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Mercado Financeiro

Chaco Paraguaio: A Nova Fronteira Agrícola Brasileira que Desafia Custos e Revoluciona Produção de Soja e Carne

As terras férteis do semiárido Chaco paraguaio estão se transformando rapidamente na nova fronteira agrícola da América do Sul, comparada por muitos investidores e produtores rurais ao Centro-Oeste brasileiro na década de 1970. Essa…

Por Publicado em 6 min de leitura

Chaco Paraguaio Surge como Eldorado Agrícola: Entenda Por Que Agricultores Brasileiros Estão Migrando para a Nova Fronteira Agrícola da América do Sul

As terras férteis do semiárido Chaco paraguaio estão se transformando rapidamente na nova fronteira agrícola da América do Sul, comparada por muitos investidores e produtores rurais ao Centro-Oeste brasileiro na década de 1970. Essa região, antes considerada de difícil exploração, agora atrai um fluxo crescente de agricultores e empresas de agronegócio brasileiros, seduzidos por custos de produção significativamente menores e terras mais acessíveis do que as encontradas em seu país de origem.

Esse movimento representa uma mudança geográfica para os chamados “Brasiguaios”, produtores brasileiros que historicamente se concentraram na região de Alto Paraná, no leste paraguaio. Agora, eles expandem suas operações para o norte escassamente povoado do país, onde solos de alta fertilidade e terras relativamente baratas abrem novas avenidas para a produção de soja, carne e algodão, commodities essenciais para a economia global.

Empresas de diversos setores do agronegócio, desde desenvolvedoras de terras como a BrasilAgro até fornecedoras de insumos como a Agrihold, passando por frigoríficos gigantes como JBS e Minerva, têm ampliado suas atividades no Paraguai na última década. Recentemente, empresas brasileiras de insumos biológicos, como Agrivalle e Genica, também ingressaram no promissor mercado paraguaio, sinalizando a consolidação da região como um polo de desenvolvimento agrícola.

Fonte: The AgriBiz é uma das fontes que acompanham de perto essa transformação, detalhando os fatores que impulsionam essa migração e as perspectivas futuras para o agronegócio paraguaio.

BrasilAgro: Visão de Longo Prazo na Fronteira do Chaco

A BrasilAgro, por exemplo, iniciou sua incursão no Paraguai em 2012, através de sua subsidiária local Palmeiras, sediada em Assunção. Julio Piza, ex-CEO da empresa durante a expansão, destacou que o investimento alinhou-se à estratégia da companhia de desenvolver novas fronteiras agrícolas. Ele comparou a situação inicial do Chaco com a do estado do Piauí, no Brasil, vinte anos antes, quando a empresa deu seus primeiros passos na região.

“Não havia um modelo de produção estabelecido. Tivemos que aprender tudo, desde a janela de plantio ideal até a logística de grãos”, relatou Piza. Eduardo Marrey, diretor comercial da BrasilAgro, confirmou o crescente interesse de produtores brasileiros em conhecer as operações da empresa no Paraguai. “Avaliamos o Paraguai a longo prazo, em vez de julgar anos de safra individuais. Há boas e difíceis, mas os retornos gerais têm sido positivos”, afirmou Marrey.

Diferentemente das ondas de investimento anteriores, concentradas em Alto Paraná, a expansão recente tem como foco principal o Chaco. A alta fertilidade natural do solo é um dos grandes atrativos, pois os fertilizantes representam cerca de 40% dos custos de produção da soja. Consequentemente, os custos de produção no Chaco são menos da metade dos observados no Brasil, segundo Marrey.

O Atrativo dos Baixos Custos e a Realidade da Produção

A BrasilAgro detém quase 60 mil hectares em sua fazenda Morotí, no departamento de Boquerón, com cerca de 20 mil hectares atualmente em cultivo. “No início, as pessoas achavam que éramos loucos. Depois, começaram a nos chamar de visionários”, relembrou Marrey. A empresa vendeu recentemente 921 hectares por US$ 1,5 milhão, o que equivale a aproximadamente US$ 3.062 por hectare.

O baixo preço das terras é, sem dúvida, um dos maiores chamarizes do Chaco. Daniel Meireles, sócio da consultoria Acres, informa que terras em Alto Paraná custam entre US$ 8.000 e US$ 15.000 por hectare, enquanto propriedades comparáveis no Chaco variam de US$ 300 a US$ 800 por hectare. “O que temos visto são investidores comprando terras no Chaco como uma reserva estratégica de longo prazo”, explicou Meireles.

