Strategy: A “Impressora” de Bitcoin que Transforma o Mercado e Como Você Pode Participar
O Bitcoin (BTC) tem apresentado uma valorização expressiva nos últimos meses, impulsionado em parte pelas estratégias de grandes players corporativos. Entre eles, destaca-se a Strategy, que se tornou a maior compradora corporativa de Bitcoin do mundo entre companhias abertas em bolsa, detendo centenas de milhares de unidades da criptomoeda.
O que torna a Strategy única é seu método de financiamento para essas aquisições massivas: ela não utiliza caixa próprio proveniente de suas operações tradicionais. Em vez disso, a empresa opera como uma verdadeira “impressora” financeira, captando recursos no mercado de capitais através da venda de ações e outros instrumentos para reinvestir integralmente na compra de Bitcoin.
Essa abordagem transformou a Strategy, que antes era uma discreta empresa de software de análise de dados, em um protagonista no ecossistema cripto. A decisão estratégica, liderada por seu presidente executivo Michael Saylor, de tornar o Bitcoin o principal ativo de reserva da empresa, iniciada em 2020, demonstra uma aposta de longo prazo em um futuro onde a criptomoeda se consolida como o principal capital digital global.
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O Mecanismo da “Impressora”: Captando Recursos para Bitcoin
A Strategy não gera liquidez suficiente com seu negócio de software para adquirir os volumes de Bitcoin desejados. Para contornar essa limitação, a empresa recorre a três mecanismos principais no mercado de capitais. O primeiro é a venda contínua de ações ordinárias (MSTR) através do mecanismo ATM (at-the-market), que permite a captação flexível e gradual de recursos.
O segundo pilar de financiamento são as ações preferenciais, instrumentos que oferecem um rendimento fixo aos investidores, assemelhando-se mais a títulos de renda fixa. O terceiro mecanismo envolve notas conversíveis, que funcionam como dívidas com a opção de conversão em ações no futuro, oferecendo aos investidores uma alternativa de investimento.
Todo o capital levantado por esses meios é direcionado, sem exceções, para a compra de Bitcoin. Em 2025, a Strategy captou US$ 25,3 bilhões, adquirindo mais de 225.000 BTC, e consolidou-se como a maior emissora de ações entre as companhias abertas americanas pelo segundo ano consecutivo. O plano atual é emitir US$ 42 bilhões entre 2025 e 2027, divididos igualmente entre ações e instrumentos de crédito, demonstrando a escala ambiciosa de sua estratégia de acumulação.
Por Que a Ação da Strategy é Diferente de Comprar Bitcoin Diretamente
É crucial entender que investir na ação ordinária da Strategy (MSTR) não é o mesmo que comprar Bitcoin diretamente ou através de um ETF. Alexandre Vasarhelyi, sócio e gestor da B2V Crypto, explica que a ação da Strategy representa uma aposta na existência futura de uma empresa operacional com Bitcoin como ativo central, indo além da simples valorização da criptomoeda.
Ao adquirir a ação ordinária, o investidor está, na verdade, comprando não apenas os Bitcoins detidos pela empresa, mas também seu modelo de negócios, sua capacidade de captação de recursos e os riscos inerentes à complexa estrutura financeira que Michael Saylor montou. O múltiplo mNAV (múltiplo sobre o valor dos ativos) é um indicador dessa diferença; quando está acima de 1, significa que o mercado está pagando um prêmio pela exposição ao Bitcoin através da Strategy.
No pico do entusiasmo, esse prêmio chegou a 2,8 vezes, mas atualmente se encontra próximo de 1,2. Essa métrica ilustra a percepção do mercado sobre o valor agregado da empresa, que vai além do valor puro dos criptoativos que ela possui em balanço.
STCR: O Instrumento de Renda Fixa com Toque de Bitcoin
Paralelamente às ações ordinárias, a Strategy desenvolveu uma família de quatro instrumentos de ações preferenciais. Diferentemente das ações preferenciais brasileiras, estes títulos pagam um rendimento fixo, possuem um valor de face de US$ 100 e se comportam mais como títulos de crédito. O quarto instrumento, a STRC (Stretch), tornou-se o carro-chefe.
