Juros Insustentáveis: CEO da BR Partners Alerta Para Colapso Econômico e Tsunami de Capital Estrangeiro em 2025
O cenário corporativo brasileiro vive um momento de alta tensão, com empresas saudáveis sendo empurradas para a recuperação judicial devido ao peso da dívida indexada a juros básicos de 15% ao ano. Essa é a grave constatação de Ricardo Lacerda, sócio fundador e CEO do BR Partners, que vê um risco iminente de colapso econômico.
“Ninguém aguenta 15% de juros ao ano por um tempo indeterminado. O país vai explodir desse jeito”, alertou Lacerda, citando como exemplos companhias como Braskem, GPA, Ambipar, Oncoclínicas, Cosan e Raízen. Segundo ele, essas empresas, apesar de operacionais e sólidas, estão em rota de reestruturação por excesso de endividamento.
Embora reconheça a atuação do Banco Central com base nas melhores informações, o executivo critica a condução da política monetária, sugerindo que o ciclo de corte de juros iniciado pode ser “tímido e curto”. A análise foi feita durante o programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, com participação do analista Matheus Guimarães, da XP Research. Conforme informação divulgada pelo programa Stock Pickers.
Juros Altos e a Contradição do Capital Estrangeiro
Em contraste com o ambiente de crédito restritivo, Lacerda aponta para um fenômeno fascinante: o potencial retorno expressivo de capital estrangeiro ao Brasil já em 2025. Esse fluxo pode ocorrer mesmo diante de um cenário fiscal ainda considerado desordenado, pois o país se tornou relativamente mais atrativo em comparação com a Europa estagnada, a China com riscos geopolíticos e a Índia considerada cara.
“Não veio nem 0,5% do capital que esses fundos têm para poder vir para cá”, ponderou Lacerda. Ele acredita que um cenário um pouco mais razoável pode gerar um ganho excepcional para o país. O volume de negociações na B3 em fevereiro, R$ 39,2 bilhões em ADTV, segundo maior da história, corrobora essa visão de apetite.
BR Partners na Nasdaq: Uma Estratégia para Capturar o Interesse Global
Para capitalizar sobre esse interesse externo, o BR Partners tomou uma medida incomum para um banco de médio porte brasileiro: listou suas ações na Nasdaq, em uma listagem técnica. Essa estratégia visa facilitar o acesso a fundos globais dedicados a small caps financeiras.
“A gente passou a visitar fundos dedicados a small caps financeiras no mundo inteiro, independente do país”, explicou Lacerda, destacando que fundos internacionais já são seus maiores acionistas. Matheus Guimarães, da XP, reforçou essa percepção após reuniões nos EUA, onde o interesse por ações brasileiras e operações de crédito estruturado foi palpável.
Otimismo Cauteloso do Mercado Internacional
Um dos maiores hedge funds do mundo teria apontado que a volatilidade do câmbio brasileiro nos últimos 12 a 24 meses ficou abaixo da registrada no G7. Além disso, o prêmio de risco exigido do Brasil já não se justifica pelo patamar atual de inflação, indicando uma visão mais favorável de alguns investidores globais.
Análise Estratégica Financeira
O cenário de juros elevados representa um risco agudo para a saúde financeira das empresas brasileiras, podendo levar a um aumento de recuperações judiciais e a uma contração da atividade econômica. Por outro lado, a perspectiva de entrada massiva de capital estrangeiro em 2025 oferece uma oportunidade de valorização para ativos brasileiros e um potencial de alívio para a taxa de câmbio e o custo de capital.
Empresas com boa gestão de dívidas e estruturas de capital sólidas tendem a se beneficiar da eventual queda de juros e da maior liquidez. Investidores podem encontrar oportunidades em setores que se tornam mais competitivos com a entrada de dólares. Contudo, a persistência de juros altos pode comprimir margens e dificultar o fluxo de caixa, penalizando empresas mais alavancadas.
A estratégia do BR Partners de buscar listagem internacional reflete uma visão de longo prazo, visando acesso a um pool de capital mais amplo e diversificado. A tendência é que o Brasil continue atraindo olhares de investidores globais, mas a sustentabilidade desse fluxo dependerá da evolução do quadro fiscal e da política monetária, com quem tende a se beneficiar sendo aqueles com maior resiliência e visão estratégica.



