Lavoro em Crise: Atraso no Pagamento de CRAs e Vencimento Antecipado pela Ecoagro Geram Alerta no Mercado Agrícola
A rede de revendas Lavoro, recém-adquirida pela AGI, enfrenta um novo capítulo de dificuldades financeiras. A empresa deixou de pagar parcelas de juros referentes a Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), levando a securitizadora Ecoagro a decretar o vencimento antecipado desses títulos. Este evento levanta sérias preocupações sobre a saúde financeira da companhia e seus impactos no mercado de crédito do agronegócio.
Os CRAs em questão foram emitidos em 2023, totalizando R$ 420 milhões em duas séries. Uma parte pré-fixada de R$ 351 milhões remunerava os investidores a 14,2% ao ano, enquanto R$ 68 milhões na série pós-fixada ofereciam CDI+3% ao ano. Os contratos previam juros mensais e amortizações em 2026 e 2027, mas o não pagamento da parcela de juros vencida em 17 de abril rompeu o acordo.
O atraso na quitação dos juros aciona cláusulas contratuais que permitem à Ecoagro exigir o pagamento integral do saldo remanescente em um prazo de três dias úteis a partir de 22 de abril. A securitizadora já sinalizou que, na ausência do pagamento, recorrerá a medidas legais, incluindo o acionamento das garantias oferecidas pelas empresas do grupo Lavoro.
A sangria da Lavoro está longe de estancar, indica a fonte, ressaltando a gravidade da situação para a rede de revendas agrícolas.
Detalhes dos CRAs e Garantias Oferecidas
Os CRAs da Lavoro, emitidos em 2023, foram estruturados em duas séries com diferentes perfis de remuneração. A série pré-fixada, a maior delas com R$ 351 milhões, oferecia aos investidores uma taxa anual de 14,2%. Já a série pós-fixada, no valor de R$ 68 milhões, era atrelada ao CDI mais um prêmio de 3% ao ano. Ambos os títulos possuíam cronogramas de pagamento de juros mensais e amortizações previstas para dezembro de 2026 e dezembro de 2027.
De acordo com dados da plataforma Vitrify, as garantias para estes CRAs incluem a fiança de diversas empresas do grupo Lavoro, como Lavoro Agrocomercial, Distribuidora Pitangueiras, Produtec, Futuragro, Denorpi e Deragro. Adicionalmente, há a cessão fiduciária de recebíveis, um mecanismo que transfere a propriedade de ativos futuros da empresa como forma de assegurar o cumprimento das obrigações financeiras.
A falha no pagamento de uma parcela de juros, que deveria ter ocorrido em 17 de abril, ativou a cláusula de vencimento antecipado, conforme comunicado pela Ecoagro. A securitizadora estabeleceu um prazo de três dias úteis a partir de 22 de abril para que a Lavoro quite o saldo devedor total. A inobservância deste prazo levará a Ecoagro a buscar as garantias e outras medidas legais para proteger os investidores.
Assembleia de Cotistas e Impacto nos Investidores
Diante do não pagamento e da iminente decretação de vencimento antecipado dos CRAs, a Ecoagro anunciou a convocação de uma assembleia com os cotistas. Este encontro, a ser realizado nos próximos cinco dias úteis, será crucial para deliberar sobre os próximos passos e as ações a serem tomadas para mitigar as perdas dos investidores. A participação e o posicionamento dos cotistas serão determinantes para o desenrolar da situação.
Entre os investidores que detêm esses títulos estão fundos de investimento em direitos creditórios do agronegócio (Fiagros) geridos por casas renomadas como JGP e BB Asset. Além dessas instituições, uma parcela pulverizada de investidores pessoa física também possui CRAs da Lavoro em suas carteiras. O não pagamento pode gerar perdas significativas para todos esses cotistas, afetando o desempenho de seus portfólios.
A situação se agrava considerando que os CRAs da Lavoro não faziam parte das dívidas renegociadas no plano de recuperação extrajudicial da companhia, que já havia contemplado cerca de R$ 2,5 bilhões em obrigações com fornecedores de insumos. Este fato indica que a crise de liquidez pode ser mais profunda do que o inicialmente previsto, afetando diferentes esferas de sua estrutura de capital.
Rumores e Reestruturação da Lavoro
Os atrasos nos pagamentos de CRAs ocorrem em um momento de crescente escrutínio sobre a saúde financeira da Lavoro. Recentemente, a empresa foi alvo de rumores sobre o fechamento de diversas operações, boatos que foram veementemente repudiados pela companhia. No entanto, a atual inadimplência com os CRAs parece reforçar as preocupações do mercado.
Em resposta à situação, a Lavoro emitiu uma nota oficial declarando que “está em processo de reestruturação e segue atuando conjuntamente com seus parceiros para a busca da configuração dos seus negócios adequada à nova realidade do agronegócio”. A declaração, embora genérica, sugere que a empresa reconhece a necessidade de ajustes em suas operações diante de um cenário desafiador para o setor.
A Ecoagro, como securitizadora responsável, tem o papel de atuar como intermediária e garantir a segurança dos investimentos. A decretação do vencimento antecipado é um mecanismo de proteção para os detentores dos CRAs, mas também sinaliza a gravidade do descumprimento contratual por parte da Lavoro.
Conclusão Estratégica Financeira
O atraso no pagamento e o consequente vencimento antecipado dos CRAs da Lavoro representam um abalo significativo para a confiança dos investidores no mercado de crédito do agronegócio. O impacto econômico direto se manifesta na potencial perda de capital para os detentores dos títulos, que agora buscam o acionamento das garantias. Indiretamente, o evento pode aumentar o custo de captação para outras empresas do setor, que passarão a ser vistas com maior risco pelos credores.
A principal oportunidade para os investidores reside na eficácia das garantias oferecidas. A análise detalhada da solidez e liquidez das empresas fiadoras e dos recebíveis cedidos será crucial. Por outro lado, o risco é a demora no processo de recuperação dos valores ou a insuficiência das garantias para cobrir todo o montante devido. Este cenário pode afetar as margens de lucro de fundos de investimento e a percepção de risco do mercado, impactando o valuation de empresas com estruturas de capital semelhantes.
Para gestores de Fiagros e outros fundos de crédito, é um alerta para a necessidade de diligência redobrada na análise de crédito e na monitorização contínua dos ativos em carteira. A tendência futura aponta para um mercado mais cauteloso, com maior exigência de garantias e spreads de crédito mais elevados para operações no agronegócio, especialmente para empresas em processo de reestruturação. O cenário provável é de maior seletividade por parte dos investidores e credores, favorecendo companhias com balanços mais robustos e histórico de boa governança.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
E aí, o que você pensa sobre essa situação na Lavoro? Compartilhe sua opinião, dúvidas ou críticas nos comentários abaixo. Sua perspectiva é muito importante!



