Fim da patente do Ozempic no Brasil: novas versões de semaglutida podem ter queda de até 60% nos preços
O mercado farmacêutico brasileiro se prepara para uma mudança significativa com o fim da patente da semaglutida, princípio ativo dos populares medicamentos Ozempic e Wegovy. Desenvolvidos pela dinamarquesa Novo Nordisk, esses fármacos, que revolucionaram o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, agora abrem espaço para a entrada de versões genéricas e similares após 20 anos de exclusividade.
Essa abertura de mercado é uma notícia aguardada tanto por pacientes quanto por empresas do setor. A expectativa é de uma acirrada disputa comercial, o que historicamente resulta em uma redução expressiva nos preços, tornando o tratamento mais acessível a uma parcela maior da população. O Ministério da Saúde já solicitou à Anvisa prioridade na análise das novas formulações.
Diversos laboratórios já se anteciparam e submeteram suas formulações à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes mesmo do vencimento oficial da patente. Embora o processo de aprovação pela Anvisa, que garante a qualidade, segurança e eficácia, ainda seja rigoroso, a antecipação demonstra a preparação do setor para capitalizar essa oportunidade, conforme informação divulgada pelo portal G1.
Potencial de redução de custos e impacto no mercado
Embora os valores exatos das novas versões ainda não sejam conhecidos, a tendência é de uma queda substancial nos preços. Seguindo o padrão de outros medicamentos similares e genéricos no Brasil, é provável que as novas semaglutidas cheguem ao mercado com preços entre 15% e 60% inferiores aos do Ozempic e Wegovy originais. Essa redução é impulsionada diretamente pelo aumento da concorrência.
A legislação brasileira estipula que um medicamento genérico deve ser, no mínimo, 35% mais barato que o medicamento de referência. Na prática, a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos) estima que os genéricos costumam oferecer uma economia de até 60% para os consumidores no país. Estudos acadêmicos corroboram essa tendência, indicando que similares também podem apresentar custos cerca de 15% menores.
Marcela Amaral, gerente de Acesso e Precificação do Sindusfarma, explica que a diferença de preço entre genéricos e similares pode estar associada a estratégias de marketing e marca. “Na prática, ambos são iguais aos seus medicamentos de referência e podem ser utilizados pela população sem medo de perder a qualidade, eficácia ou segurança. Mas, para o medicamento similar, é permitido o uso de uma marca, propaganda e apresentação do produto aos prescritores, o que gera mais custos ao produto final. Enquanto o genérico carrega apenas nome do princípio ativo”, afirma.
Análise estratégica financeira
O fim da patente da semaglutida representa uma oportunidade clara para a entrada de novos players no mercado brasileiro, com potencial de gerar ganhos significativos para laboratórios que desenvolverem versões genéricas e similares eficazes e acessíveis. Para os consumidores, o principal benefício será a redução drástica nos custos de tratamento, aumentando o acesso a terapias essenciais para controle de doenças crônicas.
O impacto direto será a compressão de margens para o laboratório detentor da patente original, enquanto a concorrência proporcionará um aumento de receita e volume para as novas empresas. A longo prazo, a maior acessibilidade pode levar a uma melhor gestão da saúde pública no país, reduzindo a incidência de complicações associadas ao diabetes e à obesidade.
Investidores e gestores devem observar a dinâmica competitiva que se estabelecerá. Empresas que conseguirem otimizar seus custos de produção e distribuição, mantendo a qualidade e segurança, tenderão a capturar uma parcela expressiva do mercado. A tendência é de consolidação de um mercado mais pulverizado, com benefícios claros para o consumidor final e potenciais ganhos para a economia em saúde.





