Méliuz (CASH3) Enfrenta Prejuízo Contábil com Bitcoin, Mas CEO Reforça Confiança na Estratégia e no Ativo Digital
O balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26) do Méliuz (CASH3) trouxe à tona um prejuízo contábil de R$ 76 milhões relacionado à sua alocação de caixa em Bitcoin (BTC). Apesar do montante, que impactou o lucro líquido em R$ 60,1 milhões, o CEO Gabriel Loures defende a estratégia e mantém a convicção no ativo digital, destacando o crescimento robusto do negócio principal da empresa.
Em entrevista exclusiva, Loures enfatizou que o foco está na geração de caixa operacional e em entregar valor aos investidores. Segundo ele, a estratégia de Bitcoin Yield, que visa gerar rendimentos adicionais sobre as reservas em BTC, é fundamental para a sustentabilidade e crescimento do negócio a longo prazo.
A volatilidade do Bitcoin tem sido um fator de atenção para empresas que alocam parte de suas reservas no ativo. No entanto, o Méliuz parece ter uma abordagem multifacetada, combinando a exposição ao BTC com uma estratégia de recompra de ações para diluir o impacto e, indiretamente, aumentar a exposição do acionista à criptomoeda.
A fonte principal desta notícia é: Crypto Times.
Estratégia de Bitcoin Yield e Recompra de Ações: Uma Dupla Aposta
O CEO Gabriel Loures detalhou a estratégia de Bitcoin Yield como um método para gerar “juros” sobre as reservas de Bitcoin, através de uma gestão ativa. “Quando eu estou crescendo, eu consigo gerar mais caixa para comprar mais Bitcoin”, explicou Loures, ressaltando que o resultado operacional é o motor para a aquisição de mais BTC ou ações.
Em cenários de estagnação ou queda de preços do Bitcoin, empresas como Méliuz e OranjeBTC (OBTC3) têm recorrido à recompra de ações. Essa tática reduz o denominador na relação de Bitcoins por ação, aumentando indiretamente a exposição do acionista ao ativo digital. Loures informou que o Méliuz gerou R$ 30 milhões em caixa nos últimos seis meses, evidenciando a força operacional da empresa.
O programa de recompra, em taxa anualizada, representou um Bitcoin Yield de 12,42%. Loures reiterou que a convicção no ativo digital permanece inalterada, apesar das flutuações de curto prazo que levaram a um impairment no 1T26, o qual já tende a ser parcialmente revertido com base nos valores atuais de mercado.
Volatilidade do Bitcoin e Reflexo nas Ações (CASH3)
A relação entre a volatilidade do Bitcoin e o desempenho das ações do Méliuz (CASH3) foi outro ponto abordado pelo CEO. Loures observou que, embora o preço do Bitcoin seja visível em tempo real e as ações reflitam esse movimento, a correlação não é direta. “Se você fizer um gráfico de correlação com o BTC, o CASH3 cresce mais rápido que o preço do Bitcoin e cai mais devagar com a queda do ativo”, afirmou.
Essa dinâmica, segundo Loures, é explicada pelo fato de o Méliuz não ser uma empresa unicamente focada em Bitcoin, mas sim possuir um negócio operacional lucrativo e independente da criptomoeda. A força do core business confere resiliência à companhia diante das oscilações do mercado de criptoativos.
Resultados Operacionais do Méliuz no 1T26: Receita e Ebitda em Alta
O balanço do 1T26 apresentou números expressivos para o negócio principal do Méliuz. As receitas atingiram um recorde de R$ 118,2 milhões para o primeiro trimestre, um crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse avanço foi impulsionado, em grande parte, pelo segmento de Shopping Brasil, que registrou uma expansão de 31%.
O Ebitda ajustado consolidado também alcançou um recorde trimestral, totalizando R$ 30,1 milhões, com um aumento expressivo de 74% na comparação anual. Nos últimos 12 meses, até o fechamento do 1T26, o Ebitda acumulado superou a marca de R$ 100 milhões, reforçando a saúde financeira da operação.
A adoção de Inteligência Artificial (IA) nos negócios foi apontada como um dos principais impulsionadores desses resultados. “A estratégia continua sendo muito consistente, mas estamos fazendo duas vezes mais rápido. Estamos codando duas vezes mais rápido do que no passado”, comentou o CEO, comparando o impacto da IA a “adicionar diesel de aviação nos negócios”.
Análise do UBS BB e Valuation do Méliuz
Recentemente, o UBS BB divulgou um relatório atualizando suas estimativas para o Méliuz, apontando uma melhora operacional estrutural na empresa. Os analistas do banco projetam que o core business do Méliuz opera com uma relação EV/Ebitda de 1,3x, o que se traduz em um múltiplo P/L de 3,7x para 2026 e 2027. Esses números estão alinhados com o EV/Ebitda registrado pelo Méliuz no balanço, de 1,35x.
Conclusão Estratégica Financeira
O prejuízo contábil com Bitcoin no 1T26 do Méliuz, embora significativo, deve ser analisado dentro de um contexto estratégico mais amplo. A empresa demonstra uma forte geração de caixa operacional, impulsionada pela tecnologia e IA, o que lhe confere resiliência e capacidade de investimento. A estratégia de Bitcoin Yield, combinada com a recompra de ações, busca otimizar o retorno para os acionistas, mesmo em mercados voláteis.
Os riscos financeiros residem na volatilidade inerente ao Bitcoin e na execução da estratégia operacional. Por outro lado, as oportunidades incluem a consolidação do core business, a expansão impulsionada por IA e a potencial valorização do Bitcoin a longo prazo. O valuation, segundo o UBS BB, sugere que o mercado pode estar subestimando o potencial de crescimento e lucratividade do Méliuz.
Para investidores, a leitura do cenário indica a importância de diversificar e entender a tese de investimento de cada ativo. O Méliuz apresenta um modelo híbrido que combina o potencial de crescimento de uma fintech com a exposição a um ativo digital de alta volatilidade. A tendência futura aponta para a consolidação da estratégia de IA e a busca contínua por otimização do retorno sobre o caixa alocado, seja em ativos digitais ou na própria empresa através da recompra de ações.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
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