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Mercado Financeiro

Lucro dos Bancos no 2T26: Bradesco Lidera, Santander e BB Pressão? Entenda as Projeções

A temporada de divulgação dos resultados dos grandes bancos brasileiros para o segundo trimestre de 2026 está a todo vapor. A expectativa do mercado financeiro é alta, com analistas projetando cenários distintos para Santander…

Por Publicado em 7 min de leitura

Santander, BB, Itaú e Bradesco: Quem Ganha e Quem Perde no 2T de 2026? As Projeções dos Analistas

A temporada de divulgação dos resultados dos grandes bancos brasileiros para o segundo trimestre de 2026 está a todo vapor. A expectativa do mercado financeiro é alta, com analistas projetando cenários distintos para Santander Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil. As datas de divulgação já foram definidas, com Santander abrindo a série em 29 de julho, seguido por Itaú em 4 de agosto, Bradesco em 5 de agosto e Banco do Brasil em 12 de agosto.

As visões das principais casas de análise apontam para um cenário de desempenho desigual entre as instituições. Enquanto o Bradesco surge como o banco com a trajetória mais promissora para o trimestre, Santander e Banco do Brasil devem enfrentar maiores pressões sobre sua rentabilidade e a qualidade de seus ativos. O Itaú, por sua vez, continua a ser visto como a instituição mais resiliente, mantendo retornos superiores mesmo em um ambiente de crescimento mais moderado.

Entender essas projeções é crucial para investidores e para o acompanhamento da saúde do setor financeiro nacional. A leitura detalhada dos números esperados pode indicar tendências importantes e direcionar estratégias de investimento. Minha análise sugere que o desempenho do Bradesco pode surpreender positivamente, enquanto o Santander e o Banco do Brasil exigirão atenção redobrada.

A fonte principal para esta análise é o conteúdo divulgado pela Fonte Conteúdo 1.

Santander Brasil Sob Pressão: Projeções Indicam Trimestre Desafiador

Para o Santander Brasil, o consenso entre os analistas já antecipava um trimestre mais desafiador. Essa expectativa foi reforçada pelos resultados já divulgados pela matriz do Santander na Espanha. A XP Investimentos, por exemplo, projeta um lucro líquido de R$ 3,4 bilhões para o segundo trimestre de 2026, o que representaria uma queda de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 11% em comparação com o trimestre anterior.

Essa retração esperada é atribuída principalmente à margem financeira com clientes (NII) e ao aumento das provisões. As novas regras de write-off e um desempenho mais fraco na carteira de atacado também contribuem para essa perspectiva. O Itaú BBA compartilha dessa visão, estimando um lucro líquido de R$ 3,6 bilhões, uma queda de 1% anual e de 5% trimestral. O crescimento da carteira de crédito deve ser de cerca de 4%, com a margem financeira avançando apenas 3%.

O Itaú BBA também aponta o aumento do custo de risco e desafios específicos em alguns segmentos da carteira como fatores de atenção. Há inclusive o risco de que uma divulgação mais fraca do Santander possa contaminar a percepção dos investidores sobre os demais bancos privados. O Bradesco BBI se mostra ainda mais conservador, projetando lucro líquido de R$ 3,3 bilhões, 18% abaixo do consenso da Bloomberg. Essa projeção reflete uma estratégia mais cautelosa na margem com clientes, pressão nos resultados de tesouraria e um aumento de 12% nas provisões.

Itaú Unibanco: Resiliência e Rentabilidade em Destaque

O Itaú Unibanco continua a ser visto como a instituição mais resiliente entre os grandes bancos. A XP Investimentos projeta um lucro líquido de R$ 12,4 bilhões, um avanço de 8% em relação ao ano anterior e de 1% em relação ao trimestre anterior. Este resultado deve ser impulsionado pelo crescimento sólido da carteira de crédito, margem financeira alinhada às expectativas e indicadores de qualidade de crédito administráveis.

A corretora ressalta que uma geração mais fraca de receitas com tarifas pode limitar parte da expansão dos resultados, mas esse efeito deve ser parcialmente compensado por despesas menores e uma alíquota efetiva de imposto mais baixa. O Bank of America reforça essa visão, considerando o Itaú como o destaque entre os grandes bancos brasileiros. A instituição projeta um Retorno sobre Patrimônio (ROE) de 24,3% no segundo trimestre, o mais elevado entre os incumbentes, ainda que o crescimento dos lucros seja mais moderado.

O JPMorgan também mantém o Itaú como sua principal preferência, destacando a combinação consistente de rentabilidade, qualidade dos ativos e resiliência operacional em um cenário de desaceleração da atividade econômica e maior atenção dos investidores à inadimplência. A leitura do cenário é que o Itaú Unibanco demonstra uma capacidade ímpar de navegar em ambientes desafiadores, mantendo sua posição de liderança.

