Crime no Brasil: Pesquisadora questiona plano de Flávio Bolsonaro e aponta falhas em estratégias de segurança pública
O senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentou um plano de segurança pública para a campanha presidencial de 2026, que resgata propostas recorrentes no debate político brasileiro: construção de novos presídios, redução da maioridade penal, restrição…

Estratégias contra o crime: O plano de Flávio Bolsonaro e o debate sobre segurança pública no Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentou um plano de segurança pública para a campanha presidencial de 2026, que resgata propostas recorrentes no debate político brasileiro: construção de novos presídios, redução da maioridade penal, restrição à progressão de regime e endurecimento das penas. Essa abordagem, conhecida como “Brasil Sem Medo”, busca combater a criminalidade através de medidas punitivas e de encarceramento em massa.
No entanto, a pesquisadora Carolina Grillo, do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI-UFF), questiona a eficácia dessas estratégias. Segundo Grillo, a experiência brasileira demonstra que o aumento do número de presídios e o encarceramento prolongado não resultaram em uma diminuição significativa da criminalidade organizada, especialmente quando se considera o crescimento exponencial da população carcerária nas últimas décadas.
A especialista aponta que a percepção popular de que penas mais severas inibem o crime não encontra respaldo nas evidências científicas. A criminologia sugere que criminosos, em muitos casos, não agem sob um cálculo racional antes de cometer um delito, o que enfraquece a tese do efeito dissuasório do aumento de penas. Essa divergência de visões levanta um debate crucial sobre os caminhos mais eficazes para a segurança pública no país.
InfoMoney
O paradoxo do encarceramento em massa e o fortalecimento das facções
Um dos pontos centrais da crítica de Carolina Grillo reside no fato de que as propostas de ampliar o sistema penitenciário podem, paradoxalmente, fortalecer as organizações criminosas. Ela ressalta que facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital surgiram e se expandiram a partir do próprio ambiente carcerário.
Inicialmente, essas organizações se formaram como movimentos de reivindicação por melhores condições nos presídios. Contudo, evoluíram para controlar mercados ilegais, diversificar suas atividades e construir redes de proteção que sustentam a economia ilícita. O encarceramento em massa, ao reunir jovens vulneráveis com membros de facções, acaba por alimentar esse ciclo.
Grillo argumenta que a prisão é “criminogênica”, um conceito conhecido desde a institucionalização do sistema prisional. Pessoas detidas por crimes de menor potencial ofensivo, ou mesmo por equívoco, tornam-se presas fáceis para o aliciamento pelas facções, pois dependem delas para sobreviver dentro do sistema.
“Dobrar a aposta” em políticas falhas: A crítica à proposta de Flávio Bolsonaro
A pesquisadora classifica o plano de Flávio Bolsonaro como uma tentativa de “dobrar a aposta” em políticas de segurança pública que têm sido aplicadas há cerca de cinco décadas sem apresentar resultados satisfatórios. A insistência em prender mais, aumentar penas e endurecer o sistema, segundo ela, ignora a experiência acumulada e a falta de comprovação de sua eficácia na redução da criminalidade.
Grillo enfatiza que o fator mais relevante para a prevenção do crime não é a severidade da pena, mas sim a certeza de que haverá punição. No entanto, mesmo a certeza da punição tem limites quando se trata de jovens em extrema vulnerabilidade social.
Estes jovens, muitas vezes, aderem à criminalidade não por acreditarem na impunidade, mas por falta de oportunidades e proteção social. A criminalidade se apresenta como a única via de sobrevivência em um contexto de desamparo, e não por um cálculo racional de risco e recompensa.
Inteligência e descapitalização: O caminho alternativo para combater o crime organizado
Para combater efetivamente as facções criminosas, Carolina Grillo defende uma estratégia que vá além das operações policiais e da ampliação do sistema prisional. Ela propõe um foco maior em investigações de inteligência voltadas para as estruturas financeiras das organizações criminosas e suas conexões com a economia formal.
É fundamental identificar os elos estratégicos dessas organizações, atacar seus fluxos de recursos e os mercados que lhes garantem sustentabilidade. Essa abordagem visa descapitalizar o crime organizado, enfraquecendo sua capacidade de atuação e expansão.
A pesquisadora alerta que a insistência em respostas baseadas unicamente na repressão pode criar um ciclo vicioso que fortalece as próprias organizações criminosas. A violência como única resposta acaba por favorecer o crime organizado, e o controle democrático sobre o uso da força policial é, em si, uma ferramenta de combate a essas estruturas.
Conclusão Estratégica Financeira
A abordagem de segurança pública adotada por um país tem impactos econômicos diretos e indiretos. Políticas de repressão intensa e encarceramento em massa geram custos elevados para o Estado, desde a construção e manutenção de presídios até os gastos com o sistema judicial e policial. Esses custos podem desviar recursos de áreas essenciais como educação, saúde e desenvolvimento social, que são fatores importantes na prevenção da criminalidade a longo prazo.
Por outro lado, a ineficácia dessas políticas em reduzir a criminalidade organizada pode gerar um ambiente de insegurança que afeta negativamente os negócios. A instabilidade e a violência podem desencorajar investimentos, aumentar os custos operacionais para empresas (devido a medidas de segurança, roubos, extorsões) e impactar o valuation de ativos em setores mais expostos. A oportunidade reside em investir em setores que promovam a inclusão social e econômica, além de apoiar iniciativas de inteligência e combate à lavagem de dinheiro, que podem gerar retornos financeiros e sociais sustentáveis.
Para investidores e empresários, a reflexão é sobre o custo-benefício de cada abordagem. Políticas de segurança pública eficazes, que atacam as causas estruturais do crime e suas bases financeiras, podem gerar um ambiente de maior previsibilidade e segurança, favorável ao crescimento econômico. A tendência futura aponta para a necessidade de modelos de segurança mais integrados, que combinem inteligência, descapitalização do crime e políticas sociais robustas, em vez de se basearem unicamente em medidas punitivas que já demonstraram suas limitações.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
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