Geração Z: O Novo Motor da Economia dos Shoppings
Enquanto o mundo digital avança, uma geração inteira está redescobrindo o prazer das compras em shoppings. A Geração Z, composta por jovens de 14 a 29 anos, está provando que o fascínio pelas lojas físicas está longe de acabar, trazendo um novo fôlego para um setor que enfrentava desafios.
Com um poder de consumo crescente e uma abordagem única para as compras, esses jovens estão redefinindo a experiência do varejo. Eles não apenas compram, mas buscam vivências, combinando o online com o offline de maneira inovadora.
Dados recentes indicam que a Geração Z gasta mais em lojas físicas do que gerações anteriores, impulsionando a demanda por espaços em shoppings e revitalizando centros comerciais. Essa tendência é um sopro de esperança para o setor, como apontam empresas de dados como NielsenIQ e Circana.
A Geração Z e a Experiência de Compra Presencial
Savera Ghorzang, 24 anos, exemplifica essa nova dinâmica. Apesar de passar horas conectada, ela prefere ir ao shopping para ter suas compras na hora, uma necessidade que o e-commerce nem sempre atende. “Não gosto muito de compras online”, afirma, destacando a importância da gratificação imediata.
Para a Geração Z, que cresceu imersa na era digital e vivenciou lockdowns, a experiência de comprar pessoalmente é um evento. A possibilidade de tocar nos tecidos, experimentar roupas e sentir a energia de um shopping movimentado são atrativos irrecusáveis. Pranvi Yarvaneni, 14 anos, concorda: “Mesmo que eu não compre nada, só sair já é muito divertido”.
A preferência por lojas físicas é clara em dados: compradores entre 18 e 24 anos realizaram 62% de suas compras em lojas físicas no último ano, superando os 52% de adultos com 25 anos ou mais, segundo a Circana. Essa forte inclinação em favor do varejo presencial está impulsionando a recuperação do setor.
Influência Digital e a Integração com o Offline
A Geração Z não abandona o digital, mas o integra à sua jornada de compras. Inspirações de moda e produtos surgem em plataformas como TikTok e Pinterest, com influenciadores desempenhando um papel crucial. Noura Abdel-Megeed, 16 anos, busca inspiração online, mas vai à loja para finalizar a compra e experimentar as peças.
Os shoppings estão se adaptando a essa nova realidade, criando espaços “instagramáveis” e incentivando a interação nas redes sociais. A Macerich, proprietária de diversos shoppings, está redesenhando áreas comuns para estimular fotos e a divulgação orgânica. “Será que nossos shoppings são fotogênicos? Acho que isso é uma oportunidade”, reflete Jack Hsieh, CEO da empresa.
Varejistas online, como a Edikted, que começou digital em 2021, abriram lojas físicas para capitalizar essa tendência. A empresa já possui 11 unidades e planeja expandir, atraindo clientes com promoções e experiências imersivas, muitas vezes impulsionadas por influenciadores e conteúdo viral nas redes sociais.
O Shopping como Ponto de Encontro e Experiência
Para muitos jovens, o shopping é mais do que um local de compras; é um centro social. Renée Killian, 16 anos, visita o shopping todo fim de semana, gastando entre R$ 300 e R$ 500 por visita, impulsionada pela necessidade de sentir o produto e evitar custos de frete. “Preciso sentir a textura antes de comprar. Preciso ver como fica pessoalmente”, explica.
Essa experiência é comparada por Erika Killian, mãe de Renée e pertencente à Geração X, com sua própria adolescência nos anos 90, quando a cultura de shopping estava no auge. Apesar de Erika fazer a maior parte de suas compras online hoje, ela reconhece a familiaridade nos hábitos de sua filha.
Varejistas como Tapestry (dona de Coach e Kate Spade) e Pacsun observam um crescimento significativo nas vendas em lojas físicas, atribuído em grande parte ao engajamento da Geração Z. A estratégia inclui usar feeds de redes sociais para mostrar como influenciadores utilizam os produtos, reconhecendo que a Geração Z busca informações de fontes confiáveis e com as quais se identifica.
O Futuro do Varejo: Uma Fusão de Mundos
A Geração Z está impulsionando uma mudança significativa no varejo, demonstrando que as lojas físicas têm um futuro promissor quando adaptadas às suas expectativas. A demanda por experiências autênticas e a integração inteligente entre o online e o offline são as chaves para o sucesso.
A capacidade de oferecer gratificação instantânea, aliada a um ambiente social e digitalmente conectado, garante que os shoppings continuem relevantes. A Geração Z não está apenas comprando, está vivendo e influenciando, moldando o futuro do consumo em tempo real.





