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Mercado Financeiro

Acelen Renováveis: Palma Nativa Brasileira Promete Revolucionar Custo do Combustível de Aviação Sustentável

A Acelen Renováveis, empresa com apoio do fundo soberano Mubadala, está traçando um caminho ambicioso para tornar o Combustível de Aviação Sustentável (SAF) uma alternativa economicamente viável ao querosene de aviação convencional. A chave…

Por Publicado em 5 min de leitura

Aposta Estratégica na Macaúba: Combustível de Aviação Sustentável Mais Acessível e com Potencial Ambiental Superior

A Acelen Renováveis, empresa com apoio do fundo soberano Mubadala, está traçando um caminho ambicioso para tornar o Combustível de Aviação Sustentável (SAF) uma alternativa economicamente viável ao querosene de aviação convencional. A chave para essa revolução está em uma palmeira nativa do Brasil: a macaúba, conhecida por sua alta produtividade de óleo e resiliência.

O projeto visa construir uma cadeia de suprimentos integrada em torno da macaúba, com o objetivo de posicionar o Brasil como um dos principais fornecedores globais deste combustível de baixo carbono. A iniciativa não só promete reduzir custos, mas também oferece benefícios ambientais significativos, como o cultivo em terras degradadas e a captura de carbono.

Com a crescente demanda por soluções de descarbonização na aviação, impulsionada por legislações nacionais e metas globais, o projeto da Acelen Renováveis surge como uma resposta promissora a um dos maiores desafios do setor: a economia do SAF.

The AgriBiz

Biorefinaria em Bahia e a Potência da Macaúba

A Acelen Renováveis planeja erguer uma biorefinaria em São Francisco do Conde, na Bahia, próxima à refinaria Mataripe. A unidade terá capacidade para produzir até 1 bilhão de litros anuais de SAF ou de óleo vegetal hidrotratado (HVO), um diesel renovável quimicamente idêntico ao diesel fóssil. A escolha da macaúba não é aleatória: sua produtividade de óleo por hectare é estimada em cerca de 10 vezes superior à da soja.

A macaúba, adaptada a diversos biomas brasileiros, destaca-se pela sua resiliência, especialmente em regiões semiáridas. Apesar de estudada por décadas, seu potencial comercial só agora começa a ser explorado em larga escala pela Acelen.

A legislação brasileira já estabelece metas para o uso de SAF por companhias aéreas, iniciando com 1% em 2027 e aumentando gradualmente. Globalmente, a meta é de 10% de SAF até 2030 e emissões líquidas zero até 2050.

Superando o Desafio Econômico do SAF

O principal obstáculo para a adoção em massa do SAF é seu custo, que atualmente pode ser até três vezes superior ao do combustível de aviação convencional. Victor Barra, Diretor de Agronegócios da Acelen Renováveis, ressalta a necessidade de uma matéria-prima escalável e eficiente para tornar a solução sustentável a longo prazo, além de mandatos e subsídios.

A macaúba atende a esses critérios, oferecendo a vantagem adicional de poder ser cultivada em mais de 100 milhões de hectares de terras degradadas no Brasil, evitando a competição com a produção de alimentos. A empresa também antecipa benefícios com créditos de carbono assim que o mercado regulado for implementado no país.

A Acelen Renováveis estima que o projeto poderá reduzir as emissões de CO2 em mais de 80% em comparação com combustíveis fósseis, além de possibilitar a captura de até 60 milhões de toneladas de carbono no solo.

Investimento Robusto e Infraestrutura em Expansão

O empreendimento conta com um investimento de capital de US$ 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 7,6 bilhões). O financiamento é liderado por um consórcio de 12 instituições financeiras, incluindo a IFC (braço de empréstimos para o setor privado do Banco Mundial) e o HSBC, com participação do BNDES e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Adicionalmente, o HSBC aprovou R$ 125 milhões sob o programa Eco Invest do Brasil para apoiar o cultivo de macaúba. As obras estão em andamento, com operação comercial prevista para 2029. Inicialmente, até que as plantações de macaúba estejam maduras (previsto para 2031), a biorefinaria processará óleo de cozinha usado e óleo de soja.

A Mubadala Capital, gestora de mais de US$ 430 bilhões, expande seu portfólio de energia renovável, considerando o Brasil um destino estratégico. Cerca de 90% da produção planejada já foi contratada por clientes nos EUA, Canadá e Europa.

A infraestrutura logística existente, como o terminal de Madre de Deus, será complementada por dois novos dutos, linha de transmissão de energia, conexão de gás natural e infraestrutura hídrica.

Inovação e Pesquisa para a Domesticação da Macaúba

Para escalar comercialmente a macaúba, a Acelen Renováveis investiu R$ 314 milhões na criação do Agripark, um centro de pesquisa em Montes Claros, Minas Gerais. O centro opera em parceria com a Embrapa e universidades, abrigando um banco de germoplasma e programas de melhoramento genético.

A inteligência artificial é uma ferramenta chave. Uma tecnologia desenvolvida em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros elevou as taxas de germinação de sementes de 3% para 85%. Outro projeto avalia o uso da casca do fruto como matéria-prima para SAF, e um sistema robótico reduziu o tempo de processamento de germinação de 40 segundos para 1 segundo.

O Agripark produz anualmente 10,5 milhões de mudas, suficientes para plantar cerca de 30.000 hectares. O tempo de viveiro foi reduzido de 90 para 67 dias. A empresa também investe em tecnologia de clonagem.

Modelo de Cultivo e Expansão Agrícola

A estratégia de expansão agrícola espelha o modelo da indústria de papel e celulose, combinando plantios próprios com produtores parceiros. A Acelen busca demonstrar confiança no projeto e oferecer diversificação aos agricultores, com cerca de 30% dos fornecedores sendo pequenos e médios produtores.

A meta é plantar 144.000 hectares na Bahia e no norte de Minas Gerais, organizados em cinco hubs de produção. Até o momento, 644 hectares foram plantados, com a expectativa de atingir 2.000 hectares até o final de 2026. A empresa busca a certificação CORSIA para a macaúba, essencial para exportação do SAF.

Conclusão Estratégica Financeira

Este projeto representa um divisor de águas para a economia brasileira no setor de energias renováveis, com impactos econômicos diretos na geração de empregos e no desenvolvimento do agronegócio em regiões com potencial de crescimento. Indiretamente, a redução da dependência de combustíveis fósseis e a promoção de práticas sustentáveis podem gerar valor para a imagem do país e atrair mais investimentos em ESG.

Os riscos financeiros envolvem a volatilidade dos preços de matérias-primas, a escala de produção da macaúba em relação à demanda, e a eficácia a longo prazo das tecnologias de processamento. Contudo, as oportunidades são vastas, com o potencial de liderança de mercado em um setor em franca expansão e a geração de créditos de carbono.

Para investidores e gestores, o projeto sinaliza uma tendência clara de migração para fontes de energia mais limpas e eficientes, com potencial de valorização de empresas que lideram essa transição. A capacidade de inovação da Acelen em otimizar a cadeia produtiva da macaúba, aliada ao apoio de grandes instituições financeiras, sugere um cenário provável de sucesso e escalabilidade.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

O que você pensa sobre essa iniciativa e o futuro do combustível de aviação sustentável no Brasil? Deixe sua opinião e suas dúvidas nos comentários!

Quem escreveu

Vinícius Hoffmann Machado

Engenheiro com sólida carreira corporativa em operações, planejamento e finanças — onde a estratégia vira número e o número vira decisão. No Eruption Global, traduz essa visão analítica em artigos sobre economia, mercado e decisões financeiras.

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