A STRC se destaca por sua taxa de rendimento variável, que se ajusta mensalmente com o objetivo de manter o preço do papel próximo de US$ 100. Esse mecanismo automático de estabilização de preço, com taxas que sobem quando o preço cai e vice-versa, resulta em um instrumento de alta renda com baixíssima volatilidade, contrastando fortemente com a natureza volátil do Bitcoin.
Michael Saylor destacou a volatilidade da STRC nos últimos 30 dias como 2%, em comparação com os 55% do Bitcoin no mesmo período. Esse instrumento absorve a turbulência da criptomoeda, protegendo o investidor. Para o investidor brasileiro, a STRC se assemelha mais a um título privado do que a uma ação convencional. O rendimento da STRC é financiado pela emissão contínua de ações ordinárias MSTR, utilizando os fundos para pagar os rendimentos mensais.
Riscos e a Concentração do Modelo Strategy
A matemática por trás do modelo da Strategy funciona enquanto o Bitcoin apresentar valorização. Saylor projeta um retorno anual de cerca de 30% para o Bitcoin, o que permitiria à empresa pagar rendimentos de 10% a 11% sobre a STRC, distribuindo um terço do ganho esperado. No entanto, essa premissa de alta não é garantida.
Markus Thielen, analista da 10X Research, aponta que a pressão real sobre o modelo não é um preço específico do Bitcoin, mas a capacidade contínua da empresa de emitir ações para financiar os pagamentos. Há uma transferência de risco: a volatilidade do Bitcoin é absorvida pela ação ordinária MSTR, protegendo o detentor da STRC. A Strategy foi responsável por 70% de todo o dinheiro novo que entrou no Bitcoin neste ano, evidenciando uma concentração de risco significativa.
Um ponto de atenção surgiu no primeiro trimestre de 2026, quando Saylor admitiu a possibilidade de vender Bitcoin para pagar dividendos, um movimento que, segundo Thielen, levanta a questão sobre quem assumirá a posição de comprador estrutural caso a Strategy se torne vendedora. Outro risco é o mNAV próximo de 1,2, que diminui a vantagem de emitir ações ordinárias para comprar Bitcoin. Riscos regulatórios e de custódia também pairam sobre o modelo.
Conclusão Estratégica Financeira
O modelo de negócios da Strategy representa uma inovação financeira com impactos econômicos diretos no mercado de criptomoedas, funcionando como um motor de entrada de capital. A capacidade da empresa de emitir instrumentos financeiros para adquirir Bitcoin cria oportunidades de investimento para quem busca exposição à criptomoeda de forma estruturada, especialmente através da STRC, que oferece um rendimento atrativo com baixa volatilidade.
Contudo, os riscos são substanciais. A dependência da valorização do Bitcoin e da contínua capacidade de captação de recursos no mercado de capitais são pontos cruciais. A concentração de 70% dos fluxos de entrada de Bitcoin na empresa sinaliza um risco de ponto único de falha. A possibilidade de a Strategy se tornar uma vendedora de Bitcoin, em vez de compradora, pode alterar a dinâmica do mercado. Para investidores, a Strategy oferece um caminho para participar do crescimento do Bitcoin, mas exige uma análise cuidadosa dos riscos associados à sua estrutura financeira complexa e à volatilidade inerente ao ativo subjacente.
Minha leitura é que, enquanto o ciclo de alta do Bitcoin persistir e a Strategy mantiver sua capacidade de captação, o modelo continuará a funcionar. No entanto, a sustentabilidade a longo prazo dependerá da adaptação a possíveis mudanças regulatórias e da manutenção da confiança do mercado em sua estratégia. A tendência futura aponta para uma maior complexidade nos produtos financeiros ligados a criptoativos, mas a Strategy, por enquanto, dita o ritmo.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
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