OceanPact e CBO anunciam fusão, criando gigante do apoio marítimo com R$ 13,6 bilhões em contratos
A OceanPact (OPCT3) e a CBO Holding anunciaram um acordo de combinação de negócios que promete revolucionar o setor de apoio marítimo no Brasil. A operação, que visa consolidar a liderança de mercado e expandir a atuação global, resultará em uma empresa com 73 embarcações e uma robusta carteira de contratos firmados, totalizando aproximadamente R$ 13,6 bilhões.
Este movimento estratégico representa um marco significativo para ambas as companhias, fortalecendo sua posição competitiva e abrindo novas avenidas de crescimento. A sinergia entre as operações e a ampliação da frota são pilares centrais para a nova entidade, que busca otimizar custos e aumentar a eficiência operacional.
A transação, que ainda depende de aprovações regulatórias e assembleias de acionistas, já conta com o apoio de importantes players do mercado. A expectativa é que a nova empresa consolidada ofereça soluções mais completas e competitivas aos seus clientes, impulsionando o desenvolvimento do setor.
Estrutura da Operação e Acordo de Acionistas
Conforme divulgado pela OceanPact, a combinação de negócios se dará pela emissão de aproximadamente 275 milhões de novas ações da OceanPact aos acionistas da CBO. A relação de troca estabelecida prevê que os atuais acionistas da CBO deterão cerca de 58% do capital total da companhia combinada, após a conclusão da operação.
A CBO, que opera 45 embarcações, muitas delas próprias, agregará sua expertise e frota à OceanPact, ampliando a escala operacional. Essa união visa não apenas a conquista de contratos mais rentáveis, mas também o acesso a linhas de crédito com custos mais favoráveis, fortalecendo a saúde financeira da nova empresa.
Um novo acordo de acionistas, com duração de cinco anos, foi firmado. Este acordo estipula um período de restrição à venda de ações e define regras de governança, incluindo o compartilhamento de controle nos primeiros dois anos, visando a estabilidade e o alinhamento estratégico dos controladores.
Reorganização Societária para Segregação de Ativos Contingentes
A operação inclui uma importante reorganização societária focada na segregação de ativos contingentes. Estes ativos estão ligados à controlada UP Offshore e envolvem disputas judiciais contra a Petrobras, decorrentes de contratos rescindidos no passado. A estratégia visa isolar esses riscos da operação principal.
Eventuais valores líquidos obtidos nesses processos judiciais serão destinados exclusivamente aos acionistas da OceanPact antes do fechamento da operação. Essa medida demonstra transparência e busca proteger o valor para os acionistas remanescentes da empresa combinada.
A estrutura prevê um aporte de R$ 2 milhões em uma holding para viabilizar a cisão parcial e o resgate de ações com parcela contingente. Posteriormente, ocorrerá a incorporação da CBO pela OceanPact, consolidando a nova estrutura societária.
Aprovação Regulatória e Apoio dos Acionistas
A conclusão da fusão entre OceanPact e CBO está sujeita a diversas aprovações. Entre elas, destacam-se a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), consentimentos de terceiros e o aval dos acionistas em assembleias marcadas para 30 de março de 2026. A expectativa é positiva, com acionistas relevantes da CBO, incluindo o BNDES, já declarando apoio à operação.
A consolidação do setor de apoio marítimo é uma tendência observada globalmente, e esta fusão se alinha a esse movimento, criando uma empresa mais robusta e preparada para os desafios e oportunidades do mercado. O Itaú BBA atuou como assessor financeiro da OceanPact nesta transação estratégica.
Análise Estratégica Financeira
A fusão entre OceanPact e CBO representa um movimento de consolidação com potencial para gerar sinergias significativas, otimizando custos operacionais e administrativos. A ampliação da frota e da carteira de contratos deve impulsionar a receita e fortalecer o fluxo de caixa futuro da nova entidade, aumentando seu poder de barganha e acesso a crédito.
Os riscos incluem a integração das operações, a gestão das disputas judiciais contingentes e a volatilidade do setor de óleo e gás. Contudo, as oportunidades de escala, diversificação de serviços e maior eficiência operacional podem resultar em um valuation mais atrativo para os investidores a longo prazo.
A estratégia de segregação de ativos contingentes é prudente, protegendo o core business de riscos passivos. Para investidores, a nova estrutura pode representar uma oportunidade de alavancar uma empresa líder em seu segmento, com forte potencial de crescimento e geração de valor.
A tendência é de um mercado de apoio marítimo mais concentrado, com empresas maiores e mais capitalizadas. A nova OceanPact consolidada se posiciona como uma forte candidata a liderar esse cenário, aproveitando a demanda por serviços especializados e a recuperação gradual do setor de exploração e produção de petróleo e gás.



