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Mercado Financeiro

Ações de ‘bancão’ gringo: Por que o Bank of America pode ser um porto seguro em vez de criptoativos?

As bolsas de valores americanas, como a Nasdaq e a NYSE, abrigam empresas que definem o futuro da tecnologia e das finanças. Intelligência artificial e criptoativos, representados por gigantes como a Coinbase, têm impulsionado…

Por Publicado em 6 min de leitura

Aposta em Gigantes Tradicionais: Bank of America (BOAC34) Substitui Coinbase (C2OI34) na Carteira de Ações Internacionais da Empiricus

As bolsas de valores americanas, como a Nasdaq e a NYSE, abrigam empresas que definem o futuro da tecnologia e das finanças. Intelligência artificial e criptoativos, representados por gigantes como a Coinbase, têm impulsionado índices a máximas históricas. Contudo, em um movimento surpreendente, a Empiricus Research optou por trocar a Coinbase pela tradicional instituição financeira Bank of America (BDR: BOAC34) em sua carteira de Ações Internacionais.

Essa decisão levanta a questão: em um cenário de alta tecnologia e inovações disruptivas, por que um investidor escolheria uma instituição financeira centenária em detrimento de um ativo ligado ao futuro do dinheiro? A análise detalhada da Empiricus aponta para fundamentos sólidos e oportunidades estratégicas no Bank of America que justificam essa aposta.

A troca, efetivada na última segunda-feira (13), representa uma mudança de foco para empresas com modelos de negócios comprovados e resiliência em diferentes cenários econômicos. A análise a seguir explora os pilares que sustentam essa decisão e os riscos associados ao mercado de criptoativos.

A escolha da Empiricus Research para a carteira de Ações Internacionais foi detalhada em um relatório especial, onde o analista Matheus Spiess apresentou os três principais motivos para a inclusão do Bank of America e a saída da Coinbase.

Empiricus Research

1. O Legado da Pandemia e a Oportunidade em Renda Fixa

Durante a pandemia de COVID-19, entre 2020 e o início de 2022, o Federal Reserve (Fed) manteve as taxas de juros próximas a zero para estimular a economia. Títulos de renda fixa emitidos nesse período, com baixos rendimentos, ainda impactam os resultados de instituições como o Bank of America.

No entanto, com a elevação das taxas de juros, à medida que esses títulos de menor rendimento vencem e são substituídos por novos investimentos com taxas mais atrativas, a tendência é de uma melhora significativa na margem financeira do banco. Isso se traduzirá em maior contribuição para os resultados da companhia.

Essa dinâmica representa uma oportunidade de valorização para o Bank of America, pois o banco se beneficia diretamente do novo cenário de juros mais altos, algo que pode não ser tão direto para empresas de tecnologia em estágio inicial ou dependentes de capital de risco.

2. A Força Crescente do Wealth Management

O segmento de Wealth Management (Gestão de Patrimônio e Investimentos) do Bank of America tem demonstrado um crescimento robusto, impulsionado pela crescente demanda por serviços de gestão de patrimônio e consultoria de investimentos.

A expansão dessa área diversifica o modelo de negócios do banco, reduzindo sua dependência de atividades mais voláteis e sensíveis aos ciclos econômicos. Isso confere maior estabilidade e previsibilidade aos seus resultados.

A capacidade de atrair e reter clientes de alta renda, oferecendo soluções financeiras personalizadas, é um diferencial competitivo que fortalece a posição do Bank of America no mercado financeiro global.

3. Solidez Comprovada pelos Testes de Estresse do Fed

Anualmente, o Federal Reserve submete os grandes bancos americanos a rigorosos testes de estresse. Esses testes avaliam a capacidade das instituições financeiras de suportar perdas em cenários econômicos adversos e de manter a solvência.

O Bank of America foi aprovado em seu último teste, o que atesta a solidez de seu capital e sua resiliência em face de crises financeiras severas. Essa aprovação não apenas reforça a confiança na instituição, mas também pode abrir caminho para uma maior distribuição de capital aos acionistas, seja por meio de dividendos ou programas de recompra de ações.

