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Economia Global

Emprego com Carteira Assinada: Por Que o Brasileiro Ainda Prioriza a CLT em Meio a Novas Modalidades de Trabalho?

Por Vinícius Hoffmann Machado10 abr 20267 min de leitura
Emprego com Carteira Assinada: Por Que o Brasileiro Ainda Prioriza a CLT em Meio a Novas Modalidades de Trabalho?

Resumo

Emprego Formal Continua Sendo Ouro para o Trabalhador Brasileiro, Aponta Pesquisa da CNI

Em um cenário profissional cada vez mais dinâmico e com o surgimento de novas formas de atuação, como o trabalho autônomo e por plataformas digitais, uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) traz um dado surpreendente: o emprego com carteira assinada, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), segue como a opção mais desejada pela maioria dos brasileiros que buscam uma colocação no mercado.

Ainda que o burburinho das novas economias criativas e da flexibilidade ganhe espaço nas discussões, a busca por estabilidade, direitos e proteção social parece falar mais alto. Mais de um terço dos trabalhadores que procuraram emprego recentemente apontaram a CLT como modalidade preferencial, evidenciando que a segurança jurídica e os benefícios previdenciários continuam sendo pilares fundamentais na decisão de carreira.

Essa preferência reforça a importância histórica da CLT no Brasil e levanta questionamentos sobre como as novas gerações e o mercado em si se adaptarão a essa dicotomia. Entender os motivos por trás dessa escolha é crucial para empresas, governo e para o próprio trabalhador que busca otimizar sua trajetória profissional e financeira.

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Nexus, em parceria com a CNI, e ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país, entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025, com divulgação recente.

Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Os Números da Preferência: CLT Lidera a Busca por Oportunidades

Os dados da pesquisa da CNI são bastante claros e revelam a distribuição das preferências no mercado de trabalho atual. A modalidade com carteira assinada (CLT) foi escolhida por 36,3% dos entrevistados, consolidando-se como a opção mais buscada. Em seguida, o trabalho autônomo aparece como a segunda alternativa mais atrativa, com 18,7% das menções.

O emprego informal, apesar de suas desvantagens inerentes, ainda atrai 12,3% dos trabalhadores. O trabalho por plataformas digitais, que ganhou grande visibilidade nos últimos anos, interessa a 10,3% dos entrevistados como primeira opção, enquanto abrir o próprio negócio é o desejo de 9,3% e atuar como pessoa jurídica (PJ) atrai 6,6%.

É relevante notar que um percentual significativo, 20%, declarou não ter encontrado oportunidades que considerasse atrativas, o que pode indicar um desalinhamento entre a oferta do mercado e as expectativas dos trabalhadores, ou talvez uma busca por condições ainda melhores do que as oferecidas atualmente.

Jovens Reforçam a Tendência: Segurança em Primeiro Lugar no Início de Carreira

A preferência pelo emprego formal com carteira assinada é ainda mais acentuada entre os jovens. Para este público, que está no início de sua jornada profissional, a busca por segurança e estabilidade é um fator determinante. Entre os trabalhadores de 25 a 34 anos, 41,4% indicaram a CLT como sua escolha principal.

O grupo mais jovem, de 16 a 24 anos, também demonstra essa inclinação, com 38,1% priorizando o modelo formal. Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI, reforça que o emprego formal oferece um senso de segurança maior para os jovens, auxiliando-os a construir uma base sólida para o desenvolvimento de suas carreiras.

Essa forte preferência entre os mais novos sugere que, apesar da cultura de empreendedorismo e do apelo da flexibilidade, a estrutura e as garantias oferecidas pela CLT ainda são vistas como um porto seguro para quem está começando a trilhar o caminho profissional.

Trabalho por Plataformas: Um Complemento de Renda, Não a Prioridade Principal

A percepção sobre o trabalho em plataformas digitais, como motoristas de aplicativo ou entregadores, revela que a maioria dos trabalhadores o enxerga como uma fonte de renda complementar, e não como a atividade principal de sustento. Apenas 30% dos entrevistados consideram essa modalidade como sua fonte primária de ganhos.

Isso sugere que, embora essas plataformas ofereçam flexibilidade e a possibilidade de gerar renda adicional, elas ainda não substituem o desejo por um emprego com direitos e estabilidade. A instabilidade inerente a muitas dessas ocupações pode ser um fator crucial nessa percepção, levando os trabalhadores a buscarem outras formas de trabalho mais seguras para garantir seu sustento principal.

Minha leitura do cenário é que, para muitos, o trabalho por aplicativo é uma excelente ferramenta para complementar o orçamento ou para ter uma fonte de renda enquanto se busca uma oportunidade mais consolidada no mercado formal, ou até mesmo para quem já tem um trabalho principal e busca uma renda extra nos horários livres.

Satisfação no Emprego Atual Limita a Mobilidade no Mercado

Um dado que chama a atenção na pesquisa da CNI é o alto nível de satisfação geral com o emprego atual. Essa satisfação elevada contribui para explicar a baixa mobilidade e a busca por novas oportunidades no mercado de trabalho. Cerca de 95% dos entrevistados expressaram estar satisfeitos com seus empregos, sendo que 70% se declararam muito satisfeitos.

Apenas uma pequena parcela, 4,6%, relatou insatisfação, e 1,6% se disse muito insatisfeito. Essa alta taxa de contentamento sugere que as empresas estão, em geral, conseguindo reter seus talentos e oferecer condições que atendem às expectativas dos profissionais.

A pesquisa também detalha a mobilidade no mercado: apenas 20% dos trabalhadores buscaram outro emprego recentemente. Essa busca é mais expressiva entre os jovens (35% dos de 16 a 24 anos) e menor entre os trabalhadores com mais de 60 anos (6%). O tempo de permanência no emprego também influencia: 36,7% daqueles com menos de um ano na função buscaram nova vaga, contra apenas 9% dos que estão na mesma função há mais de cinco anos.

Conclusão Estratégica Financeira: O Valor da Estabilidade e Seus Impactos

A predominância do desejo pelo emprego com carteira assinada tem impactos econômicos diretos e indiretos significativos. Para as empresas, isso reforça a necessidade de manterem práticas trabalhistas sólidas e competitivas para atrair e reter talentos, o que pode influenciar custos com salários, benefícios e encargos. O valuation de empresas que oferecem maior segurança e estabilidade aos seus colaboradores tende a ser mais elevado, refletindo um menor risco operacional e maior previsibilidade.

Oportunidades financeiras surgem para setores que suportam o emprego formal, como o de serviços de folha de pagamento, contabilidade e benefícios. Por outro lado, a menor mobilidade no mercado, impulsionada pela satisfação, pode indicar um cenário de menor rotatividade, o que é positivo para a estabilidade econômica, mas pode limitar o crescimento de novas empresas que dependem de uma força de trabalho mais fluida. A tendência futura aponta para uma contínua valorização da segurança, mesmo com a evolução das novas modalidades de trabalho. Acredito que o cenário provável é de coexistência, onde o emprego formal continuará sendo o pilar, mas as empresas precisarão inovar em benefícios e flexibilidade para se manterem atraentes.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

E você, o que pensa sobre essa preferência pelo emprego com carteira assinada? Deixe sua opinião, dúvida ou crítica nos comentários abaixo. Sua participação enriquece o debate!

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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