Brasileiros Apostam Mais e Vêem “Bets” Como Investimento: Um Olhar Crítico Sobre os Dados da Anbima
Um em cada cinco brasileiros que apostam online acredita estar fazendo um investimento, revela o recente Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa anual da Anbima em parceria com o Datafolha. Este dado, divulgado na última quinta-feira (23), acende um alerta sobre a percepção de risco e a busca por ganhos rápidos em um mercado volátil.
A pesquisa, realizada entre novembro e dezembro do ano passado, indica que, embora a proporção de apostadores que veem as “bets” como investimento permaneça estável, o número total de brasileiros que apostam online cresceu pelo segundo ano consecutivo, atingindo 17% dos entrevistados. Em 2023, esse índice era de 14%, e em 2022, de 15%.
Essa tendência de crescimento no universo das apostas online, aliada à visão de que elas podem ser um “investimento”, levanta questões importantes sobre educação financeira e os reais riscos envolvidos. É fundamental analisar o perfil desses apostadores e as motivações por trás de seus gastos para compreender o cenário econômico.
O Perfil do Apostador Brasileiro e a Busca por Dinheiro Rápido
O levantamento aponta que o apostador brasileiro médio tem 35 anos, é homem e possui uma renda familiar superior a R$ 5 mil mensais. O gasto médio com apostas é de R$ 195,15 por mês. A principal motivação, citada por 39% dos entrevistados, é a chance de ganhar dinheiro rápido em momentos de necessidade.
Outros 37% buscam a possibilidade de obter uma grande quantia, enquanto 32% encaram as apostas como diversão, um aumento em relação à edição anterior da pesquisa. Essa busca por ganhos imediatos e vultosos é um dos pilares que podem levar à distorção da percepção de risco, transformando o que deveria ser lazer em uma atividade de alto potencial de perdas.
É interessante notar que aqueles que encaram as apostas como investimento gastam significativamente mais: em média, R$ 284,81 mensais. Essa parcela de apostadores, que representa 20% do total, demonstra uma abordagem mais agressiva e, por vezes, um entendimento equivocado sobre o que constitui um investimento financeiro sólido.
Investidores ou Apostadores? A Linha Tênue Entre o Risco e o Conhecimento Financeiro
Um dado curioso da pesquisa é que, entre os que veem as “bets” como investimento, 38% já são investidores, possuindo algum conhecimento sobre produtos financeiros como criptomoedas e ações. No entanto, 21% desses apostadores que se consideram investidores não possuem reserva financeira, e 52% têm economias suficientes para apenas seis meses.
Além disso, a maioria (63%) não conseguiu economizar em 2025. Essa combinação de fatores sugere que parte dos que se consideram investidores em apostas pode estar utilizando estratégias de alto risco, sem a devida base financeira ou conhecimento aprofundado em investimentos tradicionais.
Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, comenta: “Tem uma parcela de homens jovens que aplicam em apostas esportivas e usam todo um arsenal de programas, plataformas e probabilidades que usaria para investir no mercado para tentar ganhar dinheiro com Bets”. Ele acrescenta que, para eles, “o investimento, seja qual for, é visto como um jogo, e naturalmente colocam a bet nesse universo”.
O Crescente Risco de Vício em Apostas Online
A pesquisa também traz dados preocupantes sobre a tendência ao vício. O índice que avalia a propensão ao vício em apostas mostrou um aumento: o percentual de jogadores problemáticos subiu de 10% para 11%, e os de risco moderado aumentaram de 26% para 28%. Em contrapartida, o número de pessoas sem problemas com jogos caiu de 35% para 32%.
Os apostadores problemáticos são, em sua maioria, jovens (82% pertencem à Geração Z ou Millennials), concentrados na classe C (56%) e predominantemente do sexo masculino (73%). Estes indivíduos são os que menos conseguiram economizar em 2025 (apenas 23%), formam o maior grupo sem reserva financeira (25%) e o menor com reservas para mais de seis meses (23%).
A Anbima estima que o custo social anual das apostas online no Brasil chegue a R$ 38,8 bilhões. Esse valor engloba os impactos negativos gerados pelo vício e pelo uso descontrolado, evidenciando a dimensão do problema para a sociedade e a economia.
Conclusão Estratégica Financeira: Apostas vs. Investimentos Reais
A percepção de que apostas online podem ser um investimento, embora minoritária, representa um risco financeiro significativo. Os impactos econômicos diretos incluem a perda de patrimônio para indivíduos que apostam sem controle, e os indiretos se manifestam no aumento dos custos sociais associados ao vício em jogos. Para a economia, a alocação de recursos em atividades de alto risco e baixa produtividade, em detrimento de investimentos produtivos, pode impactar negativamente o crescimento.
As oportunidades financeiras reais residem em investimentos tradicionais e em estratégias de longo prazo, com análise de risco calculada e diversificação. Apostas, por sua natureza, oferecem retornos imprevisíveis e com alta probabilidade de perda, diferentemente de ativos que se valorizam com base em fundamentos econômicos.
A tendência futura aponta para um mercado de apostas online cada vez mais sofisticado, mas também com maiores desafios regulatórios e de proteção ao consumidor. A educação financeira se torna crucial para desmistificar a ideia de “investimento” nas “bets” e direcionar o público para caminhos mais seguros e sustentáveis de construção de patrimônio.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
E você, qual a sua opinião sobre essa tendência? Acredita que as apostas online podem ser encaradas como um tipo de investimento? Deixe sua dúvida ou comentário abaixo!





