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Mercado Financeiro

BrasilAgro Sinaliza Retorno às Vendas de Terras em 2027 Após Ano de Jejum e Anuncia Estratégia para Safra 2026/27

Após um ano fiscal sem movimentar seu portfólio de terras, a BrasilAgro, tradicional player no mercado imobiliário rural, sinaliza um retorno às operações de venda em 2027. A decisão vem após um período de…

Por Publicado em 5 min de leitura

BrasilAgro Retoma Vendas de Terras em 2027: O Que Isso Significa Para o Mercado Agrícola Brasileiro?

Após um ano fiscal sem movimentar seu portfólio de terras, a BrasilAgro, tradicional player no mercado imobiliário rural, sinaliza um retorno às operações de venda em 2027. A decisão vem após um período de cautela, impulsionado por um cenário desafiador na agricultura, especialmente no segmento de grãos. A companhia, que já movimentou mais de R$ 2 bilhões em fazendas nos últimos cinco anos, busca agora novas oportunidades, equilibrando a estratégia de desinvestimento com a de aquisição em um mercado em reajuste.

O CEO da BrasilAgro, André Guillaumon, destacou que a estratégia de vendas será mais seletiva, priorizando oportunidades em meio ao “stress do mercado”. Essa abordagem visa capitalizar a diversificação geográfica da empresa, que possui ativos em diferentes regiões do Brasil e no Paraguai, permitindo a identificação de “bolsões” de liquidez mesmo em um cenário de aperto financeiro para muitos produtores rurais. A queda nos preços de terras em algumas localidades, como no Mato Grosso, contrasta com regiões onde a liquidez se mantém mais estável.

O ano fiscal de 2026 foi marcado pela ausência de vendas de terras, um fato inédito na trajetória da empresa. Essa pausa, embora tenha impactado o balanço financeiro, foi uma resposta a um ambiente de negócios mais instável. Guillaumon avalia que o pior momento de recuperações judiciais no setor já passou, abrindo caminho para uma retomada mais consistente das atividades, embora a companhia não projete um volume de vendas similar ao de anos anteriores, preferindo focar em oportunidades pontuais e estratégicas.

BrasilAgro

Impacto no Balanço e Cenário de Mercado

O balanço financeiro da BrasilAgro referente ao ano-safra 2025/26 refletiu a ausência de vendas de terras. A receita apresentou uma queda de 20%, enquanto o Ebitda ajustado despencou 63%, atingindo R$ 99 milhões. Esse resultado foi influenciado por uma redução de R$ 180 milhões em relação a vendas de terras realizadas no ano anterior. A companhia registrou um prejuízo de R$ 90 milhões, revertendo o lucro de R$ 138 milhões obtido no ano anterior. O CFO Gustavo Javier Lopez explicou que o Ebitda usualmente gira entre R$ 150 milhões e R$ 160 milhões.

Além da suspensão nas vendas de terras, um percalço na operação de cana-de-açúcar também contribuiu para a queda do Ebitda. Um atraso nas vendas de cana para usinas sucroalcooleiras, devido ao ritmo mais lento de processamento e aos preços deprimidos do açúcar e etanol, somado a perdas de produção por geada, resultou em uma redução de R$ 60 milhões no indicador. No entanto, a perspectiva de El Niño no final de 2026 não preocupa a empresa, dada a sua menor exposição a São Paulo e o foco em regiões como Mato Grosso, Goiás e Maranhão.

Estratégia para a Safra de Soja 2026/27

Olhando para a safra 2026/27, a BrasilAgro projeta uma produtividade de soja similar à do ciclo anterior. A estratégia envolve a otimização do plantio, com a saída de algumas áreas marginais e a manutenção da adubação em terras mais produtivas. A companhia se antecipou na compra de insumos essenciais, como o MAP (Monoamônio Fosfato) e o cloreto de potássio. O MAP foi adquirido a cerca de US$ 580 por tonelada, valor significativamente inferior aos atuais US$ 840, com um aumento de custo total de apenas 2%.

