Grupo Potencial Anuncia Forte Expansão em Biodiesel e Agroenergia com Novas Instalações de Ponta
O Grupo Potencial está traçando um caminho ambicioso para ascender de player regional a gigante nacional no mercado de biocombustíveis. A estratégia se baseia em um aumento expressivo de capacidade produtiva, maior controle sobre as matérias-primas e um modelo de negócios focado em circularidade.
Recentemente, a empresa inaugurou em Lapa (PR) sua primeira esmagadora de soja, além de uma segunda fábrica de glicerina e uma terceira unidade de biodiesel. Essas novas instalações, ao atingirem sua capacidade plena, prometem elevar a produção anual de biodiesel da Potencial de 900 milhões para 1,7 bilhão de litros.
Com investimentos projetados em R$ 6,3 bilhões até 2032, o grupo busca consolidar sua posição como uma potência em agroenergia. O plano inclui a produção de etanol de milho e biogás, demonstrando um forte compromisso com a diversificação e a sustentabilidade.
Integração e Expansão: A Nova Fronteira do Grupo Potencial
A inauguração da esmagadora de soja marca um passo crucial na verticalização do Grupo Potencial. Com essa nova unidade, a empresa pretende produzir internamente até um terço das matérias-primas necessárias para a fabricação de biodiesel, reduzindo a dependência de fornecedores externos.
O óleo vegetal de soja, principal insumo, representa 75% da produção de biodiesel da Potencial. A empresa planeja aumentar suas compras de óleo de esmagadoras paranaenses, ao mesmo tempo em que adquire soja in natura para alimentar sua própria processadora. A nova esmagadora utiliza um processo avançado de peletização e extração com hexano, otimizando a obtenção do biodiesel.
Além do óleo de soja, a produção de biodiesel da Potencial também se beneficia de rotas alternativas, utilizando gorduras animais (sebo bovino, óleo de vísceras de aves e graxa suína) que respondem por 20% do total, e óleo sintético (ácidos graxos com glicerina) que contribui com 5%. A expectativa é que a esmagadora gere um aumento de 20% a 30% na produção de biodiesel, enquanto a expansão da capacidade de glicerina agregue outros 5%.
Da Posto de Combustíveis à Potência em Agroenergia: Uma Trajetória de Sucesso
A história do Grupo Potencial é marcada por uma evolução estratégica significativa. Iniciando como um posto de combustíveis em 1954, a empresa expandiu-se para uma rede de postos e uma distribuidora nas décadas seguintes. A entrada na produção de biocombustíveis ocorreu nos anos 1990, sob a liderança de Arnoldo Hammerschmidt, pai do atual vice-presidente de Novos Negócios, Carlos Eduardo Hammerschmidt (Dudu).
A necessidade de verticalizar a produção de óleo de soja surgiu como resposta à estratégia de grandes tradings do setor, como Cargill, ADM e Cofco, que já operavam de forma integrada. Essa movimentação garantiu a sobrevivência e o crescimento da empresa em um mercado cada vez mais competitivo.
Atualmente, o Grupo Potencial opera em diversas frentes: biocombustíveis, distribuição de combustíveis, rede de postos, logística e trading. A planta em Lapa, com suas instalações verdes e brancas, já é um marco na paisagem da pequena cidade de 45 mil habitantes, e o complexo industrial mais do que dobrará de tamanho com as novas expansões.
Diversificação e Sustentabilidade: Etanol de Milho e Biogás no Radar
O plano de crescimento do Grupo Potencial vai além do biodiesel. A empresa planeja inaugurar uma usina de etanol de milho em 2028, com capacidade para produzir 1 bilhão de litros anuais. Essa iniciativa posicionará a Potencial como um player relevante no mercado de etanol, embora ainda distante da líder Inpasa, com capacidade de 6,2 bilhões de litros/ano.
O consumo de grãos do Paraná, segundo maior produtor de soja e milho do país, será impactado significativamente, com a Potencial prevendo consumir cerca de 15% da produção estadual desses grãos. Além disso, a empresa já utiliza uma Estação de Tratamento de Efluentes que gera biogás, o qual é reusado para alimentar caldeiras, demonstrando um ciclo produtivo mais sustentável.
A geração própria de energia elétrica, a custos inferiores aos da rede pública, complementa a estratégia de otimização de recursos e custos operacionais. A integração dessas diversas fontes energéticas e de matérias-primas é fundamental para a projeção de faturamento do grupo, que visa saltar de R$ 12 bilhões em 2025 para R$ 20 bilhões até 2032.
Conclusão Estratégica Financeira: Um Novo Capítulo para a Agroenergia Brasileira
A expansão do Grupo Potencial representa um movimento estratégico de grande impacto no setor de agroenergia brasileiro. O investimento maciço em novas tecnologias e capacidade produtiva, com foco em biodiesel, etanol de milho e biogás, posiciona a empresa para capturar uma parcela significativa do mercado nacional e, potencialmente, internacional.
O modelo de negócios integrado, que abrange desde a matéria-prima até o produto final, confere à Potencial uma vantagem competitiva em termos de custos e controle de qualidade. A busca por autonomia em relação às matérias-primas, como a soja, mitiga riscos de volatilidade de preços e garante o suprimento contínuo para suas operações.
Os riscos financeiros estão atrelados à execução dos ambiciosos planos de investimento e à volatilidade dos mercados de commodities e de biocombustíveis. No entanto, a estratégia de autofinanciamento, com reinvestimento de lucros e um endividamento controlado, sugere uma gestão financeira prudente e focada no crescimento orgânico.
Para investidores e empresários do setor, a trajetória da Potencial demonstra a importância da verticalização, da diversificação de portfólio e da busca por eficiência operacional e sustentabilidade. A empresa sinaliza um futuro promissor para o setor de biocombustíveis no Brasil, especialmente se houver um avanço nas políticas governamentais de aumento dos mandatos de biodiesel e etanol.
A visão de Dudu Hammerschmidt sobre a necessidade de aumentar os mandatos de biocombustíveis, diante da instabilidade do mercado de petróleo, reforça a urgência de o Brasil investir mais em suas fontes renováveis. A compra de 60 caminhões da Volvo, capazes de rodar com qualquer mistura de biodiesel, é um indicativo claro dessa aposta no futuro do setor.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
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