Bradesco: O Destaque Positivo Esperado no Setor Privado

O Bradesco surge como o principal destaque positivo entre os grandes bancos privados, segundo as avaliações da XP e do Itaú BBA. A XP projeta um lucro líquido de R$ 7,0 bilhões no segundo trimestre, um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 2% em relação ao trimestre anterior. Esse desempenho é atribuído ao forte crescimento das receitas, expansão das linhas de crédito com garantia e estabilidade na qualidade dos ativos.

O Itaú BBA compartilha dessa visão otimista, estimando um lucro de R$ 7,1 bilhões e um ROE de 16,1%. A instituição espera um crescimento de aproximadamente 8% na carteira de crédito e um avanço de 12% na margem financeira. O custo de risco deve permanecer estável em torno de 3,6%, com a divisão de seguros apresentando crescimento estimado de 18%. Na minha avaliação, o Bradesco demonstra uma recuperação operacional notável.

O Bank of America reconhece a melhora operacional do Bradesco, projetando um ROE de 15,9%. No entanto, a instituição avalia que desafios relacionados à qualidade dos ativos e ao crescimento mais moderado das receitas ainda podem limitar o desempenho geral do setor. O JPMorgan também incorporou uma visão mais construtiva, retomando a cobertura do banco com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 22 para dezembro de 2027, citando a recuperação operacional observada.

Banco do Brasil: Inadimplência e Agronegócio Pressionam Resultados

O Banco do Brasil é apontado pelo Itaú BBA como um dos bancos mais pressionados nesta temporada de resultados. A casa projeta um crescimento modesto da carteira de crédito, próximo de 1% na comparação anual, e um custo de risco elevado, em torno de 6,4%. Este cenário reflete tanto fatores sazonais ligados ao agronegócio quanto uma deterioração mais ampla da qualidade da carteira.

Com esse quadro, o Itaú BBA estima um lucro líquido de R$ 2,9 bilhões no segundo trimestre, uma queda de 25% em relação ao mesmo período de 2025, com um ROE de apenas 5,8%. A instituição revisou para baixo suas projeções para o banco após observar níveis de provisões superiores aos esperados. O Bank of America também mantém uma visão cautelosa, destacando o aumento recente dos índices de inadimplência no sistema financeiro, especialmente no crédito rural.

O banco americano projeta um ROE de apenas 7,4% para o Banco do Brasil no trimestre, o menor entre os grandes bancos cobertos pelo relatório. O JPMorgan concorda que a qualidade dos ativos deverá dominar as discussões sobre o Banco do Brasil, com preocupações persistentes com a carteira do agronegócio e a evolução da inadimplência nos próximos trimestres. Esses fatores sustentam a preferência da casa por Itaú e Nubank em detrimento do Banco do Brasil.

Conclusão Estratégica Financeira: Navegando no Cenário Bancário do 2T26

A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 para os grandes bancos brasileiros revela um cenário de desempenho heterogêneo. O Bradesco desponta como o principal destaque positivo, com projeções de crescimento robusto e melhora operacional, o que pode impulsionar revisões positivas em suas projeções anuais e, consequentemente, em seu valuation. A XP e o Itaú BBA apontam para uma combinação atraente de crescimento e rentabilidade.

Por outro lado, Santander Brasil e Banco do Brasil enfrentam desafios significativos, com pressões esperadas sobre a rentabilidade e a qualidade dos ativos. As projeções indicam quedas no lucro líquido e aumento nas provisões, o que pode gerar cautela nos investidores e limitar o potencial de valorização dessas ações no curto prazo. A inadimplência, especialmente no agronegócio, é um fator de risco para o Banco do Brasil.

O Itaú Unibanco, mais uma vez, demonstra sua resiliência, mantendo retornos sólidos e indicadores de qualidade de crédito administráveis. Sua posição como a instituição mais resiliente do grupo é um ponto forte em um ambiente de desaceleração econômica. Para investidores, a leitura dos resultados detalhados será fundamental para ajustar portfólios, ponderando os riscos e oportunidades de cada instituição.

A tendência futura aponta para um mercado bancário que continuará a ser influenciado pelo cenário macroeconômico, taxas de juros e a gestão de riscos. A capacidade de adaptação e a eficiência operacional serão cada vez mais cruciais para a sustentabilidade dos resultados e a atratividade das ações no longo prazo. Minha leitura do cenário é que a diversificação e a análise criteriosa de cada banco são essenciais para tomadas de decisão assertivas.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

O que você achou dessas projeções para os resultados do segundo trimestre? Deixe sua opinião, dúvida ou crítica nos comentários abaixo. Sua participação enriquece a discussão!

Quem escreveu

Vinícius Hoffmann Machado

Engenheiro com sólida carreira corporativa em operações, planejamento e finanças — onde a estratégia vira número e o número vira decisão. No Eruption Global, traduz essa visão analítica em artigos sobre economia, mercado e decisões financeiras.

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