McKinsey Revela: A Revolução da Proteína Não é uma Moda Passageira, mas uma Transformação Estrutural no Consumo Brasileiro e Global
A busca por uma alimentação mais saudável e a popularização de medicamentos para perda de peso impulsionam uma nova onda de produtos enriquecidos com proteína no Brasil. De iogurtes e barras de cereal a refeições prontas e até mesmo cervejas, o mercado demonstra uma clara migração em direção a alimentos que oferecem benefícios nutricionais percebidos de forma clara pelos consumidores.
Diferente de tendências anteriores, como produtos orgânicos ou à base de plantas, a ascensão da proteína parece ter uma base sólida. A consultoria McKinsey aponta que a chave para essa longevidade reside na comunicação direta do benefício ao consumidor, um fator crucial para que uma tendência se consolide e não se torne efêmera no dinâmico mercado de alimentos.
A clareza na comunicação de benefícios é um diferencial. Enquanto o conceito de “orgânico” pode ser abstrato para muitos, alegações como “criado sem antibióticos”, “zero açúcar” ou “mais proteína” são facilmente compreendidas e agregam valor imediato à percepção do consumidor sobre o produto que está adquirindo.
A McKinsey destaca que a comunicação clara de benefícios é fundamental para a sustentação de tendências de consumo. Pedro Fernandes, sócio da consultoria, explicou que “o que aprendemos nos últimos anos é que, quando uma alegação não oferece um benefício específico, ela se torna uma moda passageira que não decola”.
Fernandes exemplificou essa dinâmica ao citar o desafio da comunicação de produtos orgânicos no Brasil. Para o consumidor brasileiro, a informação de que um produto foi “criado sem antibióticos” é mais direta e compreensível do que a simples rotulagem como “orgânico”, especialmente em categorias amplamente consumidas como o frango.
A tendência de “mais proteína” e “zero açúcar” apresenta uma clareza que facilita a adesão do consumidor, impulsionando a demanda por esses produtos em diversas categorias de alimentos e bebidas. Essa simplicidade na mensagem é um fator decisivo para a consolidação de mercados.
O caso dos substitutos de carne à base de plantas ilustra as dificuldades de tendências que carecem de clareza ou benefício direto. Mesmo com grandes investimentos e promoções de redes de fast-food, como o McDonald’s em parceria com a Beyond Meat em 2021, a adoção em massa não se concretizou como esperado.
Fernandes observou que, embora exista um nicho para esses produtos, o crescimento não atingiu as expectativas. Ele aponta que, com a expansão do vegetarianismo, os consumidores buscam cada vez mais fontes naturais de proteína, como vegetais, em vez de produtos elaborados para imitar a carne.
A percepção de que a proteína é um nutriente essencial, com benefícios claros para a saúde, tem sido o principal motor dessa transformação. Essa mudança de mentalidade é vista como estrutural, e não apenas uma onda passageira, o que sinaliza um futuro promissor para o setor.
No passado recente, a expectativa de crescimento explosivo em alimentos à base de plantas levou grandes empresas do agronegócio brasileiro, como JBS e Amaggi, a explorar esse mercado. No entanto, a realidade mostrou que a demanda por esses produtos não acompanhou o otimismo inicial.
Gilberto Tomazoni, CEO da JBS, relembrou uma conversa com o executivo Blairo Maggi, que, após retornar do Vale do Silício, sugeriu uma mudança radical na produção, focando em ingredientes como a ervilha. Essa visão, embora não totalmente concretizada em sua forma original, impulsionou a JBS a buscar novas frentes de inovação.
A JBS investiu na BioTech Foods, na Espanha, em 2021, visando a produção de proteína cultivada em escala comercial. Posteriormente, um laboratório de pesquisa foi estabelecido em Florianópolis, aprofundando o conhecimento da empresa em áreas como DNA, RNA e envelhecimento celular.
Esses investimentos, mesmo que inicialmente direcionados a um mercado que não decolou como previsto, criaram uma base de conhecimento valiosa para a JBS capitalizar no atual boom da proteína. A expertise adquirida em biotecnologia abriu portas para a exploração de novas oportunidades.
