crise no mercado de fertilizantes fosfatados, impulsionada pela escassez de enxofre e pela pressão financeira sobre os agricultores, impõe desafios significativos. Para o Brasil, a redução prevista de 30% no uso de fosfato em 2026 pode levar a uma queda na produtividade agrícola, afetando diretamente a receita dos produtores e o volume de exportações. Indiretamente, o cenário pode pressionar os preços dos alimentos e impactar a inflação.

Os riscos financeiros para os agricultores incluem a diminuição da rentabilidade devido a menores rendimentos e o aumento do custo de produção caso alternativas mais caras precisem ser buscadas. Oportunidades podem surgir para empresas que ofereçam soluções alternativas ou mais eficientes em termos de nutrientes, bem como para aquelas com contratos de suprimento mais seguros. Para a Mosaic, a estratégia de operar abaixo da capacidade visa proteger margens, mas impacta o volume de vendas. A resiliência da subsidiária brasileira e o crescimento da Mosaic BioSciences indicam caminhos de diversificação.

Investidores e gestores devem monitorar de perto a evolução dos preços do enxofre e a capacidade dos agricultores de absorverem os custos dos fertilizantes. A tendência futura aponta para um mercado volátil, onde a segurança de suprimento e a eficiência no uso de nutrientes serão cruciais. O cenário provável na minha avaliação é de uma reconfiguração do mercado, com maior atenção às fontes de matéria-prima e à busca por inovações que mitiguem a dependência de insumos escassos e caros.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

O que você pensa sobre essa crise de fertilizantes e seus impactos no agronegócio brasileiro? Deixe sua opinião, dúvida ou crítica nos comentários abaixo!

Quem escreveu

Vinícius Hoffmann Machado

Engenheiro com experiência corporativa em Operações, Logística, Planejamento e Finanças, atuando na conexão entre execução e estratégia. Especialista em otimização de custos, gestão orçamentária e integração entre processos produtivos e financeiros. Forte base analítica, com foco em indicadores, performance e tomada de decisão orientada por dados. Escreve sobre economia, finanças e eficiência empresarial, conectando teoria à prática do mundo real.

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