Bolsa Brasileira Supera Guerras e Crises: Capital Estrangeiro Investe R$ 48,7 Bilhões no Início de 2026, Sinalizando Confiança em Meio à Volatilidade Global
A incerteza gerada pela guerra no Oriente Médio, um cenário geopolítico complexo com a participação de Estados Unidos, Israel e Irã, não foi suficiente para afastar o investidor estrangeiro da B3 em março. A expectativa é de que esse ingresso de capital internacional continue, demonstrando a resiliência e o atrativo do mercado brasileiro, mesmo em meio a conflitos globais.
O saldo de entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira em março caminha para ficar positivo, acumulando R$ 7,05 bilhões até o dia 24, superando os R$ 3,1 bilhões registrados em março de 2025. Mais expressivo ainda é o resultado do primeiro trimestre de 2026, que já acumula R$ 48,7 bilhões em entradas, projetando-se como a melhor marca de capital externo na Bolsa desde 2022.
Em 2022, o primeiro trimestre totalizou R$ 65,3 bilhões em recursos internacionais, um movimento impulsionado pelo elevado preço das commodities, em função da guerra entre Ucrânia e Rússia, e por juros elevados que abriam espaço para arbitragem com taxas básicas significativamente menores em países desenvolvidos. Agora, em 2026, a atratividade brasileira se renova por outros motivos, mantendo o fluxo estrangeiro aquecido.
Valuation Atrativo e Juros Reais Elevados: A Receita para o Fluxo Estrangeiro
A perspectiva de novas entradas de capital estrangeiro em 2026 está associada principalmente ao fato de que algumas ações presentes no índice Ibovespa apresentam preços considerados convidativos quando comparados a papéis de mercados como os Estados Unidos e a média dos países emergentes. Essa percepção de valuation descontado tem sido um fator decisivo para atrair olhares internacionais.
Outros fatores complementam este cenário favorável, como o início do afrouxamento monetário em março, com cortes na taxa Selic, e a disputa presidencial prevista para este ano. Esses elementos criam um ambiente de expectativas e oportunidades que, na visão de especialistas, tendem a sustentar o fluxo de capital externo para o Brasil.
Fernando Siqueira, head de Research da Eleven Financial, aponta que o fluxo estrangeiro para o Brasil tem sido impulsionado pela saída de capital do mercado norte-americano. A tendência para a bolsa dos Estados Unidos é considerada negativa, em parte devido ao encarecimento das ações, a resultados corporativos marginais inferiores ao esperado e à política imprevisível de Donald Trump, segundo ele.
Brasil: O Oásis de Oportunidades em Meio à Volatilidade Global
Em contrapartida, a Bolsa brasileira é vista como uma das mais descontadas do mundo, segundo Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital. Ele ressalta que a ideia de um valuation atrativo continua válida, e o diferencial de juros, com uma taxa real elevada, ainda é um ponto forte a influenciar o fluxo estrangeiro para o Brasil. A exceção a essa tendência seria uma escalada da guerra no Oriente Médio que elevasse o risco inflacionário.
Daniel Gewehr, estrategista-chefe de ações do Itaú BBA, compartilha dessa visão, considerando que o fluxo externo para o Brasil deve continuar, a menos que o Federal Reserve (Fed) dos EUA decida aumentar juros devido a um risco inflacionário elevado, o que não é o cenário base. Segundo cálculos do BBA, a Bolsa brasileira negocia com um desconto de 5% em relação à sua média histórica, reforçando o apelo de valuation.
Caso haja um acordo para cessar-fogo no Oriente Médio, como começou a ser ventilado pelos Estados Unidos, a tendência é de uma diminuição na busca por ativos considerados refúgio, como o dólar e os Treasuries americanos. João Daronco, analista da Suno Research, avalia que parte desse capital pode migrar para mercados emergentes como o Brasil, em virtude da redução do risco global.
Selic em Queda e Cenário Eleitoral: Drivers para o Mercado Brasileiro
Embora uma Selic menor reduza o diferencial em relação às taxas americanas, que se situam entre 3,50% e 3,75%, a taxa básica de juros brasileira ainda permanecerá elevada. No último Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic foi reduzida de 15% para 14,75% ao ano, e a expectativa, segundo o último boletim Focus, é que ela encerre 2026 em 12,50%.
Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, observa uma certa resistência do investidor estrangeiro em deixar de aportar no Brasil, mesmo em um ambiente de incerteza. Essa atratividade se deve, segundo ele, ao fato de os ativos brasileiros serem interessantes para diversificação geográfica por estarem baratos, o Brasil ter um ciclo de corte de juros em andamento e a possibilidade de um rali eleitoral.
Para Siqueira, da Eleven, a queda da Selic e as eleições presidenciais serão os principais motores do mercado brasileiro. Ele acredita que esses fatores não apenas atrairão investidores estrangeiros, mas também os locais, impulsionando o mercado interno.
Rali Eleitoral e a Busca por Alternativas de Crescimento
A possibilidade de alternância de poder em 2027 pode ser um forte motivador para novos fluxos de capital. Muitos investidores apostam que uma mudança de governo poderia direcionar as contas públicas do país de forma diferente da atual, que é vista como expansionista. Essa perspectiva de um novo rumo fiscal pode ser um chamariz para o capital estrangeiro.
Spiess, da Empiricus Research, corrobora essa visão ao afirmar que há muitos estrangeiros interessados em




