Cooperativa Agropecuária Supera Gigantes como Unilever e Nestlé em Ranking Inédito de Co-manufatura
Por décadas, a posse de fábricas próprias foi sinônimo de força e controle na indústria. No entanto, uma nova realidade emerge: a combinação de produção interna com redes terceirizadas de alta qualidade está redefinindo…

Copacol Lidera Ranking Inédito de Co-manufatura, Sinalizando Mudança Estratégica na Indústria de Alimentos e Bebidas
Por décadas, a posse de fábricas próprias foi sinônimo de força e controle na indústria. No entanto, uma nova realidade emerge: a combinação de produção interna com redes terceirizadas de alta qualidade está redefinindo o sucesso competitivo. Empresas que dominam a arte da co-manufatura, ou terceirização estratégica, ganham agilidade para responder às demandas mutáveis dos consumidores.
Nesse cenário de transformação, a cooperativa agroindustrial Copacol, do Paraná, desponta como líder em um ranking pioneiro. A empresa superou gigantes como Unilever e Nestlé, demonstrando o poder de uma gestão eficiente de parcerias industriais para impulsionar crescimento e inovação. Este resultado lança luz sobre uma mudança fundamental na lógica industrial do setor de bens de consumo.
O estudo CPG Leaders 100, conduzido pela GrowinCo, plataforma que conecta marcas a fabricantes e fornecedores, avaliou a capacidade das empresas brasileiras de alimentos e bebidas em utilizar a co-manufatura como motor de escala e inovação. A liderança da Copacol não apenas surpreende, mas também valida a tese de que a terceirização deixou de ser uma tática para se tornar uma ferramenta estratégica crucial.
A fonte principal desta análise é o portal InfoMoney.
CPG Leaders 100: O Novo Indicador de Sucesso na Indústria de Consumo
O ranking CPG Leaders 100, inédito no mercado brasileiro, analisou mais de 21 mil empresas e 168.992 lançamentos de produtos entre 1996 e 2026. O foco foi identificar quais organizações melhor transformam a co-manufatura em instrumento de crescimento. A metodologia avaliou 135 empresas elegíveis com base em três pilares: escala, inovação e network, atribuindo uma pontuação de 0 a 100.
A Copacol obteve 85,6 pontos, superando Unilever (82,2), JBS Brasil (80,2), Nestlé (79,8) e Mondelez (77,7). O estudo difere de métricas tradicionais como faturamento ou market share, ao focar na maturidade da terceirização, na construção de relações com parceiros e na aceleração de lançamentos e expansão de portfólio.
Raphael Traticoski, CEO da GrowinCo, explica que a plataforma nasceu da percepção de que a terceirização industrial se tornava cada vez mais estratégica. “18% de todos os produtos lançados em alimentos e bebidas já são feitos através de terceirização. Esse é um dado inédito”, afirma.
A Terceirização como Ferramenta Estratégica para Inovação e Agilidade
A crescente relevância da co-manufatura é impulsionada pela necessidade de as empresas responderem rapidamente às mudanças nas preferências dos consumidores, como a demanda por produtos funcionais e saudáveis. Adaptar fábricas próprias para cada nova necessidade pode ser lento e custoso.
Traticoski ressalta que a terceirização atende a dois problemas centrais: reduz a necessidade de investimentos pesados em ativos industriais e acelera a entrada em novas categorias. Um exemplo citado é o lançamento do YoPRO pela Danone, inicialmente terceirizado, permitindo à empresa entrar em uma nova categoria antes de investir na produção interna.
A liderança da Copacol, segundo Traticoski, surpreendeu a própria GrowinCo. “Conhecíamos o mercado de proteína. O que a empresa fez foi: uma vez que já tinha a logística congelada, começou a oferecer produtos congelados como ervilhas e legumes”, explica. Isso demonstra como a co-manufatura pode ser uma alavanca de expansão para grupos com escala industrial relevante.
Cooperativas e Marcas Asset-Light: Novos Protagonistas na Indústria
O ranking evidencia que cooperativas bem estruturadas, como a Copacol, podem competir em igualdade com multinacionais ao combinar produção própria com uma rede externa coordenada. “Governança e capacidade de coordenação importam tanto quanto tamanho”, destaca Traticoski.
Outras cooperativas, como a Aurora (11ª posição), também se destacam, mostrando a força desse modelo. Paralelamente, a terceirização se consolida como ferramenta para marcas asset-light ou nativas digitais, reduzindo barreiras de entrada. A Mais Mu (10ª colocação) liderou em inovação, e a Desinchá também figurou entre as 20 melhores.
A transformação é clara: competir hoje exige menos a posse de fábricas e mais a capacidade de construir e orquestrar redes de parceiros. Essa habilidade permite o surgimento de uma nova geração de marcas inovadoras e competitivas, como acredita o CEO da GrowinCo.
Desafios e Oportunidades no Amadurecimento do Mercado de Co-manufatura no Brasil
Apesar do avanço, o mercado brasileiro de co-manufatura ainda é considerado imaturo comparado aos EUA e Europa, onde a terceirização representa 50% do volume de vendas em alimentos e bebidas. Um dos gargalos no Brasil é a falta de fabricantes dedicados exclusivamente à produção para terceiros.
Geralmente, as indústrias brasileiras que terceirizam possuem suas próprias marcas e utilizam a capacidade ociosa. Mercados mais consolidados contam com indústrias 100% white label, o que impacta custo, especialização e qualidade. Essa carência dificulta o atendimento a grandes companhias com exigências elevadas de qualidade e compliance.
O amadurecimento desse ecossistema é crucial para resolver ineficiências na indústria brasileira, como a ociosidade fabril (25%, segundo a CNI) e altos custos logísticos. A concentração da produção em maior escala, com terceirizadores eficientes, pode gerar benefícios significativos, especialmente para quem desenvolve relacionamentos de longo prazo.
Conclusão Estratégica Financeira
A ascensão da co-manufatura representa um divisor de águas para a indústria de bens de consumo. Economicamente, a terceirização estratégica pode otimizar custos fixos e variáveis, liberando capital para investimentos em marketing, P&D e expansão de mercado. A capacidade de escalar produção rapidamente, sem a necessidade de investimentos massivos em infraestrutura fabril, reduz o risco financeiro e acelera o retorno sobre o investimento.
As oportunidades residem na flexibilidade e agilidade que essa modalidade oferece. Empresas podem testar novos mercados e categorias com menor risco, além de adaptar seu portfólio às tendências emergentes de forma mais eficaz. A principal oportunidade para gestores e empresários é repensar o modelo de negócios, focando na construção e gestão de redes de parceiros confiáveis e eficientes, em vez de apenas na propriedade de ativos físicos.
Para investidores, o cenário sugere uma reavaliação dos múltiplos de empresas que demonstram forte capacidade de orquestração de redes e agilidade em lançamentos, independentemente do tamanho de sua planta fabril. A tendência é que a co-manufatura ganhe ainda mais espaço, impulsionada pela necessidade de agilidade em um mercado dinâmico. Acredito que a capacidade de gerenciar uma rede de produção terceirizada de forma eficaz se tornará um diferencial competitivo tão ou mais importante do que a posse de fábricas, impactando positivamente margens, eficiência e valuation das empresas.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
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