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Mercado Financeiro

Guerra Política EUA-Brasil e Populismo: Especialistas Duvidam de Grande Ajuste Fiscal em 2026

A recente entrada em vigor da sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros marca um novo capítulo nas relações comerciais entre os dois países. No entanto, a perspectiva…

Por Publicado em 4 min de leitura

EUA x Brasil: Uma Guerra Política, Não Comercial, que Afeta o Cenário Macroeconômico Brasileiro

A recente entrada em vigor da sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros marca um novo capítulo nas relações comerciais entre os dois países. No entanto, a perspectiva de especialistas aponta para uma dimensão mais complexa do que uma simples disputa comercial. Jeferson Bittencourt, chefe de macroeconomia do ASA e ex-secretário do Tesouro, classifica a medida como uma “guerra política”, cujas implicações vão além do âmbito econômico.

Durante o painel “Macroeconomia em transição: Os vetores que guiam os mercados em 2026”, realizado na Expert XP, ficou evidente que a visão predominante é de que o Brasil está relativamente protegido dessa nova tarifa, dada a menor participação do país no comércio global. Essa proteção, contudo, não afasta as preocupações com a volatilidade geopolítica e seus reflexos na economia.

A discussão sobre as variáveis macroeconômicas em um cenário de alta incerteza global foi um dos pontos centrais do evento. A complexidade aumenta com a volatilidade dos preços do petróleo, influenciada diretamente por conflitos internacionais, como a guerra no Oriente Médio. A expansão do conflito e a entrada de novos atores tornam as projeções ainda mais desafiadoras.

Guerra no Oriente Médio e a Volatilidade do Petróleo: Um Desafio para as Projeções Econômicas

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio, com a escalada do conflito e a participação de novos países, como os houthis do Iêmen, aliados do Irã, adiciona uma camada significativa de incerteza às projeções macroeconômicas. Luiz Parreiras, gestor de estratégia multimercado e previdência da Verde Asset, destacou a dificuldade em prever os preços do petróleo diante desse cenário.

A entrada de novos atores no conflito traz variáveis imprevisíveis para a precificação da commodity. Bittencourt, do ASA, ressaltou a necessidade de olhar para além da volatilidade de curto prazo, buscando um arrefecimento da tensão geopolítica para estabilizar as projeções. No entanto, a percepção é de que os envolvidos no conflito não têm interesse em encerrá-lo em breve.

Parreiras apresentou projeções para o preço do barril de petróleo em US$ 85 ao final de 2026 e US$ 75 para 2027, considerando um cenário de estresse localizado. Contudo, a realidade pode se mostrar mais volátil, exigindo constante reavaliação das estimativas diante dos desdobramentos internacionais.

Ajuste Fiscal em Xeque: Populismo de Direita e Esquerda Bloqueiam Reformas Necessárias

A polarização política no Brasil, especialmente com a proximidade das eleições presidenciais de 2026, cria um ambiente hostil para discussões sobre ajustes fiscais. Jeferson Bittencourt avalia que nenhum candidato ousará propor medidas impopulares, temendo a retaliação eleitoral. A pauta fiscal, segundo ele, será deixada de lado durante a campanha.

A analogia com a famosa frase “ninguém troca o telhado quando tem sol, troca quando tem tempestade” ilustra a visão de que reformas fiscais significativas só ocorrerão em momentos de crise aguda. O Brasil, em um contexto de juros globais mais elevados e com outros países realizando ajustes, encontra-se em uma posição mais frágil.

Luiz Parreiras, da Verde Asset, sugere que uma eventual vitória da direita nas eleições poderia gerar um certo otimismo no mercado, especialmente se houver a implementação de medidas como a desindexação de gastos em saúde e educação. No entanto, ele é cético quanto à profundidade de tais ajustes.

Populismo e a Falta de Compromisso com a Disciplina Fiscal: Um Obstáculo Duradouro

Parreiras argumenta que o “populismo de direita e de esquerda” representa tons diferentes da mesma moeda, ambos prejudicando a disciplina fiscal. A ausência de um governo verdadeiramente comprometido com o controle das contas públicas impede a realização de um ajuste fiscal profundo e necessário para destravar os juros.

A leitura do cenário aponta para uma “ressaca fiscal” em 2027, após o que ele descreve como uma “orgia de estímulos fiscais” promovida pela atual gestão. Essa política expansionista, sem um planejamento de longo prazo para a sustentabilidade das contas, pode gerar desequilíbrios significativos.

A falta de um compromisso genuíno com a responsabilidade fiscal, independentemente da orientação política, é vista como um entrave para a estabilidade econômica. O ciclo de “estímulos” pode trazer alívio de curto prazo, mas o custo futuro em termos de dívida pública e inflação é uma preocupação latente.

Conclusão Estratégica Financeira: Navegando em um Cenário de Incerteza Fiscal e Geopolítica

O cenário delineado por especialistas indica um futuro de incertezas para as finanças públicas brasileiras, marcado pela forte influência do populismo e pela ausência de um compromisso firme com a disciplina fiscal. A “guerra política” com os EUA e a volatilidade geopolítica no Oriente Médio adicionam camadas de complexidade, impactando diretamente as projeções macroeconômicas e a confiança dos investidores.

Os riscos financeiros residem na possibilidade de um aumento descontrolado da dívida pública, o que pode levar a um aumento da inflação e a taxas de juros mais elevadas no longo prazo, afetando o custo de capital para empresas e o poder de compra dos consumidores. O valuation de ativos pode ser pressionado por um ambiente de maior risco e menor crescimento.

Para investidores e empresários, a cautela se torna a palavra de ordem. A diversificação de portfólios, a busca por ativos resilientes e a atenção redobrada aos indicadores fiscais e de inflação são estratégias essenciais. A tendência futura aponta para um cenário de volatilidade contínua, onde a capacidade de adaptação e a gestão de riscos serão cruciais para a sobrevivência e o sucesso.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

O que você pensa sobre as projeções para o futuro fiscal do Brasil e os impactos da geopolítica? Deixe sua opinião, dúvida ou crítica nos comentários abaixo. Adoraria saber o que você pensa!

Quem escreveu

Vinícius Hoffmann Machado

Engenheiro com sólida carreira corporativa em operações, planejamento e finanças — onde a estratégia vira número e o número vira decisão. No Eruption Global, traduz essa visão analítica em artigos sobre economia, mercado e decisões financeiras.

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