Moagem de Cana no Centro-Sul Cai Pela Primeira Vez na Safra 2026/27: Chuvas de Setembro Ameaçam Produção e Impactam Futuro do Açúcar e Etanol
A safra de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil, em 2026/27, registrou um marco preocupante: pela primeira vez no acumulado da temporada, o volume processado até 15 de setembro recuou em comparação com o mesmo período do ciclo anterior. Os dados oficiais do Ministério da Agricultura revelam uma queda de 1,5%, sinalizando os severos impactos do clima na atividade agrícola e industrial.
Desde o início da safra em abril, as usinas processaram 443,71 milhões de toneladas de cana. No entanto, o ritmo de trabalho desacelerou drasticamente à medida que chuvas excessivas, intensificadas pelo fenômeno El Niño, comprometeram as operações. A primeira quinzena de setembro foi particularmente crítica, com a moagem despencando mais de 30% no comparativo anual, evidenciando a vulnerabilidade do setor às condições climáticas.
Este cenário reforça a importância de acompanhar de perto os efeitos do clima na economia brasileira. O Brasil é o maior produtor e exportador global de açúcar e o segundo em produção de etanol, tornando a cana-de-açúcar um pilar fundamental de sua economia. A queda na moagem levanta questões sobre a oferta futura de produtos derivados e a rentabilidade das usinas.
Dados do Ministério da Agricultura
Impacto das Chuvas e Revisão de Projeções
As chuvas torrenciais em setembro foram o principal vilão para a moagem de cana. Consultorias já revisaram para baixo suas projeções de moagem total para a safra 2026/27, indicando que um volume maior de cana deverá ser deixado para ser processado na safra seguinte, 2027/28. Esse fenômeno, conhecido como cana “bisada”, ocorre quando as condições climáticas impedem o processamento total no período ideal.
A perspectiva de um estoque maior de cana para o próximo ano ganha contornos mais preocupantes ao se considerar que o centro-sul do Brasil entra em um período sazonalmente mais chuvoso. Isso significa que as usinas enfrentarão desafios ainda maiores para manter o ritmo de moagem, potencialmente estendendo as interrupções operacionais.
A situação tem levado analistas a questionar a capacidade das usinas de impulsionar a produção de açúcar na safra atual, mesmo diante de uma melhora nos preços globais do adoçante. As projeções climáticas para a primeira quinzena de setembro indicavam chuvas acima da média histórica em importantes regiões produtoras, como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná e partes de Minas Gerais, prenunciando mais dificuldades para a moagem.
Desempenho da Produção de Açúcar e Etanol na Safra 2026/27
No acumulado da safra 2026/27 até 15 de setembro, a produção de açúcar registrou uma queda expressiva de 14,4%, totalizando 26,07 milhões de toneladas. Essa redução está diretamente ligada à decisão das usinas de direcionar uma parcela maior da cana para a produção de etanol, que apresentou vantagem econômica em boa parte do período.
Por outro lado, a produção total de etanol avançou 8,7% no mesmo período, alcançando 22,94 bilhões de litros. Esse aumento foi impulsionado também pela maior fabricação do biocombustível a partir do milho, demonstrando a diversificação da matriz energética brasileira. Os estoques totais de etanol disponíveis em 15 de setembro apresentaram alta de 4% em relação ao ano anterior, totalizando 7,28 bilhões de litros.
Essa alta nos estoques de etanol foi impulsionada por um aumento de 15% nos estoques de etanol hidratado, que compensaram a queda de 11,4% no etanol anidro. Essa dinâmica reflete as estratégias das usinas em otimizar a produção e a comercialização dos diferentes tipos de biocombustível, buscando maximizar a rentabilidade.
Impacto da Quinzena de Setembro na Moagem e Produção
A primeira quinzena de setembro foi particularmente desfavorável. A produção de açúcar no centro-sul do Brasil recuou drasticamente 41,6% nesse período, totalizando 2,12 milhões de toneladas. A moagem de cana-de-açúcar despencou em meio às chuvas intensas.
A fabricação total de etanol também diminuiu, caindo 27,2% para 1,72 bilhão de litros. No entanto, essa queda foi menor do que a verificada na produção de açúcar. Isso se deve, em parte, à expansão contínua da atividade na indústria de biocombustíveis de milho, que tem mostrado resiliência às condições climáticas.
A moagem de cana no centro-sul, em particular, sofreu uma queda de 34,2% na primeira quinzena de setembro em relação ao mesmo período do ano passado. O volume processado foi de 30,16 milhões de toneladas, com as chuvas atrapalhando significativamente as atividades de colheita e moagem. Esse recuo na moagem e na produção de açúcar na quinzena está alinhado com o registrado em pesquisas anteriores do setor.
Conclusão Estratégica Financeira e Perspectivas Futuras
A queda na moagem de cana no centro-sul do Brasil, agravada pelas chuvas de setembro, apresenta impactos econômicos multifacetados. Diretamente, afeta a receita das usinas, reduzindo o volume de açúcar e etanol disponíveis para comercialização. Indiretamente, pode gerar pressões inflacionárias em produtos derivados e afetar o setor de logística e transporte.
Para investidores e empresários do setor, os riscos financeiros incluem a diminuição da rentabilidade devido à menor produção e potenciais custos adicionais para a recuperação de áreas alagadas. Oportunidades podem surgir para empresas com maior capacidade de adaptação climática, tecnologias de gestão hídrica e diversificação de portfólio, incluindo biocombustíveis avançados.
A tendência futura aponta para um cenário de maior volatilidade e incerteza climática. A dependência de ciclos de chuva e a influência de fenômenos como o El Niño exigirão das usinas estratégias mais robustas de planejamento e gestão de riscos. Acredito que a capacidade de adaptação e inovação tecnológica serão cruciais para a sustentabilidade e competitividade do setor no longo prazo, com potencial impacto no valuation das empresas.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
E você, como avalia esse cenário para a safra de cana? Quais estratégias você acredita que as usinas devem adotar para mitigar os impactos climáticos? Deixe sua opinião nos comentários!



