Itaú BBA Prevê Aperto nas Margens do Agronegócio na Safra 2026/27
O setor do agronegócio brasileiro pode enfrentar um cenário ainda mais desafiador na safra 2026/27, segundo projeções do Itaú BBA. Após um período de margens já apertadas na safra 2025/26, que se confirmou em linha com as expectativas do banco, a nova previsão aponta para uma deterioração adicional, com custos elevados e incertezas geopolíticas como principais vilões.
Apesar do prognóstico de dificuldades, o Itaú BBA reafirma sua confiança no setor a longo prazo, projetando um crescimento de 10% em sua carteira de crédito agro. No entanto, a seletividade na concessão de crédito tende a aumentar, refletindo a maior cautela dos financiadores diante do cenário complexo.
A análise do banco considera fatores como a instabilidade geopolítica global, que afeta o fornecimento e o preço de fertilizantes, um provável déficit na adubação comprometendo a produtividade e a previsão de um El Niño mais acentuado. Esses elementos, somados a um passivo acumulado por parte de alguns produtores, criam um ambiente de negócios mais rigoroso.
Custos Elevados e Margens Apertadas: A Realidade da Safra 2026/27
Cesar de Castro Alves, gerente da consultoria agro do Itaú BBA, destaca que os custos continuarão sendo o principal entrave. “Não vemos razão para os preços subirem, e esperamos margens menores”, afirmou, reiterando a preocupação já expressa no ano anterior. A expectativa é de que os desafios que apertaram as margens na safra passada se repitam e se intensifiquem.
Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do Itaú BBA, complementa que, diferentemente de safras anteriores onde algumas culturas como café, suínos e algodão apresentavam um quadro mais otimista, agora até esses setores deverão sentir o aperto. A incerteza geopolítica e o impacto nos fertilizantes são apontados como fatores que podem levar a uma perda de produtividade.
O endividamento acumulado nos anos anteriores também agrava a situação, com parte significativa do resultado operacional sendo consumida pelo serviço da dívida, conforme observado por Fernandes. Essa combinação de fatores exige uma gestão financeira mais apurada por parte dos produtores rurais.
Déficit de Fertilizantes e Impacto na Produtividade
O relatório do Itaú BBA também chama a atenção para uma relação de troca desfavorável na aquisição de fertilizantes fosfatados. A oferta restrita, aliada a uma demanda crescente por novos usos do enxofre, sugere que os preços elevados para esses insumos devem se manter por mais tempo.
Francisco Queiroz, especialista em grãos e algodão do Itaú BBA, estima uma redução na disponibilidade de fertilizantes entre 5 a 7 milhões de toneladas na próxima safra, o que representa cerca de 15% do volume importado pelo Brasil em 2025. Essa escassez força os produtores a buscarem alternativas mais baratas, como o uso de potássio para otimizar a absorção de fósforo já presente no solo.
Essa busca por alternativas e a potencial redução na aplicação de fertilizantes podem comprometer a produtividade das lavouras, adicionando mais um elemento de incerteza ao cenário já complexo para a safra 2026/27.
Soja: Recorde de Produção, Mas Crescimento Lento na Área Plantada
Apesar do cenário desafiador, o Itaú BBA projeta um novo recorde na safra brasileira de soja, estimada em 182,5 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da projeção de 186 milhões de toneladas do USDA. O crescimento na área plantada de soja, contudo, deve desacelerar significativamente.
Queiroz explica que, enquanto nos últimos 20 anos a área de soja cresceu em média 5% ao ano, para a safra 2026/27 a expectativa é de apenas 0,5%. Essa desaceleração é atribuída aos custos mais elevados de produção e aos preços menos atrativos das commodities, o que reduz o incentivo para expandir o plantio.
No cenário global, a oferta de soja deve permanecer robusta, com projeções de produção em 441 milhões de toneladas, impulsionada pelo aumento da produção nos principais países produtores. A demanda global, por sua vez, deve continuar a absorver esse volume, impulsionada pelas cadeias de proteína animal e pelos biocombustíveis.
Conclusão Estratégica Financeira
A análise do Itaú BBA para a safra 2026/27 indica um cenário de margens mais apertadas para o agronegócio brasileiro, exigindo dos produtores uma gestão financeira ainda mais rigorosa e estratégica. Os custos elevados de insumos, especialmente fertilizantes, e a volatilidade geopolítica representam os principais riscos, com potencial impacto direto na rentabilidade das operações.
Por outro lado, a projeção de crescimento na carteira de crédito do próprio banco sugere que, apesar dos desafios, o setor agro continua sendo visto como um pilar importante da economia. A seletividade na concessão de crédito, mencionada como tendência, pode ser uma oportunidade para produtores com boa saúde financeira e histórico comprovado, que terão maior facilidade de acesso a recursos.
Para investidores e gestores, o cenário aponta para a necessidade de diversificação de culturas e de busca por eficiência operacional. A valorização de tecnologias que otimizem o uso de insumos e a gestão de riscos climáticos serão cruciais. A tendência futura aponta para um mercado agro mais seletivo e com maior exigência de performance, onde a capacidade de adaptação e a resiliência financeira serão diferenciais importantes.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
O que você achou dessas projeções? Deixe sua opinião, dúvida ou crítica nos comentários. Sua participação enriquece o debate!




