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Mercado Financeiro

Inpasa: A Estratégia Tributária do Paraguai Impulsiona Biodiesel e Etanol de Cana no Gigante Brasileiro

A Inpasa, líder no mercado brasileiro de etanol de milho, tem demonstrado uma estratégia ousada ao utilizar suas operações no Paraguai para fabricar produtos que não são originados no Brasil: biodiesel e etanol de…

Por Publicado em 6 min de leitura

Inpasa Aproveita Vantagens Fiscais do Paraguai para Produzir Biodiesel e Etanol de Cana, Complementando seu Negócio de Etanol de Milho no Brasil

A Inpasa, líder no mercado brasileiro de etanol de milho, tem demonstrado uma estratégia ousada ao utilizar suas operações no Paraguai para fabricar produtos que não são originados no Brasil: biodiesel e etanol de cana-de-açúcar. Essa abordagem confere à empresa uma plataforma de exportação com vantagens tributárias e acesso a mandatos de combustíveis locais, mesmo enquanto direciona seus maiores investimentos de expansão para o Brasil.

Fundada em Nueva Esperanza em 2006, a Inpasa deu um passo incomum ao entrar no mercado brasileiro em 2017, invertendo a rota tradicional de expansão regional. Atualmente, a empresa opera seis usinas no Brasil e duas no Paraguai, com mais duas unidades brasileiras em construção. Essa movimentação estratégica sublinha a importância do Paraguai como um polo de produção complementar.

Enzo Olmedo, diretor da Inpasa Paraguai, ressalta o impacto da empresa no país vizinho. “A Inpasa transformou o Paraguai”, afirma. “Qualquer pessoa no país que dirige um veículo, come carne ou bebe uma Coca-Cola está consumindo algo da Inpasa.” Essa declaração evidencia a integração da empresa na cadeia produtiva paraguaia, desde a agricultura até o consumo final.

O Início e a Expansão Regional da Inpasa

O Paraguai, sem refinarias de petróleo e dependente da importação de combustíveis fósseis, apresentou um cenário propício para o modelo de negócios inicial da Inpasa. O governo paraguaio também sinalizava planos para mandatos de mistura de etanol, e a gasolina no país já apresenta um teor entre 25% e 30% de etanol. Esse contexto foi fundamental para o desenvolvimento da empresa.

“Começamos com etanol de mandioca, mas não funcionou”, relata Olmedo. “Tentamos a cana-de-açúcar e migramos para o açúcar, que agora é um negócio importante. Depois, vimos que os grãos eram o futuro do etanol. Foi um processo de 10 anos de aprendizado e amadurecimento.” Essa trajetória demonstra a capacidade de adaptação e a visão de longo prazo da companhia.

A Inpasa iniciou a produção de etanol de milho no Paraguai em 2008 e, posteriormente, abriu uma segunda planta em São Pedro. Antes de escolher o Brasil para sua expansão internacional, a empresa considerou Colômbia, Bolívia e Argentina, mas o mercado brasileiro ofereceu a escala necessária para seus planos de crescimento.

Brasil: O Motor de Crescimento e Escala para a Inpasa

As seis usinas operacionais da Inpasa no Brasil estão localizadas em Sinop e Nova Mutum (Mato Grosso), Sidrolândia e Dourados (Mato Grosso do Sul), Balsas (Maranhão) e Luís Eduardo Magalhães (Bahia). As novas instalações em Rio Verde (Goiás) e Rondonópolis (Mato Grosso) estão em construção e com previsão de conclusão no primeiro trimestre de 2027.

Somente em etanol de milho, a Inpasa produz 1,3 milhão de litros por dia no Paraguai e 16 milhões de litros no Brasil. Com as novas usinas, a capacidade brasileira anual deve superar 8 bilhões de litros, um aumento significativo em relação aos atuais 6,7 bilhões de litros. Esse crescimento é atribuído à eficiência, inovação e capacidade de armazenamento.

A Inpasa consegue adquirir grãos de até 500 quilômetros de distância e armazená-los por até um ano, o que lhe confere flexibilidade para gerenciar os custos de matéria-prima. A demanda da empresa também remodelou o mercado de milho paraguaio, com o grão sendo cada vez mais consumido internamente por frigoríficos e pela própria Inpasa, em vez de ser quase inteiramente exportado.

A empresa consome mais de 1 milhão de toneladas métricas de milho paraguaio anualmente, o que representa cerca de 16% da safra estimada do país. Em 2025, a Inpasa gerou uma receita de US$ 4,47 bilhões (22,8 bilhões de reais) e um EBITDA de US$ 1,43 bilhão (7,3 bilhões de reais) em ambos os países.

