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Mercado Financeiro

Etanol de Milho no Brasil: Produção pode Atingir 1/3 do Total em 2028, Superando Expectativas

Por Vinícius Hoffmann Machado25 set 20266 min de leitura
Etanol de Milho no Brasil: Produção pode Atingir 1/3 do Total em 2028, Superando Expectativas

Resumo

Etanol de Milho no Brasil: Produção pode Atingir 1/3 do Total em 2028, Superando Expectativas

O setor de etanol de milho no Brasil está prestes a vivenciar uma expansão sem precedentes. Novas projeções da consultoria StoneX indicam que o etanol de milho poderá representar um terço de toda a produção nacional já em 2028, antecipando em dois anos as previsões de mercado mais conservadoras. Este avanço sinaliza uma mudança significativa na matriz de produção de biocombustíveis do país.

Atualmente, o etanol derivado do milho já responde por cerca de 27% da produção brasileira na safra 2026/27. A expectativa é que essa participação salte para 33,6% na safra 2027/28, impulsionada pela entrada em operação de oito novas usinas e pela expansão da capacidade de outras cinco unidades. Essa aceleração demonstra a crescente relevância do milho como matéria-prima para a produção de biocombustíveis no Brasil.

A projeção de que o etanol de milho alcançará um terço da produção total do país até 2028 é um marco importante. A StoneX antecipa que essa fatia subirá para 28% em 2026/27, com um ritmo de crescimento ainda mais acelerado na temporada seguinte. A capacidade produtiva deve iniciar em abril de 2027 com 38.900 metros cúbicos por dia, atingindo 51.200 metros cúbicos diários até o final de março de 2028, segundo a consultoria.

StoneX

Crescimento Acelerado da Capacidade Produtiva de Etanol de Milho

A projeção da StoneX aponta para um aumento expressivo na produção de etanol de milho na safra 2027/28, que deve atingir 13,6 bilhões de litros. Este volume representa um crescimento de 29,7% em comparação com o ano anterior. Em contrapartida, a produção de etanol de cana-de-açúcar, que tem se mantido relativamente estável nos últimos anos, está prevista para atingir 26,9 bilhões de litros na mesma safra. Com isso, o etanol de milho se consolida como o principal motor para que a produção total de etanol do Brasil alcance recordes sucessivos.

A consultoria estima que a produção total de etanol no país subirá de 33,7 bilhões de litros na safra 2025/26 para 37,8 bilhões de litros em 2026/27 e, subsequentemente, para 40,5 bilhões de litros em 2027/28. Essa trajetória ascendente reflete o dinamismo do setor e a crescente adoção de novas tecnologias e matérias-primas.

O Desafio da Demanda para o Etanol de Milho

O rápido crescimento na oferta de etanol de milho levanta uma questão crucial para o setor: onde será consumido esse volume adicional? Ligia Heise, consultora de gestão de riscos da StoneX, ressalta a necessidade de expandir a demanda para absorver o aumento da produção. “Teremos quase 3 bilhões de litros a mais de etanol chegando ao mercado entre 2027 e 2028, criando uma necessidade significativa de demanda adicional”, afirmou Heise.

Apesar do aumento projetado na oferta, Letícia Correa, analista da StoneX, aponta que ainda não há preocupações generalizadas com os preços, pois a demanda tende a responder de forma mais robusta em 2027. Dados do segundo semestre de 2026 já indicam uma melhora no consumo de etanol hidratado, o combustível utilizado diretamente em veículos flex. A demanda pode se fortalecer ainda mais se o etanol se tornar mais competitivo em relação à gasolina, com a StoneX prevendo uma melhora de sete pontos percentuais na paridade de preço entre os dois combustíveis.

Impacto das Políticas de Mistura na Gasolina

Para o etanol anidro, que é misturado à gasolina conforme um mandato governamental, o consumo dependerá fortemente dos futuros requisitos de mistura. Atualmente, a mistura de gasolina no Brasil é de E32, o que significa 32% de etanol anidro. O mandato é temporário, com validade de seis meses até janeiro, podendo ser estendido por mais seis meses. A StoneX estima o consumo de etanol anidro em 14,75 bilhões de litros na safra atual de 2026/27.

As projeções futuras variam significativamente dependendo das políticas de mistura. Se o E32 for mantido até agosto de 2027, o consumo aumentaria 3,7% ano a ano na safra 2027/28, adicionando cerca de 550 milhões de litros à demanda. Por outro lado, a adoção de um mandato E35 (35% de etanol na gasolina) em agosto de 2027, defendida pela indústria de biocombustíveis, poderia elevar o consumo de etanol anidro em 10,3%, agregando 1,52 bilhão de litros à demanda doméstica.

Contudo, caso o mandato retorne para E30 em agosto de 2027, o consumo doméstico em 2027/28 cairia 0,6%, resultando em uma redução de aproximadamente 90 milhões de litros na demanda. Essa sensibilidade às políticas de mistura evidencia a importância de um planejamento claro e estável para o setor.

Conclusão Estratégica Financeira para o Etanol de Milho

A rápida expansão da produção de etanol de milho apresenta um cenário de oportunidades e desafios para o agronegócio brasileiro. Os impactos econômicos diretos incluem o fortalecimento da cadeia produtiva do milho, a geração de empregos no campo e na indústria, e o aumento da receita para os produtores rurais. Indiretamente, o país se beneficia da diversificação energética e da redução da dependência de combustíveis fósseis.

Oportunidades financeiras residem na atratividade de investimentos em novas usinas e na expansão das existentes, com potencial de retorno atrelado ao crescimento do mercado de biocombustíveis. Riscos incluem a volatilidade dos preços do milho e do petróleo, a dependência de políticas governamentais de mistura e a necessidade de garantir a expansão da demanda para absorver a oferta crescente. Efeitos em margens, custos e receita dependerão da eficiência operacional e da capacidade de precificação em um mercado competitivo.

Minha leitura do cenário é que o etanol de milho se consolidará como um pilar fundamental da matriz energética brasileira. Para investidores, empresários e gestores, a tendência futura aponta para a necessidade de estratégias de longo prazo que considerem a expansão da capacidade produtiva em paralelo com o desenvolvimento de novos mercados e aplicações para o etanol, além de um acompanhamento atento às políticas regulatórias.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

Qual a sua opinião sobre o futuro do etanol de milho no Brasil? Deixe sua dúvida ou comentário abaixo!

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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