BMG Reduz Operações de Carne Bovina no Brasil em Busca de Eficiência e Redução de Custos
A BMG, braço brasileiro do grupo paraguaio Concepción, anunciou uma reestruturação significativa em suas operações de carne bovina no Brasil. A medida visa combater a deterioração das margens e a alta do custo do boi gordo, fatores que têm pressionado o setor frigorífico nacional, especialmente os players focados no mercado doméstico.
Após um período de crescimento acelerado, com faturamento atingindo R$ 6,5 bilhões no ano passado, a empresa decidiu frear a expansão para otimizar sua estrutura. A estratégia inclui a devolução de cinco frigoríficos arrendados ou com contratos de exclusividade de serviços, buscando reduzir a necessidade de capital de giro, que se tornou um ponto sensível em um cenário de juros elevados.
O diretor financeiro da BMG, Willer Giordano, explicou que o objetivo é tornar as operações brasileiras mais eficientes e menos dispendiosas, melhorando a utilização da capacidade dos frigoríficos próprios. Essa reorganização reflete a busca por maior resiliência em um ambiente de negócios volátil.
Devolução de Frigoríficos e Otimização da Capacidade Instalada
Como parte da reestruturação, a BMG devolveu o abatedouro de bovinos de Juruena (MT) e Nioaque (MS), ambos arrendados. No final do ano passado, a empresa já havia encerrado contratos de prestação de serviços com três frigoríficos em Rondônia (duas plantas em Ji-Paraná e uma em Rolim de Moura) e devolveu a unidade de Paiçandu (PR). Adicionalmente, o frigorífico de Presidente Venceslau (SP), também arrendado, será devolvido, totalizando seis plantas.
Com essas devoluções, a operação de bovinos da BMG passa a contar com dois frigoríficos próprios: Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) e Cacoal (RO), além de duas plantas arrendadas em Colorado (PR) e Tarauacá (AC). Essa redução visa aprimorar a eficiência operacional e a utilização da capacidade instalada.
No ano passado, a BMG abateu em média 70 mil cabeças de gado por mês, com uma capacidade prévia de 120 mil animais, indicando uma ociosidade significativa. Com a nova configuração, os abates mensais devem se aproximar de 50 mil cabeças, com a meta de atingir 80% de utilização da capacidade.
Impacto Financeiro e Gestão de Dívidas com Pecuáristas
A redução do quadro de funcionários no Brasil, de quase 6 mil para aproximadamente 2,5 mil, e a devolução dos frigoríficos resultaram em uma diminuição de cerca de 40% na necessidade de capital de giro. Essa medida alivia o custo financeiro da empresa, que anteriormente dependia de funding de FIDCs com taxas elevadas (CDI+8% ao ano).
A BMG também está fortalecendo sua relação com o mercado bancário, acessando linhas de crédito de instituições como Caixa Econômica Federal, Rabobank e Bradesco. A companhia planeja explorar o mercado de capitais, com planos de emitir um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) de até R$ 100 milhões, com a assessoria do banco de investimentos Genial.
Em relação aos pecuaristas com valores a receber dos frigoríficos devolvidos, a BMG assegura que a situação será equacionada com o fluxo de receita das exportações dessas mesmas plantas, referentes a contratos anteriores. O compromisso é quitar os débitos em parcelas semanais até maio.
Diversificação com Carne Suína e Expansão no Paraguai
Enquanto a operação de carne bovina passa por ajustes, o segmento de carne suína se mostra um ponto forte para a BMG. No Brasil, a empresa possui uma granja e dois abatedouros verticalizados em Iporã (PR) e Grão Pará (SC), com margens de cerca de 18%, que ajudam a compensar as margens mais apertadas da carne bovina.
O negócio de carne suína também está em expansão no Paraguai, sede do grupo Concepción. A empresa inaugurará em 28 de abril a Incka Foods, um frigorífico com capacidade para abater 2,5 mil suínos por dia. O grupo investiu cerca de US$ 360 milhões em carne suína entre Brasil e Paraguai, o que impactou o caixa e a alavancagem, mas com expectativa de retorno financeiro.
A operação consolidada do grupo Concepción (Brasil, Paraguai e Bolívia) encerrou o ano passado com uma dívida de aproximadamente US$ 800 milhões, sendo US$ 244 milhões com vencimento no curto prazo. A empresa busca reduzir o passivo de curto prazo para menos de US$ 100 milhões e gerar caixa para diminuir a alavancagem, que ficou em 3,9 vezes em 2025.
Conclusão Estratégica Financeira
A reestruturação da BMG no Brasil, com a devolução de frigoríficos e foco na eficiência, reflete uma resposta pragmática aos desafios impostos pelo alto custo do boi gordo e a pressão sobre as margens. A redução do capital de giro e a busca por melhores condições de financiamento, incluindo o acesso ao mercado de capitais, são passos cruciais para a sustentabilidade financeira da companhia.
A diversificação com o negócio de carne suína, especialmente com a expansão no Paraguai, representa uma oportunidade de mitigar os riscos associados à operação bovina no Brasil e equilibrar a rentabilidade do grupo. A gestão da dívida e a geração de caixa são fundamentais para que o Concepción possa renegociar seus passivos de longo prazo e se posicionar de forma mais sólida no mercado internacional.
Para investidores e gestores do agronegócio, a estratégia da BMG evidencia a importância da flexibilidade operacional e da gestão de custos em um setor cíclico. A capacidade de adaptação a cenários adversos e a busca por fontes de receita mais estáveis, como a carne suína verticalizada, são fatores determinantes para a resiliência e o crescimento futuro.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
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