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Mercado Financeiro

AGBI Investe R$ 90 Milhões em Fazenda em Mato Grosso para Recuperar Pastagens e Ampliar Produtividade Agrícola

Por Vinícius Hoffmann Machado02 jul 20266 min de leitura
AGBI Investe R$ 90 Milhões em Fazenda em Mato Grosso para Recuperar Pastagens e Ampliar Produtividade Agrícola

Resumo

AGBI Inicia Investimentos do Farmland Fund IV com Aquisição Estratégica de Fazenda em Mato Grosso por R$ 90 Milhões

A AGBI, gestora especializada em terras e recuperação de pastagens degradadas, deu um passo significativo em sua estratégia de investimento ao adquirir a fazenda Rincão Alegre, localizada em Gaúcha do Norte, Mato Grosso. O investimento de R$ 90 milhões marca a estreia do quarto fundo da gestora, o Farmland Fund IV, que tem como tese central a transformação de áreas improdutivas em ativos de alta performance.

A transação, que será paga em duas parcelas, sendo metade agora e o restante na próxima colheita, reflete a confiança da AGBI no potencial de valorização e produtividade do agronegócio brasileiro. A fazenda, com 7,8 mil hectares de área total, apresenta um cenário promissor para a aplicação das estratégias da gestora, que vão desde o aumento da produtividade em áreas já cultivadas até a conversão de pastagens em lavouras e projetos de sustentabilidade.

A aquisição da Rincão Alegre não é apenas um investimento financeiro, mas uma aposta na revitalização de terras e na diversificação de atividades agrícolas. A AGBI planeja implementar um modelo de gestão que integra lavoura, pecuária e projetos de carbono, buscando maximizar o retorno e promover práticas sustentáveis. A operação também abre caminho para uma possível reestruturação da propriedade, com a separação de matrículas para otimizar a venda de partes já produtivas.

The AgriBiz foi o veículo que trouxe os detalhes desta operação para o público.

Detalhes da Aquisição e Potencial de Valorização da Fazenda Rincão Alegre

A fazenda Rincão Alegre possui atualmente 1.450 hectares dedicados ao plantio de soja, milho e algodão. A AGBI pretende aumentar a produtividade dessas culturas existentes, mas seu plano vai além. Há um potencial identificado para a conversão de mais de 2,4 mil hectares de pastagens degradadas, onde a gestora estuda a implementação de sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), projetos de créditos de carbono e a expansão da área de cultivo de grãos.

A expectativa é que, nas próximas duas a três safras, a área útil da propriedade alcance 3,2 mil hectares, englobando lavouras, integração lavoura-pecuária e iniciativas de captura de carbono. Mário Lewandowski, diretor de novos negócios da AGBI, destacou que a gestora acompanha a região de Gaúcha do Norte há cinco anos, buscando a oportunidade ideal para este investimento. O valor pago por hectare, R$ 11,4 mil, representou um desconto de 60% em relação ao preço de mercado da região, segundo Lewandowski.

Farmland Fund IV: Tese de Investimento e Recuperação de Áreas Degradadas

O Farmland Fund IV, um Fiagro, foi lançado em março deste ano e tem como objetivo principal a aquisição e recuperação de terras degradadas. A estratégia da AGBI é flexível quanto ao uso futuro das áreas recuperadas, que podem ser destinadas à agricultura, silvicultura ou até mesmo a projetos de biomassa. Essa abordagem holística permite adaptar o investimento às melhores oportunidades de mercado e às demandas por práticas sustentáveis.

Gustavo Fonseca, sócio da AGBI, ressaltou o potencial de valorização da fazenda, parte dela já em desenvolvimento de pecuária extensiva. A recuperação das áreas degradadas é vista como um fator chave para o aumento do valor patrimonial da propriedade ao longo do tempo. A AGBI está avaliando a possibilidade de desmembrar a fazenda em duas matrículas, o que permitiria vender a área já operacional a preços mais vantajosos, mantendo a parte em reestruturação para desenvolvimento futuro.

Histórico de Sucesso da AGBI e Estrutura do Novo Fundo

Desde 2013, a AGBI já captou e geriu três fundos anteriores com resultados expressivos. O primeiro fundo, um club deal, levantou R$ 30 milhões e as fazendas adquiridas foram vendidas por R$ 310 milhões em 2021. O segundo fundo, com captação entre 2016 e 2017, levantou R$ 40 milhões e as propriedades foram vendidas em 2022. O terceiro fundo captou R$ 125 milhões e as fazendas hoje valem cerca de R$ 250 milhões, segundo Lewandowski, mesmo em um cenário de mercado desafiador.

O Farmland Fund IV é o primeiro fundo da AGBI em co-gestão com a Tivio Capital, gestora pertencente ao Bradesco. O regulamento do fundo prevê um ciclo de cinco anos para investimento e cinco anos para desinvestimento, com uma meta de retorno anual de 20% para os investidores da primeira tranche. O passivo do fundo é composto majoritariamente por single family offices e multifamily offices brasileiros.

Conclusão Estratégica Financeira

A aquisição da fazenda Rincão Alegre pela AGBI representa um movimento estratégico com potencial de gerar impactos econômicos significativos, tanto na região de Mato Grosso quanto para os investidores do Farmland Fund IV. A tese de investimento, focada na recuperação de pastagens degradadas e na diversificação produtiva, alinha-se às tendências globais de sustentabilidade e à crescente demanda por alimentos e bioinsumos. O desconto significativo obtido no preço de aquisição por hectare indica uma oportunidade de arbitragem e valorização substancial.

Os riscos inerentes a este tipo de investimento incluem as flutuações do mercado de commodities agrícolas, questões climáticas e a eficiência na execução dos planos de recuperação e desenvolvimento das áreas. No entanto, a AGBI demonstra um histórico sólido de sucesso em seus fundos anteriores, mitigando parcialmente esses riscos. A estratégia de desmembramento da propriedade e a adoção de modelos de gestão flexíveis e holísticos podem otimizar o valuation e a rentabilidade.

Para investidores, empresários e gestores, este caso ilustra a importância de identificar e capitalizar oportunidades em ativos com potencial de reestruturação e valorização, especialmente no setor do agronegócio, que continua a ser um pilar da economia brasileira. A AGBI, com sua expertise em recuperação de terras e sua abordagem inovadora, posiciona-se favoravelmente em um cenário que demanda cada vez mais eficiência e sustentabilidade.

Minha leitura do cenário é que a tendência de investimentos em terras com potencial de recuperação e projetos de carbono tende a crescer, impulsionada pela busca por retornos atrativos e pela crescente pressão por práticas ESG. O futuro provável aponta para uma maior sofisticação nas estratégias de gestão de ativos rurais, com maior integração entre produção agrícola tradicional e novas frentes de negócio, como a bioeconomia e os mercados de crédito de carbono.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

O que você pensa sobre essa estratégia de investimento em terras? Deixe sua opinião, dúvida ou crítica nos comentários abaixo!

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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