El Niño Aumenta Cautela e Busca por Seguro Agrícola no Brasil: Mapfre S.A. Lança Novos Desafios e Oportunidades no Setor
A iminência de um El Niño excepcionalmente forte está impulsionando uma onda de procura por seguros agrícolas no Brasil. Agricultores em todo o país buscam garantir suas colheitas contra os potenciais efeitos devastadores do fenômeno climático, levando seguradoras como a Mapfre a reavaliar suas estratégias de subscrição e cobertura.
A demanda crescente, segundo executivos da Mapfre, é mais acentuada em estados com histórico de perdas climáticas. O Rio Grande do Sul, projetado para receber chuvas mais intensas, e o Mato Grosso, que enfrenta um risco elevado de estiagem, lideram essa busca. Mercados emergentes, como Goiás, também registram um aumento significativo no interesse por apólices de seguro.
“Meus próximos dias serão inteiramente dedicados a este fenômeno”, declarou Fabio Damasceno, diretor técnico de seguros agrícolas da Mapfre no Brasil. Sua agenda inclui uma viagem a Goiás para avaliar a viabilidade de novas apólices, um movimento que ele descreve como um sinal de alerta e, simultaneamente, uma oportunidade comercial.
A demanda, que seria naturalmente fraca sem o El Niño, agora aumenta o interesse em áreas onde a adequação do produto e o risco adicional precisam ser cuidadosamente medidos. A complexidade do cenário atual exige avaliações detalhadas no campo, pois a penetração do seguro e a compreensão das coberturas variam amplamente entre as regiões, mesmo aquelas com condições agrícolas semelhantes.
Em mercados menos maduros, como Goiás, a Mapfre enfrenta o desafio de educar os produtores. Yane Freitas, especialista em engenharia agrícola da seguradora, explica que é preciso esclarecer que as apólices não cobrem, necessariamente, 100% da colheita esperada. “Agricultores do Sul já estão familiarizados com os riscos e as coberturas. Em Goiás, um produtor pode colher 80 sacas por hectare e esperar ser compensado por todas elas. A abordagem tem que ser diferente”, ressalta Freitas.
A elaboração e comercialização de apólices tornaram-se mais intrincadas, especialmente em regiões com alta probabilidade histórica de perdas por ventos fortes, secas, inundações ou danos elétricos. Damasceno descreve o ambiente atual como o mais complexo de seus 20 anos de experiência no mercado.
A pressão financeira sobre o setor agrícola brasileiro agrava o quadro de risco. Com margens apertadas ou negativas em algumas cadeias produtivas, os produtores podem ser levados a cortar investimentos em insumos, manejo e tecnologia. Essa redução na resiliência das lavouras, conforme aponta Damasceno, eleva o risco para os seguradores.
A Mapfre, contudo, não está se retirando do mercado. A empresa adota uma postura mais seletiva, com análises rigorosas que podem resultar em ajustes de prêmios, níveis de cobertura ou rendimentos segurados. A prioridade recai sobre agricultores com longo histórico de produção e dados confiáveis, permitindo uma precificação de risco mais precisa e apólices com termos mais claros.
“A falta de dados é um problema crônico, mas alguns agricultores possuem 20 anos de registros. Isso melhora imediatamente o produto”, afirma Damasceno, destacando como a qualidade das informações auxilia na alocação de equipes, incluindo inspetores de sinistros.
A seguradora precisa, ainda, equilibrar as demandas dos agricultores com as exigências dos resseguradores, que fornecem a capacidade adicional para absorver grandes perdas. As apólices devem permanecer atrativas para os produtores e, ao mesmo tempo, atender aos padrões de risco dos resseguradores. Esse equilíbrio torna o planejamento anual desafiador, pois os contratos de resseguro para o ano seguinte podem ser renovados antes mesmo da conclusão da safra de verão em curso.
“Preciso dar confiança ao ressegurador de que a estratégia é sólida. É complexo, pois renovo o resseguro do ano seguinte antes mesmo de ter o resultado da safra de verão”, explica Damasceno. A natureza global do mercado de resseguros significa que eventos climáticos de grande escala podem impactar a capacidade e o preço do seguro muito além da região onde as perdas ocorrem. “Resseguradores são globais e fornecem capacidade para várias seguradoras, então a tensão é alta. Mesmo quando o trabalho é feito perfeitamente, um impacto mais amplo do mercado afeta a todos”, conclui.
Em resposta à crescente frequência de perdas relacionadas ao clima, a Mapfre está desenvolvendo um produto de seguro rural paramétrico. Após a aquisição da Blue Marble, especialista em seguros paramétricos, a empresa planeja introduzir o produto no Brasil em 2027, com foco inicial em cafeicultores.
O seguro paramétrico realiza pagamentos de forma automática quando um limiar predeterminado, como volume de chuva ou temperatura, é atingido. Diferentemente das apólices tradicionais, não requer uma avaliação de perdas no local. Este modelo pode oferecer cobertura personalizada e de menor custo, potencialmente ampliando o acesso ao seguro para mais produtores, embora os pagamentos sejam geralmente mais limitados.
“O seguro paramétrico não é tão competitivo para as principais culturas e riscos, mas pode complementar a cobertura tradicional. Pode, inclusive, funcionar em áreas onde o seguro já não está disponível, pois as perdas são consideradas quase certas”, pondera Damasceno, citando exemplos em partes do Rio Grande do Sul.
A busca por proteção agrícola no Brasil, intensificada pelo El Niño, reflete a crescente vulnerabilidade do setor às mudanças climáticas. A Mapfre, ao ajustar suas estratégias e desenvolver novas soluções, busca navegar neste cenário complexo, equilibrando oportunidades comerciais com a gestão de riscos crescentes.
A Mapfre busca novas soluções em seguros agrícolas diante do aumento da demanda impulsionada pelo El Niño. A análise de risco se intensifica em regiões como Rio Grande do Sul e Mato Grosso, enquanto novos mercados como Goiás apresentam desafios e oportunidades para a seguradora. O desenvolvimento de seguros paramétricos sinaliza uma adaptação às novas realidades climáticas e de mercado.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
O que você pensa sobre o impacto do El Niño no agronegócio brasileiro e na demanda por seguros? Deixe sua opinião, dúvida ou crítica nos comentários.





