Rafi da XP narra perda milionária com Telemar: alavancagem extrema e a dura jornada para recuperar capital
No volátil universo do mercado financeiro, a experiência é a maior professora. Raphael Figueredo, o Rafi, estrategista de ações da XP, compartilhou em entrevista recente um dos episódios mais marcantes e dolorosos de sua trajetória: uma operação altamente alavancada em ações da antiga Telemar, hoje Oi, que resultou em perdas significativas e demandou três anos para a recuperação do capital.
Este incidente não apenas comprometeu resultados financeiros subsequentes, mas também redefiniu fundamentalmente a abordagem de Rafi em relação ao risco e à alavancagem. A história serve como um alerta valioso para investidores sobre os perigos de posições excessivamente arriscadas.
A narrativa de Rafi, apresentada no episódio 261 do programa GainCast, oferece insights profundos sobre gestão de risco, o uso consciente da alavancagem e os aprendizados cruciais que moldam a carreira de um profissional do mercado financeiro.
A fonte principal desta matéria é InfoMoney.
A Operação Arriscada com Venda de Volatilidade
A operação em questão envolvia uma estratégia de venda de volatilidade utilizando opções de ações da Telemar. Rafi havia montado uma posição consideravelmente maior do que o patrimônio inicialmente destinado ao trade, dependendo de um cenário de relativa estabilidade do ativo para que a estratégia fosse bem-sucedida.
“E aquele dia eu exagerei. Comprei 1 para 8 nessa estrutura, e vendendo o vol. Eu tinha ajustado o Delta, mas já estava com uma noção de que Telemar não poderia cair mais de 2,5%, porque iria começar a comprometer um pouco. O risco iria ficar muito alto dada a realidade do trade”, admite Rafi.
O cenário se complicou quando uma notícia negativa inesperada atingiu a companhia, provocando uma queda abrupta nas ações. Essa movimentação ultrapassou o limite que Rafi considerava administrável para a posição, elevando o risco de forma exponencial.
“E, quando você faz esse tipo de operação, você pode perder o que você não tem, ou seja, você tem que, no final das contas, depositar dinheiro na corretora”, alerta o estrategista.
O Dia do Congelamento e a Coragem Adiada
Ao presenciar a queda das ações, Rafi relatou ter percebido imediatamente a magnitude do problema. No entanto, a impossibilidade de encerrar a posição no mesmo pregão agravou a situação. A zeragem só ocorreu no dia seguinte, quando parte da estrutura já havia sido severamente afetada.
“Telemar teve uma notícia ruim. A ação desmoronou, caiu 4,5% naquele momento. E a primeira realidade foi congelar no monitor, e eu falei assim: ‘Se continuar assim, vou quebrar.’ Eu estopei no dia seguinte. Não tive coragem de stopar no mesmo dia”, recorda.
Apesar da dimensão da perda, Rafi ressalta que existia uma separação entre o capital destinado às operações e o restante de seu patrimônio pessoal. “Você põe o que tem para perder e não para quebrar a vida”, enfatiza, destacando a importância de proteger o patrimônio principal.
Três Anos de Recuperação e a Revisão do Risco
O impacto financeiro da operação não se limitou ao momento do encerramento da posição. Rafi revelou que precisou recorrer ao apoio financeiro de seu pai para reconstruir o capital destinado às operações e retornar ao mercado com segurança.
“Nos três anos seguintes, eu comecei, voltei a ganhar dinheiro, mas os três anos era para cobrir a perda e não para acumular riqueza”, relata, evidenciando o longo caminho percorrido para simplesmente zerar o prejuízo.
Rafi atribui o prejuízo integralmente às suas próprias decisões, sem culpar fatores externos. Para ele, reconhecer o erro foi um passo fundamental para continuar operando e para reavaliar a exposição ao risco assumida em suas negociações.
Entre os erros apontados estão deixar a mesa de operações com uma posição excessivamente alavancada, a falta de mecanismos de proteção adequados e a manutenção de uma exposição incompatível com o risco real da operação. “O erro foi meu, de levantar da mesa, de não ter colocado stop adequado, de não ter colocado guard rail ao longo do caminho”, reconhece.
Aprendizado com a Perda: Sobreviver Antes de Lucrar
Essa experiência traumática reforçou uma convicção que passou a guiar a atuação de Rafi: a sobrevivência no mercado deve ser prioritária em relação à busca por retornos expressivos. Para ele, o investidor precisa não apenas dimensionar o quanto pode perder, mas também utilizar os erros como ferramenta para entender seus próprios limites.
“Você tem que reconhecer que assumiu riscos muito maiores do que poderia. Permita-se perder daquilo que você consegue perder para você aprender, se autorreconhecer. Esse é o avanço do mundo do trader”, destaca.
Nesse processo de evolução, o autoconhecimento se torna um pilar essencial. Entender os motivos que levaram uma operação a sair do controle é crucial para evitar a repetição de comportamentos inadequados em futuras situações de pressão no mercado.
“Se você não se autorreconhecer ali, cara, você está frito, porque o mercado vai te colocar de novo numa posição desta e talvez não haja uma segunda chance para se recuperar”, alerta Rafi, reforçando a importância da humildade e da autocrítica no trading.
Conclusão Estratégica: A Gestão de Risco como Pilar de Longevidade no Mercado
O episódio vivido por Rafi com a Telemar ilustra os impactos diretos e indiretos que uma gestão de risco falha pode acarretar. A necessidade de recorrer a terceiros para recompor capital e os três anos dedicados apenas a cobrir perdas demonstram como um único erro pode comprometer o progresso financeiro por um longo período.
As oportunidades de aprendizado, contudo, são imensas. A lição sobre a prioridade da sobrevivência em detrimento da busca desenfreada por lucros é fundamental. Para investidores e gestores, isso se traduz na importância de estabelecer limites claros de perda, utilizar stop losses eficazes e evitar alavancagem excessiva, especialmente em ativos voláteis ou de menor liquidez.
A experiência reforça a necessidade de autoconhecimento e disciplina. Operações que saem do controle muitas vezes refletem falhas comportamentais, como a excessiva confiança ou o medo. Reconhecer esses padrões e desenvolver mecanismos de controle é vital para a sustentabilidade no mercado financeiro, evitando que um mesmo erro se repita, o que poderia levar a perdas irreversíveis.
A tendência futura aponta para um mercado cada vez mais complexo e volátil, onde a capacidade de gerenciar riscos e adaptar estratégias será um diferencial competitivo. A história de Rafi serve como um estudo de caso sobre a importância de construir uma base sólida de capital e de conhecimento, priorizando a preservação em detrimento de ganhos especulativos de curto prazo.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
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