A empresa busca agora extrair maior valor das matérias-primas existentes em sua cadeia produtiva, identificando atributos que possam ser incorporados a produtos com custos cada vez menores. A ideia é aproveitar ao máximo os componentes nutricionais já disponíveis.
Tomazoni explicou a estratégia: “Como podemos pegar as proteínas que atualmente enviamos para a ração animal e identificar peptídeos ou aminoácidos nelas que nos ajudem a desenvolver nutrição de precisão?” Essa pergunta reflete um olhar inovador sobre os resíduos e subprodutos da produção.
Essa abordagem já está gerando resultados significativos nos Estados Unidos, um dos maiores mercados consumidores do mundo. A marca Just Bare, da JBS, que oferece frango criado sem antibióticos e livre de hormônios, alcançou US$ 1 bilhão em vendas e 15% de participação de mercado em apenas cinco anos.
O sucesso da Just Bare nos EUA demonstra o potencial de mercado para produtos com alegações claras de saúde e qualidade. A marca se posicionou de forma eficaz, comunicando os benefícios de forma direta ao consumidor.
Tomazoni ressaltou a importância do reconhecimento do valor nutricional da proteína como um divisor de águas. “Para mim, a grande mudança é o reconhecimento do valor nutricional da proteína. Esta é uma grande mudança que não vai retroceder. Não é uma onda, é estrutural”, afirmou.
A análise da McKinsey e os resultados práticos da JBS indicam que o mercado de alimentos ricos em proteína está consolidado. A tendência não é passageira, mas sim uma transformação profunda nas preferências dos consumidores e nas estratégias das empresas do setor.
A capacidade de comunicar benefícios claros, como “mais proteína” ou “zero açúcar”, é um diferencial competitivo. Empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento para oferecer produtos com essas características tendem a prosperar.
A transição para uma nutrição de precisão, onde os alimentos são formulados para atender necessidades específicas, é uma fronteira promissora. A exploração de peptídeos e aminoácidos de fontes tradicionais representa uma oportunidade de agregar valor e criar novos produtos.
A experiência da JBS com a marca Just Bare nos EUA serve como um estudo de caso para o mercado brasileiro. A estratégia de focar em qualidade, saúde e comunicação direta com o consumidor pode ser replicada com sucesso.
O impacto no agronegócio brasileiro é substancial, com potencial para impulsionar a demanda por matérias-primas de alta qualidade e incentivar a inovação em processamento e desenvolvimento de produtos. A cadeia produtiva como um todo se beneficia dessa nova demanda.
Conclusão Estratégica Financeira
A atual tendência de “Protein Boom” representa um impacto econômico direto e indireto significativo para o setor agroalimentar. Empresas que se adaptarem rapidamente, investindo em pesquisa, desenvolvimento e marketing de produtos com alto teor de proteína e benefícios nutricionais claros, colherão os frutos. Oportunidades surgem na diversificação de portfólio, na otimização de processos para extrair maior valor de subprodutos e na criação de marcas fortes com comunicação transparente.
Os riscos residem na saturação do mercado se a comunicação não for clara, ou na incapacidade de inovar diante da crescente demanda por novas soluções nutricionais. Empresas que ignorarem essa mudança estrutural podem perder relevância e participação de mercado. A tendência sugere um aumento na receita e potencial valorização de empresas focadas em nutrição de precisão e produtos com valor agregado.
Para investidores e gestores, a leitura do cenário é clara: a proteína é um pilar estratégico para o futuro do consumo. A diversificação para além de produtos básicos, com foco em ingredientes funcionais e nutrição personalizada, é o caminho para a sustentabilidade e crescimento. Acredito que o futuro próximo verá uma maior integração entre a produção primária, a biotecnologia e o desenvolvimento de produtos alimentícios inovadores, moldando um cenário onde a saúde e a nutrição de precisão ditam as regras do mercado.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
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