O Papel Estratégico do Paraguai: Biodiesel e Etanol de Cana com Vantagens Tributárias

No Brasil, o foco da Inpasa é exclusivamente o etanol de milho. No Paraguai, a empresa diversifica sua produção com biodiesel, fabricado em sua planta de São Pedro. O insumo para o biodiesel é um subproduto do óleo de milho da unidade de etanol de milho em Dourados, Brasil. Sob a Lei Maquila do Paraguai, que concede isenções fiscais para manufatura voltada à exportação, a Inpasa importa a matéria-prima do Brasil sem impostos e exporta o biodiesel resultante de forma tributada.

A empresa também planeja comercializar biodiesel no mercado doméstico paraguaio, à medida que o país eleva sua mistura obrigatória de biodiesel para entre 8% e 10% a partir de agosto de 2026. Atualmente, a Inpasa produz 73 milhões de litros de biodiesel por ano. Em comparação, a Be8, líder de mercado no Brasil, produziu 1,3 bilhão de litros em 2025.

A produção combinada de etanol de milho e biodiesel tem se tornado uma prática comum entre as empresas brasileiras de biocombustíveis, especialmente na região Centro-Oeste do Brasil. Essa sinergia produtiva é um diferencial competitivo.

Novas Leis no Paraguai Moldam a Produção de Etanol de Cana

A Inpasa também produz etanol de cana-de-açúcar e açúcar no Paraguai. Duas leis promulgadas em 2024 exigem que pelo menos metade do etanol utilizado em misturas de combustível venha da cana-de-açúcar. Essas medidas visam fortalecer a produção agrícola doméstica e proteger os pequenos produtores de cana, bem como os trabalhadores do setor.

Uma lei separada, de 2025, estabeleceu uma exigência de 30% de etanol para a gasolina. “É uma dificuldade que gerenciamos como uma oportunidade”, comenta Olmedo sobre essas novas regulamentações. A Inpasa tem a capacidade de adaptar sua produção para atender a essas demandas, transformando desafios regulatórios em vantagens competitivas.

A composição do produto também difere entre os países. O etanol anidro é misturado à gasolina, enquanto o etanol hidratado é vendido como combustível automotivo. No Paraguai, a produção típica é de cerca de 90% de etanol anidro e 10% de hidratado, refletindo a demanda local por misturas. No Brasil, essa proporção é de aproximadamente 80% hidratado e 20% anidro, devido à venda direta de etanol hidratado aos consumidores.

Conclusão Estratégica Financeira: A Dupla Face da Inpasa

Minha leitura do cenário indica que a Inpasa está executando uma estratégia financeira e operacional de alta complexidade, mas com potencial de retorno significativo. A empresa capitaliza as vantagens fiscais e a mão de obra do Paraguai para a produção de biodiesel e etanol de cana, produtos com mandatos locais e potencial de exportação, enquanto concentra seus investimentos de escala e crescimento no robusto mercado brasileiro de etanol de milho.

Essa diversificação geográfica e de portfólio reduz a dependência de um único mercado ou matéria-prima, mitigando riscos. A capacidade de importar insumos do Brasil para o Paraguai e exportar produtos acabados com isenção tributária é um motor poderoso de margens. A expansão das operações brasileiras, por outro lado, visa consolidar a liderança em volume e eficiência no maior mercado de biocombustíveis da América do Sul.

Os riscos envolvem a volatilidade regulatória em ambos os países, a complexidade logística transfronteiriça e a concorrência crescente. No entanto, as oportunidades de capturar valor em diferentes elos da cadeia de biocombustíveis, alavancando a estrutura tributária paraguaia e a escala brasileira, parecem superar os desafios.

Para investidores e empresários do setor, a estratégia da Inpasa serve como um estudo de caso sobre como otimizar operações e custos através de planejamento fiscal inteligente e diversificação geográfica. A tendência futura aponta para uma integração cada vez maior dos mercados regionais de biocombustíveis, com empresas buscando sinergias para maximizar a rentabilidade e a competitividade.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

O que você pensa sobre essa estratégia da Inpasa? Compartilhe sua opinião, dúvida ou crítica nos comentários abaixo!

Quem escreveu

Vinícius Hoffmann Machado

Engenheiro com experiência corporativa em Operações, Logística, Planejamento e Finanças, atuando na conexão entre execução e estratégia. Especialista em otimização de custos, gestão orçamentária e integração entre processos produtivos e financeiros. Forte base analítica, com foco em indicadores, performance e tomada de decisão orientada por dados. Escreve sobre economia, finanças e eficiência empresarial, conectando teoria à prática do mundo real.

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