Pular para o conteúdo
Receber a newsletter
Mercado Financeiro

IA nas Empresas: Metade das que Demitiram por Automação Vai Recontratar até 2027, Diz Gartner

A promessa da inteligência artificial (IA) como um atalho para a redução de custos com pessoal pode estar prestes a enfrentar uma realidade complexa. Uma pesquisa recente do Gartner sugere que, até 2027, metade…

Por Publicado em 5 min de leitura

IA nas Empresas: Metade das que Demitiram por Automação Vai Recontratar até 2027, Diz Gartner

A promessa da inteligência artificial (IA) como um atalho para a redução de custos com pessoal pode estar prestes a enfrentar uma realidade complexa. Uma pesquisa recente do Gartner sugere que, até 2027, metade das empresas que justificaram demissões com base na IA precisarão recontratar funcionários para funções similares, possivelmente sob novos títulos de cargo.

Essa projeção indica que o discurso sobre a substituição em massa de trabalhadores pela IA pode ter sido mais acelerado do que a capacidade atual da tecnologia. A consultoria aponta que fatores econômicos mais amplos, e não apenas a automação, foram os principais impulsionadores das recentes reduções de quadro, e que a necessidade de manter a qualidade do serviço e o crescimento exigirá um reinvestimento em talentos humanos.

A leitura da consultoria é clara: a IA, apesar de sedutora, ainda não atingiu a maturidade necessária para substituir completamente a experiência, a empatia e o discernimento que os profissionais humanos oferecem. Confiar exclusivamente na IA neste momento pode ser prematuro e gerar consequências indesejadas, como queda na qualidade e insatisfação do cliente.

A atribuição das fontes com link: Gartner

O Efeito Bumerangue da IA nas Contratações

O efeito bumerangue, onde demissões impulsionadas pela IA levam a recontratações, tem raízes em questões práticas. Embora a automação com IA seja uma ideia atraente para muitos líderes empresariais, a implementação em larga escala ainda enfrenta barreiras significativas. A própria consultoria Gartner, em uma pesquisa divulgada em maio, observou que, apesar de cerca de 80% das organizações que testam ou implementam capacidades autônomas relatarem reduções na força de trabalho, esses cortes não se traduzem necessariamente em retorno sobre o investimento (ROI).

O levantamento, que ouviu 350 executivos globais no terceiro trimestre de 2025 de empresas com receita anual superior a US$ 1 bilhão, evidenciou que a implementação de agentes de IA, automação inteligente e tecnologias autônomas nem sempre gera os resultados financeiros esperados, mesmo quando acompanhada de cortes de pessoal.

Casos Reais: Klarna e Commonwealth Bank da Austrália

Embora a previsão do Gartner se concentre no futuro próximo, os primeiros sinais desse efeito bumerangue já são visíveis. Um exemplo marcante é o da fintech sueca Klarna. Em 2024, a empresa anunciou que um chatbot de IA seria capaz de realizar o trabalho de 700 agentes de atendimento, projetando um lucro adicional de US$ 40 milhões anuais. No entanto, cerca de um ano e meio depois, a empresa reviu sua estratégia.

Com a queda na qualidade do atendimento e o aumento da insatisfação dos clientes, a Klarna admitiu que o foco excessivo em eficiência e custo prejudicou a qualidade e erodiu a confiança. A empresa, que havia reduzido seu quadro de 5.500 para 3.400 funcionários, iniciou um processo de recontratação de agentes humanos, adotando um modelo híbrido que combina IA e pessoas. O próprio CEO, Sebastian Siemiatkowski, reconheceu publicamente o erro, afirmando: “Nós fomos longe demais”.

Um caso ainda mais recente e rápido de reversão ocorreu com o Commonwealth Bank of Australia. Em 2025, o banco demitiu 45 funcionários de seu call center, substituindo-os por um sistema de voz baseado em IA. Em poucas semanas, o volume de chamadas aumentou, a qualidade do serviço caiu drasticamente, e as vagas tiveram que ser reabertas, demonstrando a dificuldade em manter a excelência operacional apenas com tecnologia.

A Necessidade do Toque Humano na Era da IA

A análise do Gartner reforça a ideia de que a IA, por mais avançada que seja, ainda não consegue replicar integralmente as nuances da interação humana. A empatia, a capacidade de lidar com situações complexas e imprevistas, e o discernimento em tomadas de decisão críticas são atributos intrinsecamente humanos que a tecnologia, em seu estado atual, não consegue suprir de forma completa. A expectativa dos clientes por um atendimento de qualidade e personalizado continua alta, e as empresas que negligenciam esse aspecto correm o risco de perder mercado.

A pesquisa da consultoria sugere que as reduções de força de trabalho mais recentes foram, em grande parte, influenciadas por condições econômicas gerais, e não apenas pela adoção de IA. À medida que as organizações se deparam com os limites da tecnologia e com as demandas crescentes dos consumidores, a necessidade de reinvestir em capital humano se torna imperativa para garantir a sustentabilidade e o crescimento a longo prazo.

Conclusão Estratégica Financeira: Reavaliando o ROI da IA

A projeção do Gartner de que metade das empresas que demitiram por IA vão recontratar até 2027 aponta para uma reavaliação estratégica do retorno sobre o investimento (ROI) em automação. Os impactos econômicos diretos incluem os custos de recontratação e treinamento de pessoal, que podem mitigar ou até anular os ganhos de eficiência esperados com a IA. Indiretamente, a queda na satisfação do cliente pode levar à perda de receita e a um aumento nos custos de aquisição de novos clientes.

Os riscos financeiros residem na possibilidade de implementar soluções de IA de forma apressada, sem uma análise aprofundada de sua maturidade e adequação aos processos de negócio. As oportunidades surgem para empresas que conseguirem um equilíbrio eficaz entre IA e talento humano, otimizando custos sem comprometer a qualidade e a experiência do cliente. Isso pode afetar positivamente as margens operacionais e a fidelização de clientes, elementos cruciais para o valuation de qualquer negócio.

Para investidores, empresários e gestores, a leitura do cenário indica que a narrativa de substituição total pela IA deve ser encarada com cautela. A tendência futura aponta para modelos híbridos, onde a IA atua como uma ferramenta de apoio, aumentando a produtividade dos colaboradores humanos, em vez de substituí-los. Um cenário provável é o de uma otimização inteligente, onde a tecnologia assume tarefas repetitivas e de baixo valor agregado, liberando os profissionais para se dedicarem a atividades que exigem criatividade, empatia e pensamento crítico.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

E você, o que pensa sobre essa tendência? Acredita que a IA trará mais recontratações do que demissões no futuro próximo? Compartilhe sua opinião, dúvida ou crítica nos comentários!

Quem escreveu

Vinícius Hoffmann Machado

Engenheiro com sólida carreira corporativa em operações, planejamento e finanças — onde a estratégia vira número e o número vira decisão. No Eruption Global, traduz essa visão analítica em artigos sobre economia, mercado e decisões financeiras.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia a seguir

Continue lendo

Se esse tema importa para você, estas análises completam o quadro.

Quer receber análises como esta toda semana?

Gostou? Receba a próxima.

Análises como esta, toda semana, no seu e-mail.

Gratuito. Sem spam. Cancele com um clique.