Moagem de Cana no Centro-Sul em Junho: Queda de 14,5% e Aposta Crescente no Etanol
As usinas do Centro-Sul registraram uma queda significativa de 14,50% na moagem de cana-de-açúcar em junho, comparado ao mesmo período do ano anterior. Foram processadas 69,791 milhões de toneladas de cana, um volume consideravelmente menor que as 81,622 milhões de toneladas de junho da safra 2025/26. Esta retração na atividade primária levanta questões sobre os fatores que moldam a produção agroindustrial brasileira.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) divulgou os dados, apontando para uma dinâmica de produção divergente entre os principais produtos derivados da cana. Enquanto a fabricação de açúcar sofreu um baque, a produção de etanol, por outro lado, demonstrou resiliência e até mesmo crescimento, indicando uma mudança estratégica no direcionamento da matéria-prima.
Este cenário de menor volume moído, mas com qualidade superior da matéria-prima, traz consigo uma série de reflexões para produtores, investidores e para o mercado de energia. Acompanhar de perto essas movimentações é crucial para entender as tendências e planejar os próximos passos no competitivo setor sucroenergético.
As informações foram divulgadas pela Estadão Conteúdo.
Cana-de-Açúcar: Menos Volume, Mais Doçura
Em junho da safra 2026/27, o Centro-Sul viu 255 unidades produtoras em operação, sendo 235 usinas de cana, 11 produtoras de etanol de milho e nove unidades flex. Apesar da redução no volume total moído, a qualidade da cana-de-açúcar colhida apresentou melhora. O índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) alcançou 141,68 quilos por tonelada, um aumento de 2,91% em relação a junho do ano passado.
Essa elevação no ATR, que mede a concentração de açúcares na matéria-prima, é um ponto positivo, pois indica maior potencial de extração de produtos. No entanto, mesmo com essa melhoria qualitativa, a produção de açúcar em junho totalizou 3,903 milhões de toneladas, um recuo expressivo de 26,33% quando comparado ao mesmo mês da safra anterior.
Essa queda na produção de açúcar sugere uma estratégia das usinas em priorizar outros derivados, possivelmente em resposta a condições de mercado mais favoráveis para esses produtos. A análise do direcionamento da cana-de-açúcar se torna, portanto, fundamental para compreender a performance do setor.
Etanol em Alta: Hidratado em Queda, Anidro em Ascensão
Em contrapartida à retração do açúcar, a produção de etanol no Centro-Sul apresentou um crescimento de 2,47% em junho, somando 3,796 bilhões de litros. Essa alta geral é resultado de dinâmicas distintas entre o etanol hidratado e o anidro. O etanol hidratado, utilizado diretamente em veículos flex, registrou uma leve queda de 1,00%, totalizando 2,260 bilhões de litros.
Por outro lado, o etanol anidro, que é misturado à gasolina, impulsionou o crescimento geral, com um aumento notável de 8,06% na produção, atingindo 1,536 bilhão de litros. Essa performance do etanol anidro pode ser influenciada por fatores como a política de preços da gasolina e as metas de mistura obrigatória.
A destinação da cana-de-açúcar reforça essa tendência. Em junho, 58,57% da matéria-prima processada foi destinada à produção de etanol, um aumento significativo em relação aos 50,51% observados no mesmo mês da safra anterior. Essa maior alocação de cana para o biocombustível é um indicativo claro da estratégia do setor.
O Papel Crescente do Etanol de Milho
O etanol de milho continua a expandir sua participação no mercado brasileiro. Em junho, o cereal representou a matéria-prima para 20,98% do volume total de etanol produzido na região Centro-Sul. A produção a partir do milho atingiu 796,13 milhões de litros, um aumento de 8,40% em relação ao mesmo período do ano passado.
Este crescimento do etanol de milho demonstra a diversificação das fontes de produção de biocombustíveis no Brasil e a crescente competitividade do cereal como matéria-prima. A expansão dessa capacidade produtiva pode trazer impactos na dinâmica de oferta e demanda dos biocombustíveis, além de influenciar as decisões de investimento no setor.
A coexistência e o crescimento do etanol de cana e de milho sinalizam um mercado de biocombustíveis cada vez mais robusto e diversificado, com potencial para atender a demanda energética do país de forma mais sustentável e eficiente. A integração dessas cadeias produtivas é um fator chave para o futuro do agronegócio brasileiro.
Conclusão Estratégica Financeira: Navegando na Dualidade do Setor Sucroenergético
A dinâmica observada em junho, com menor moagem de cana e queda na produção de açúcar, mas com avanço no etanol e melhoria na qualidade da matéria-prima, apresenta um cenário complexo para o setor sucroenergético. Para investidores, o foco em usinas com maior flexibilidade produtiva e capacidade de adaptação às demandas de mercado se torna ainda mais relevante. A aposta no etanol, impulsionada pelo etanol anidro e pelo crescente etanol de milho, sugere oportunidades em empresas com forte atuação nesse segmento.
Os riscos incluem a volatilidade dos preços das commodities (açúcar e etanol), as incertezas regulatórias e climáticas que podem afetar a oferta de cana, e a concorrência crescente do etanol de milho. Por outro lado, as oportunidades residem na crescente demanda por biocombustíveis como alternativa aos combustíveis fósseis, nas políticas de transição energética e na possibilidade de otimizar a produção através de tecnologias mais eficientes e da diversificação de matérias-primas.
Minha leitura do cenário é que as margens de lucro podem ser pressionadas no segmento de açúcar, exigindo maior eficiência operacional. Já o segmento de etanol, especialmente o anidro e o de milho, tende a apresentar melhores perspectivas de receita e rentabilidade, embora a competitividade entre os produtores e a gestão de custos sejam cruciais. Acredito que os dados indicam uma tendência de consolidação e especialização no setor, com empresas que souberem gerenciar a dualidade entre açúcar e etanol saindo fortalecidas.
Olhando para o futuro, a tendência é que a cana-de-açúcar continue a ser uma fonte vital de energia e açúcar, mas com uma alocação cada vez mais estratégica para o etanol. O cenário provável envolve um mercado de biocombustíveis dinâmico, com maior participação do etanol de milho, e um setor de açúcar mais voltado para nichos de mercado ou para exportação, dependendo das condições globais. A capacidade de inovação e adaptação será o principal diferencial competitivo.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
E você, como avalia esses números da moagem de cana? Quais são suas expectativas para o setor sucroenergético nos próximos meses? Deixe sua opinião, dúvida ou crítica nos comentários!