As produtividades das lavouras também têm demonstrado melhorias. Um relatório recente da StoneX indicou que a produtividade de soja no Chaco atingiu 2,4 toneladas métricas por hectare em maio, superando expectativas anteriores. Em comparação, a produtividade média de soja no Brasil atingiu 3,7 toneladas métricas por hectare na safra 2025/26, segundo a Conab.

Inovações e Vantagens Competitivas no Chaco

A StoneX projeta que o Paraguai colherá 12,3 milhões de toneladas métricas de soja nesta temporada, incluindo 1,4 milhão de toneladas métricas da segunda safra. Uma vantagem competitiva notável é que, diferentemente do Brasil, o Paraguai não exige um período de pousio sanitário obrigatório entre as safras de soja para controle de pragas.

Isso permite que muitos agricultores plantem soja na segunda safra em vez de milho, buscando maiores retornos financeiros. “Estamos vendo uma produção total de soja de 7 a 8 toneladas métricas por hectare, combinando a safra de verão e a segunda safra”, disse Paulo Alves, CEO da Agrihold. A Agrihold opera no Paraguai desde 1990, inicialmente com assistência técnica e, posteriormente, expandindo para distribuição de insumos agrícolas.

Alves ressaltou que o uso de fertilizantes no Chaco varia entre 200 e 250 kg por hectare, bem abaixo dos 400 a 450 kg comumente aplicados em Mato Grosso, no Brasil, enquanto as produtividades podem atingir até 4 toneladas por hectare em condições favoráveis. Os custos totais de produção no Chaco equivalem a 25 a 30 sacas de soja por hectare, em comparação com 45 a 50 sacas em Mato Grosso.

Desafios Hídricos e Logísticos: Obstáculos a Serem Superados

Apesar do enorme potencial, o Chaco ainda enfrenta desafios significativos. A disponibilidade de água é uma limitação, pois as chuvas são relativamente escassas e as reservas de água subterrânea tendem a ser salinas, conforme Marrey. A infraestrutura logística também permanece subdesenvolvida, com o transporte de grãos dependendo de portos fluviais em Assunção e Concepción.

“Há importantes investimentos em infraestrutura em andamento, incluindo a Rota Bioceânica que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, e o trecho paraguaio já está bem avançado”, disse Marrey. Contudo, a capacidade de armazenamento de grãos ainda é limitada. Alguns desses gargalos logísticos são compensados pela crescente capacidade de processamento doméstico, incluindo frigoríficos e plantas de esmagamento de soja e processamento de algodão.

O JBS, por exemplo, anunciou um investimento de US$ 70 milhões em um complexo avícola no Paraguai, que processará 50 mil aves por dia. “Nossa estratégia é clara: diversificação geográfica, e nossos investimentos no Paraguai fazem parte dessa estratégia”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS. “A produção de grãos do país, combinada com políticas de atração de investimentos e desenvolvimento regional, torna o Paraguai altamente competitivo para nossas operações.”

Conclusão Estratégica Financeira: O Chaco como Vetor de Crescimento e Diversificação

A migração de produtores e empresas brasileiras para o Chaco paraguaio representa uma estratégia robusta de diversificação geográfica e otimização de custos. Os impactos econômicos diretos incluem a valorização das terras e o desenvolvimento de infraestrutura local, enquanto os indiretos se manifestam na geração de empregos e no aumento da arrecadação fiscal. A redução de custos de produção, especialmente em fertilizantes e terras, pode levar a margens de lucro mais elevadas e, consequentemente, a um aumento do valuation das operações.

Os riscos financeiros estão atrelados à volatilidade climática, à dependência de infraestrutura logística em desenvolvimento e às flutuações nos preços das commodities. No entanto, as oportunidades de adquirir terras a preços significativamente inferiores aos do Brasil, combinadas com a possibilidade de explorar o potencial de segunda safra sem restrições sanitárias, criam um cenário de alto potencial de retorno para investidores e empresários com visão de longo prazo.

A tendência futura é que o Chaco se consolide como um polo agrícola de relevância global, atraindo ainda mais investimentos e tecnologia. Acredito que, assim como o Centro-Oeste brasileiro se transformou nas décadas passadas, o Chaco paraguaio está posicionado para se tornar um dos principais centros de produção agrícola da América do Sul nas próximas duas décadas, exigindo, contudo, investimentos contínuos em infraestrutura e adaptação de variedades para as condições locais de água.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

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Quem escreveu

Vinícius Hoffmann Machado

Engenheiro com experiência corporativa em Operações, Logística, Planejamento e Finanças, atuando na conexão entre execução e estratégia. Especialista em otimização de custos, gestão orçamentária e integração entre processos produtivos e financeiros. Forte base analítica, com foco em indicadores, performance e tomada de decisão orientada por dados. Escreve sobre economia, finanças e eficiência empresarial, conectando teoria à prática do mundo real.

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