XP Inc. (XPBR31) Apresenta Lucro Líquido Ajustado de R$ 1,3 Bilhão no 1º Trimestre, com Retorno aos Acionistas e Mudanças na Liderança Financeira
A XP Inc. (XPBR31) iniciou o ano com um desempenho financeiro sólido, anunciando um lucro líquido ajustado de R$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre. Apesar do aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior, os resultados revelam um cenário de rentabilidade em declínio e captação de recursos abaixo das expectativas, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (18).
O grupo financeiro também comunicou uma importante troca em sua liderança, com a nomeação de um novo Chief Financial Officer (CFO), além da distribuição de dividendos no valor aproximado de R$ 500 milhões e um programa de recompra de ações que pode chegar a R$ 1 bilhão. Essas movimentações indicam uma estratégia voltada para a recompensa dos acionistas e a otimização da estrutura corporativa.
Apesar do crescimento anual de 7% no lucro, o resultado trimestral apresentou uma leve queda de 1%, ficando aquém das projeções de analistas compiladas pela LSEG, que antecipavam R$ 1,4 bilhão. Essa performance, embora expressiva, levanta questões sobre a eficiência operacional e a capacidade de crescimento em um mercado cada vez mais competitivo.
Receitas e Rentabilidade: Um Panorama Complexo
A receita bruta da XP atingiu R$ 4,9 bilhões, um aumento de 8% na comparação anual, mas registrou uma queda de 7% em relação ao trimestre anterior. A receita de varejo, que representa a maior fatia, somou quase R$ 3,8 bilhões, com expansão de 10% ano a ano, porém, uma redução de 2% no trimestre. Em renda variável, houve um desempenho positivo com alta de 22% anual e 13% trimestral, contrastando com a renda fixa, que apresentou quedas de 25% e 19%, respectivamente.
O “take rate”, métrica crucial de rentabilidade sobre os ativos sob custódia, anualizado para o varejo, caiu para 1,18%, comparado a 1,25% no ano anterior e no quarto trimestre de 2025. No segmento de banco de atacado, a receita cresceu 26% ano a ano, mas recuou 8% no trimestre, totalizando cerca de R$ 1,1 bilhão. A receita líquida totalizou R$ 4,7 bilhões, com alta de 8% anual, mas queda de 6% trimestral, também abaixo das expectativas de R$ 4,9 bilhões.
As despesas administrativas gerais aumentaram 14% ano a ano, mas diminuíram 6% no trimestre, totalizando R$ 1,6 bilhão. A margem bruta, que mede a eficiência da operação principal, ficou em 67,2%, uma leve redução em relação aos 67,5% do ano anterior e 69,4% do trimestre anterior. Essa compressão na margem bruta, juntamente com a queda no “take rate”, sinaliza desafios na precificação e na gestão de custos.
Rentabilidade e Captação em Foco
O retorno anualizado sobre o patrimônio tangível (ROTE) caiu para 26,2%, de 30,2% um ano antes e 27,7% no trimestre anterior. Similarmente, o retorno sobre o patrimônio líquido anualizado (ROAE) recuou para 21,7%, ante 24,1% e 22,8% nas comparações respectivas. A XP atribuiu essa redução à manutenção de um alto nível de capitalização, o que pode impactar a alavancagem e, consequentemente, a rentabilidade.
A captação líquida da XP apresentou uma queda expressiva de 39% na base anual, totalizando R$ 14 bilhões, e uma retração de 55% em comparação com o trimestre anterior. No entanto, a captação líquida de varejo manteve-se praticamente estável em ambas as comparações, somando R$ 19 bilhões. Os ativos de clientes alcançaram R$ 1,5 trilhão, um crescimento de 15% ano a ano e 3% trimestral. A base de clientes ativos também expandiu, atingindo 4,8 milhões, com crescimento de 2% anual e 1% trimestral.
Novo CFO e Retorno aos Acionistas
Em um movimento estratégico, o conselho de administração da XP nomeou Gustavo Alejo como novo diretor financeiro (CFO), com início em 3 de agosto. Alejo, que vinha do Santander Brasil, substituirá Victor Mansur, que deixará o cargo em 31 de maio de 2026, em um processo de transição planejado. Thiago Maffra, CEO da XP, assumirá interinamente a posição após a saída de Mansur.
A XP vê a chegada de Alejo como um reforço crucial para impulsionar a estratégia de crescimento e fortalecer a disciplina de execução, especialmente em um momento de crescente escala e relevância no mercado. Mansur, após a transição, permanecerá como sócio da XP e membro do conselho de empresas investidas do grupo, demonstrando a valorização de sua experiência.
Adicionalmente, o conselho aprovou a distribuição de dividendos de US$ 0,20 por ação Classe A, com pagamento previsto para 18 de junho, totalizando aproximadamente R$ 500 milhões. Foi também aprovado um programa de recompra de ações de até R$ 1 bilhão, a ser executado até maio de 2027, utilizando o caixa disponível da companhia. Essas iniciativas reforçam o compromisso da XP em retornar valor aos seus acionistas.
Conclusão Estratégica Financeira
Os resultados do primeiro trimestre da XP Inc. revelam um cenário de crescimento consolidado, mas com desafios na rentabilidade e captação, indicando a necessidade de otimização das operações e estratégias de precificação. A nomeação de um novo CFO e a continuidade de programas de recompra e dividendos sinalizam uma gestão focada em fortalecer a confiança do mercado e a atratividade para investidores, mesmo diante de pressões de margem.
O impacto econômico direto se manifesta na distribuição de capital aos acionistas, o que pode impulsionar o consumo e o reinvestimento. Indiretamente, a estabilidade na liderança financeira e a recompra de ações podem sinalizar solidez e confiança da administração no futuro da empresa, potencialmente influenciando o valuation. Riscos incluem a intensificação da concorrência, mudanças regulatórias e a volatilidade dos mercados financeiros, que podem afetar a captação e a rentabilidade.
Oportunidades residem na expansão de serviços, na inovação tecnológica e na consolidação de sua posição como plataforma financeira integrada. Para investidores, a XP demonstra um compromisso com o retorno de capital, mas é crucial monitorar a evolução do “take rate” e das margens operacionais. A tendência futura aponta para uma busca por equilíbrio entre crescimento e eficiência, com a XP buscando manter sua relevância em um cenário financeiro dinâmico.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
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