No cloreto de potássio, a aquisição antecipada garantiu preços médios entre US$ 310 e US$ 340 por tonelada, comparado aos atuais US$ 385 por tonelada. Essa gestão de custos de insumos é crucial para a rentabilidade da safra. A empresa optou por manter a adubação em áreas menos desenvolvidas e reduzir em áreas mais maduras, onde a produtividade pode ser mantida com menor aplicação. Guillaumon ressalta que a redução na aplicação de fosfatados em terras com histórico de adubação prolongada, como no Paraná, pode não afetar a produtividade, mas em regiões como o Matopiba, uma redução pode impactar diretamente a colheita.

Perspectivas de Recuperação do Setor Agrícola

André Guillaumon expressou otimismo em relação à recuperação do setor agrícola, citando dados do Banco Central que indicam uma redução de 46% no número de recuperações judiciais nos primeiros seis meses do ano em comparação com o período anterior. Embora reconheça que os desafios persistem, ele acredita que a “onda maior” de dificuldades financeiras no agronegócio já passou. Essa percepção de melhora gradual no ambiente de negócios é um dos fatores que sustentam a decisão da BrasilAgro de voltar a operar no mercado de vendas de terras.

A diversificação geográfica dos ativos da BrasilAgro é apontada como um diferencial estratégico para navegar em um mercado volátil. A empresa possui propriedades em estados como Mato Grosso, Maranhão, Piauí e Bahia, além de atuação no Paraguai. Essa distribuição permite mitigar riscos regionais e identificar oportunidades de negócio em diferentes contextos de liquidez e produtividade. Por exemplo, enquanto no Mato Grosso os preços podem chegar a 1.200 sacas de soja por hectare, em algumas regiões do Maranhão esse valor pode cair para 300 a 400 sacas, demonstrando a heterogeneidade do mercado.

Conclusão Estratégica Financeira

O retorno da BrasilAgro às vendas de terras em 2027 representa um movimento estratégico que pode gerar impactos positivos na receita e no fluxo de caixa da companhia, especialmente se as vendas forem realizadas em condições de mercado favoráveis. A cautela na seleção de ativos e a busca por oportunidades em meio à volatilidade do mercado agrícola sugerem uma gestão financeira prudente, visando maximizar retornos e mitigar riscos. Para investidores, essa retomada pode indicar uma melhora no cenário macroeconômico do agronegócio e um reequilíbrio nas avaliações de ativos rurais.

A estratégia de gestão de insumos para a safra 2026/27, com foco em compras antecipadas e otimização da adubação, demonstra um esforço para proteger as margens de lucro em um ambiente de custos flutuantes. O sucesso dessa estratégia, combinado com a potencial venda de ativos, pode levar a uma melhora na lucratividade e, consequentemente, na valuation da empresa. A capacidade da BrasilAgro de capitalizar a diversificação de seus ativos e de se adaptar às condições de mercado será fundamental para o seu desempenho futuro.

A leitura do cenário atual sugere que o pior para o setor agrícola pode ter ficado para trás, abrindo espaço para uma recuperação gradual. A BrasilAgro, ao planejar o retorno às vendas de terras, posiciona-se para aproveitar essa retomada, mantendo um olhar atento às oportunidades de aquisição que possam surgir em um mercado ainda em processo de ajuste. A tendência futura aponta para um mercado imobiliário rural mais seletivo, onde a gestão eficiente de portfólio e a capacidade de negociação serão diferenciais competitivos.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

E você, o que pensa sobre a estratégia da BrasilAgro? Acredita que o mercado de terras agrícolas voltará a aquecer em 2027? Deixe sua opinião nos comentários!

Quem escreveu

Vinícius Hoffmann Machado

Engenheiro com sólida carreira corporativa em operações, planejamento e finanças — onde a estratégia vira número e o número vira decisão. No Eruption Global, traduz essa visão analítica em artigos sobre economia, mercado e decisões financeiras.

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