Ibovespa em Foco: CSN despenca e Usiminas decola no 1º semestre – Entenda as razões por trás das pontas opostas do setor siderúrgico
O primeiro semestre de 2026 no Ibovespa apresentou um cenário de intensas oscilações para o setor siderúrgico, com duas gigantes, CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5), trilhando caminhos diametralmente opostos. A Usiminas emergiu como líder da ponta positiva, com uma valorização impressionante de 42,02%, enquanto a CSN encabeçou as baixas, registrando uma queda de 48,21%.
O setor siderúrgico, já sob pressão devido à fragilidade da demanda chinesa, viu suas empresas reagirem de formas distintas. A alta alavancagem da CSN foi apontada por analistas como um dos principais vilões para a cotação de suas ações. Em contrapartida, a Usiminas foi impulsionada por resultados trimestrais positivos e um conjunto de fatores favoráveis que criaram um “céu azul” para seus papéis.
Essa divergência de desempenho levanta questões importantes para os investidores e para o mercado financeiro. Quais foram os gatilhos específicos que levaram a CSN a uma trajetória de queda tão acentuada, enquanto a Usiminas conquistou o topo do índice? A análise aprofundada dos fundamentos e do cenário macroeconômico revela as complexas dinâmicas que moldaram esses resultados.
A Tempestade que Atingiu a CSN: Alavancagem e Desafios Operacionais
O cenário enfrentado pela CSN no primeiro semestre foi descrito como uma “tempestade em copo d’água” por analistas. Diversos fatores macroeconômicos e internos contribuíram para a desvalorização de suas ações. No início de 2026, a imposição de uma taxa de 50% sobre aço e alumínio brasileiros pelos Estados Unidos, somada a juros elevados e demanda global enfraquecida, criaram um ambiente adverso.
A situação da CSN foi agravada pelo avanço em seu endividamento, um ponto crítico que pressionou a alavancagem da companhia. Adicionalmente, o conflito no Oriente Médio elevou os custos de frete, impactando ainda mais a operação. Esses elementos macroeconômicos, combinados com desafios internos, pintaram um quadro desafiador para a siderúrgica.
O lado de mineração da CSN, no entanto, ofereceu um respiro. Cerca de 50% do Ebitda da holding provém dessa divisão, que conseguiu se beneficiar de uma melhora marginal na China. Contudo, o segmento siderúrgico, que enfrenta dificuldades, tem sido o principal responsável pela performance negativa da empresa. A expectativa é que a CSN Mineração (CMIN3) continue a oferecer dividendos mais atrativos, o que pode desviar o interesse do investidor da CSNA3.
Usiminas: O Céu Azul da Siderurgia Impulsionado por Fatores Estratégicos
Em contraste com a CSN, a Usiminas desfrutou de um “céu azul” no primeiro semestre. A empresa foi beneficiada diretamente por medidas antidumping no setor de aço implementadas pelo governo brasileiro. Essas ações visam proteger o mercado interno, elevando os preços e tornando a produção nacional mais competitiva.
Além do cenário regulatório favorável, a Usiminas apresentou números robustos no primeiro trimestre de 2026, o que foi um catalisador importante para a valorização de suas ações. O valuation mais atrativo da empresa também atraiu investidores em busca de papéis com maior potencial de descontos, conferindo um fôlego adicional à ação.
A alavancagem da Usiminas também se mostrou significativamente mais saudável em comparação com a CSN. Com uma relação dívida líquida/Ebitda negativa em -0,2x no 1T26, a companhia demonstrou ter saldo em caixa, um sinal de solidez financeira. O lucro líquido de R$ 391 milhões no período reforçou essa percepção de saúde financeira, consolidando a tese de investimento na empresa.
O Dilema da Venda de Ativos da CSN e a Busca por Desalavancagem
A gestão da CSN tem buscado ativamente a venda de ativos para reduzir seu endividamento. A divisão de cimentos tem sido apontada como um potencial candidato para alienação, mas o processo tem enfrentado obstáculos. A divergência de expectativas de preço entre o controlador da empresa, Benjamin Steinbruch, e potenciais compradores tem sido um ponto de atrito.
Enquanto Steinbruch mira valores entre R$ 13 e R$ 14 bilhões pela CSN Cimentos, os interessados ofertam entre R$ 11 e R$ 12 bilhões. Essa discrepância tem protelado a conclusão do negócio, impactando a estratégia de desalavancagem da companhia. A promessa de redução de dívida, que não se concretizou plenamente, tem gerado apreensão no mercado.
A alavancagem da CSN no 1T26 atingiu 3,4x a relação dívida líquida/Ebitda, com uma dívida líquida de R$ 40,5 bilhões. A dependência de seu negócio siderúrgico e de mineração para cobrir custos operacionais e financeiros, em um cenário de demanda volátil, adiciona mais um elemento de complexidade à sua situação.
Perspectivas Futuras: O Que Esperar de CSN e Usiminas?
Para a Usiminas, o cenário pode se tornar ainda mais favorável com a potencial não renovação do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). Embora o acordo permaneça em vigor enquanto negociações ocorrem, a ausência de renovação pode criar novas dinâmicas comerciais. Além disso, a possibilidade de sobretaxação da importação de aço pela União Europeia pode beneficiar a Usiminas, mesmo com seu valuation atualmente mais esticado.
Acredito que a Usiminas ainda possui espaço para valorização, impulsionada pela melhora no consumo e pela dinâmica de preços no mercado interno. A empresa parece bem posicionada para capitalizar sobre as tendências favoráveis do setor.
No caso da CSN, a venda bem-sucedida da divisão de cimentos por um valor próximo a R$ 12 bilhões poderia aliviar a dívida em cerca de 25% a 30%. Tal movimento seria um gatilho significativo para a ação, especialmente considerando seu atual patamar descontado. No entanto, a resolução dessa questão é crucial para destravar valor.
Conclusão Estratégica Financeira: Navegando as Ondas do Setor Siderúrgico
A divergência entre CSN e Usiminas no primeiro semestre de 2026 ilustra a importância de analisar os fundamentos específicos de cada empresa e o contexto setorial e macroeconômico. A Usiminas se beneficiou de uma combinação de fatores positivos, incluindo medidas regulatórias, resultados operacionais sólidos e uma estrutura de capital mais saudável, resultando em um valuation mais atrativo para o investidor.
Por outro lado, a CSN enfrenta desafios significativos relacionados à sua alta alavancagem e à necessidade de vender ativos para reequilibrar suas finanças. Embora o segmento de mineração ofereça suporte, a performance do setor siderúrgico e os obstáculos na venda de ativos continuam sendo pontos de atenção.
Para investidores, a leitura do cenário indica que a Usiminas pode apresentar um caminho mais previsível de valorização no curto a médio prazo, desde que os ventos favoráveis se mantenham. Para a CSN, o potencial de recuperação está intrinsecamente ligado à sua capacidade de executar sua estratégia de desalavancagem, especialmente através da venda de ativos. A ação da CSN pode oferecer um potencial de retorno maior em caso de sucesso nessas negociações, mas carrega um risco significativamente mais elevado.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
E aí, qual a sua opinião sobre o desempenho de CSN e Usiminas? Acredita que essa tendência vai se manter? Deixe seu comentário abaixo!



