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Mercado Financeiro

Juros Futuros Disparam: Corte de 0,5 pp da Selic em Março em Risco com Conflito no Oriente Médio e Inflação em Alta

Por Vinícius Hoffmann Machado07 mar 20264 min de leitura
Juros Futuros Disparam: Corte de 0,5 pp da Selic em Março em Risco com Conflito no Oriente Médio e Inflação em Alta

Resumo

Juros Futuros Disparam: Corte de 0,5 pp da Selic em Março em Risco com Conflito no Oriente Médio e Inflação em Alta

Os juros futuros negociados na B3 registraram forte alta nesta sexta-feira, 6, em um movimento que desafia as expectativas de mercado. A escalada do conflito no Oriente Médio e a consequente disparada nos preços do petróleo têm levado os investidores a reverem suas projeções para a inflação e a política monetária.

O cenário de incerteza global intensifica a volatilidade nos mercados financeiros. A aversão ao risco, impulsionada pela guerra, impacta diretamente os ativos de renda fixa, elevando as taxas de juros de médio e longo prazo e colocando em xeque o ritmo esperado de cortes na taxa Selic.

Antes considerado praticamente certo, um corte de 0,5 ponto porcentual na Selic em março agora figura como uma chance minoritária nas precificações da curva a termo. Há, inclusive, especulações sobre a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) optar por manter os juros inalterados na próxima reunião, diante do cenário inflacionário incerto.

Mercado Reavalia Impacto da Geopolítica nos Juros

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para prazos mais longos refletiram a aversão ao risco. O DI para janeiro de 2027 aumentou de 13,505% para 13,67%, enquanto o DI para janeiro de 2029 avançou para 13,3% e o de janeiro de 2031 atingiu 13,715%. Essa movimentação semanal acentuou a inclinação da curva de juros, com deslocamentos expressivos para cima.

O economista Marcelo Fonseca, do Grupo CVPAR, destaca que a normalização do fluxo de petróleo é crucial. O estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do óleo mundial, permanece sob ameaça, e ataques a refinarias regionais comprometem a oferta da commodity, pressionando os preços e, consequentemente, a inflação.

Fonseca também aponta que a maior deterioração dos DIs, comparada à Bolsa e ao dólar, pode ser explicada pela redução generalizada de posições. “O DI tem volatilidade muito grande quando eventos assim acontecem. A liquidez desaparece e o mercado fica unidirecional”, explicou.

Corte de 0,5 pp da Selic em Março Perde Força

Um economista de uma grande tesouraria, que preferiu não se identificar, comentou que os juros futuros apresentaram uma dinâmica pior nesta sexta-feira, com um movimento que parece mais técnico, com investidores “stopando” posições para limitar prejuízos. Isso fortalece a alta das taxas.

Para este especialista, um corte de 0,5 ponto porcentual na Selic em março torna-se mais improvável. “Se continuar assim, é um corte de 25 pontos, ou zero”, avaliou, ecoando a preocupação com o aumento das incertezas no ambiente externo.

Segundo Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, a curva precificava cerca de 65% de probabilidade de corte de 0,25 ponto na Selic este mês, contra 50% no dia anterior. A taxa para o final de 2026 subiu a 12,95%. Serrano mantém sua previsão de corte de 50 pontos-base em março, mas admite que pode ser de 25 pontos, dependendo dos próximos dias.

Análise Estratégica Financeira

O recente aumento nas taxas de juros futuros, impulsionado por tensões geopolíticas e preocupações inflacionárias, sinaliza um cenário de maior cautela para os investimentos. A incerteza quanto ao ritmo de cortes da Selic pode afetar decisões de crédito e consumo no curto prazo.

Riscos incluem uma inflação mais persistente, que forçaria o Banco Central a manter juros elevados por mais tempo, impactando o valuation de empresas e o custo de capital. Oportunidades podem surgir em ativos que se beneficiam de juros mais altos ou em estratégias de hedge contra a volatilidade.

Empresários e gestores devem monitorar de perto os desdobramentos no Oriente Médio e as comunicações do Copom. A flexibilidade na gestão de custos e a otimização do fluxo de caixa tornam-se ainda mais cruciais em um ambiente de juros voláteis.

A tendência futura aponta para uma maior volatilidade nos mercados, com a política monetária brasileira reagindo tanto a fatores domésticos quanto a choques externos. Investidores devem considerar uma alocação mais diversificada e com foco em qualidade para mitigar riscos.

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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