Essa robustez operacional e financeira é um fator crucial para investidores que buscam segurança e estabilidade em seus portfólios, especialmente em tempos de incertezas macroeconômicas.

Oportunidade de Valorização em Múltiplos Atrativos

Um ponto adicional que chama a atenção é que o Bank of America continua sendo negociado a múltiplos inferiores aos de seus concorrentes diretos, mesmo com a melhora em sua rentabilidade. Atualmente, o banco negocia a 1,5 vez seu valor patrimonial, enquanto a média de seus pares gira em torno de 2,2 vezes.

Essa diferença representa um desconto nas ações do Bank of America, sugerindo que o mercado ainda não precificou totalmente a recuperação e os fundamentos sólidos da instituição. Para o investidor, isso se traduz em uma oportunidade de adquirir um ativo de qualidade a um preço potencialmente subvalorizado.

Em contraste, o mercado de criptoativos, onde opera a Coinbase, tem sido mais afetado pela aversão ao risco global, juros elevados nos EUA e tensões geopolíticas, como o conflito no Oriente Médio.

Por Que a Coinbase Saiu da Carteira?

A Coinbase, apesar de seus esforços em desenvolver novos produtos e reduzir a dependência da comercialização direta de criptomoedas, ainda tem a maior parte de seu faturamento proveniente desse segmento. O mercado de criptoativos, por sua natureza, é mais volátil e sensível a fatores macroeconômicos e regulatórios.

A aversão ao risco generalizada nos últimos meses impactou negativamente o setor de criptoativos, tornando a Coinbase mais vulnerável a choques de mercado. Nesse contexto, a análise da Empiricus indicou que existem ativos com uma relação risco-retorno mais atrativa no cenário atual, como o Bank of America.

A busca por empresas capazes de converter crescimento estrutural em retorno econômico visível é um fator chave. Enquanto muitas teses de tecnologia, especialmente as ligadas à inteligência artificial, ainda enfrentam incertezas sobre a monetização e o tempo para retorno de investimentos expressivos em capital expenditure (capex), o Bank of America apresenta um modelo de negócios mais maduro e com geração de caixa mais previsível.

Conclusão Estratégica Financeira: Estabilidade e Valor em um Cenário Dinâmico

A troca de Coinbase por Bank of America na carteira da Empiricus reflete uma estratégia de buscar estabilidade e valor em meio a um cenário econômico global complexo. O Bank of America, como um gigante financeiro tradicional, oferece resiliência, diversificação de receitas e múltiplos de avaliação atrativos.

Os impactos econômicos diretos dessa decisão para a carteira incluem a potencial redução da volatilidade e um foco em empresas com fundamentos sólidos e capacidade de gerar fluxo de caixa consistente. As oportunidades residem na valorização de ações de empresas bancárias robustas, que se beneficiam do ciclo de juros mais altos e do crescimento em áreas como gestão de patrimônio.

Os riscos associados à Coinbase, por outro lado, estão ligados à volatilidade inerente ao mercado de criptoativos e à sua dependência de um setor ainda em maturação e sujeito a regulações incertas. Para o Bank of America, os riscos incluem a possibilidade de desaceleração econômica global que afete o crédito e os mercados financeiros, mas sua solidez e diversificação mitigam parte dessas preocupações.

A tendência futura aponta para um mercado que valoriza a previsibilidade e a capacidade de geração de valor sustentável. Em minha avaliação, a escolha do Bank of America sinaliza uma aposta em ativos que combinam solidez histórica com adaptação às novas realidades financeiras, oferecendo um porto seguro em comparação com a incerteza de setores emergentes de alto risco.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

O que você pensa sobre essa mudança na carteira da Empiricus? Acredita que o Bank of America é uma aposta mais segura que a Coinbase no cenário atual? Deixe sua opinião nos comentários!

Quem escreveu

Vinícius Hoffmann Machado

Engenheiro com sólida carreira corporativa em operações, planejamento e finanças — onde a estratégia vira número e o número vira decisão. No Eruption Global, traduz essa visão analítica em artigos sobre economia, mercado e decisões financeiras.

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