Shell apresenta nova proposta para Raízen, focando em capitalização sem cisão da empresa
Uma nova e significativa proposta para reestruturar a Raízen (RAIZ4) está em jogo, apresentada pela Shell. A gigante do petróleo surge com uma alternativa à já conhecida oferta da Cosan (CSAN3) e fundos do BTG, que previa a conversão de parte da dívida em ações e a divisão da companhia. A informação foi divulgada pelo portal Pipeline, do Valor Econômico.
A situação financeira da Raízen tem sido um ponto de atenção, com a dívida da companhia atingindo a marca de R$ 55,3 bilhões no último trimestre. Diante deste cenário, diversas alternativas para aliviar a pressão sobre a empresa estão sendo consideradas pelos seus controladores, a Shell e a Cosan, que detêm 44% do capital cada uma, com os 12% restantes em circulação no mercado.
A proposta inicial, articulada pela Cosan e BTG, envolvia a conversão de 25% da dívida da Raízen em ações e a separação das operações em duas companhias distintas: uma focada em açúcar e etanol, e outra em combustíveis. Ambas seriam listadas na bolsa de valores, em uma manobra que visava trazer mais clareza e valorização aos ativos.
Detalhes da Proposta Anterior e a Nova Abordagem da Shell
No desenho inicial, o braço de commodities da Raízen receberia aportes significativos, incluindo R$ 1 bilhão da Cosan, R$ 500 milhões do controlador da Cosan, Rubens Ometto, e aproximadamente R$ 1,5 bilhão da Shell. Paralelamente, o BTG Pactual, através de fundos de private equity, participaria com um aporte estimado em R$ 5,3 bilhões.
No entanto, a Shell agora apresenta um caminho diferente. De acordo com apurações do Pipeline, a empresa está disposta a realizar um aporte maior, buscando uma solução mais direta e sem a necessidade de dividir a Raízen. A proposta da Shell visa uma capitalização de R$ 5 bilhões, com a própria Shell contribuindo com R$ 3,5 bilhões e a Cosan com o restante. Essa abordagem busca simplificar o processo de reestruturação.
Esforços de Venda de Ativos e a Necessidade de Capitalização
A Raízen tem buscado ativamente reduzir seu endividamento através da venda de ativos, tendo já levantado cerca de R$ 5 bilhões nos últimos 12 meses. A expectativa é que a venda de ativos na Argentina seja concluída até o final deste ano. O objetivo estratégico é alcançar um índice de alavancagem entre 2 e 2,5 vezes ao final deste processo de reestruturação.
Contudo, análises do UBS BB indicam que a companhia precisaria de um aporte entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões para atingir suas metas financeiras. A venda de ativos sozinha não se mostra suficiente para resolver o complexo problema financeiro da Raízen, especialmente após sérios rebaixamentos em suas classificações de risco.
Impacto dos Rebaixamentos e Prejuízo Trimestral
A Raízen enfrentou rebaixamentos consideráveis em suas classificações de risco por agências especializadas. Essa situação levou a empresa a realizar um impairment (perda de valor de ativos) de R$ 11 bilhões e a registrar um prejuízo líquido expressivo de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26).
Em teleconferência com analistas, o CEO da Raízen, Nelson Gomes, admitiu que a execução do plano de transformação operacional, por si só, não é mais suficiente para mitigar o desequilíbrio financeiro. “A gente chega num ponto de inflexão onde claramente toda a execução do nosso plano de transformação operacional de maneira isolada não é suficiente para mitigar o desequilíbrio”, afirmou o executivo.
Procuradas, tanto a Raízen quanto a Shell optaram por não comentar as informações até o momento da publicação desta matéria. A resolução da estrutura de capital da Raízen é aguardada com expectativa pelo mercado.




