Zilor Investe em Eficiência e Crescimento em Mercado Sucroenergético Volátil
O setor sucroenergético brasileiro enfrenta um período de intensos desafios, marcado por condições climáticas adversas e flutuações nos preços de commodities. Neste cenário, a Zilor, um dos grupos mais tradicionais do país, tem direcionado seus esforços para otimizar a eficiência operacional e buscar oportunidades de crescimento estratégico. A empresa, cofundadora e acionista majoritária da Copersucar, tem demonstrado resiliência, alcançando resultados notáveis em moagem e Ebitda no último ano-safra, apesar das intempéries.
O CEO Andre Inserra, que assumiu a liderança em um momento de transição, destaca a forte dependência do negócio em relação às chuvas e a necessidade de adaptação às oscilações climáticas. “Ninguém me disse que o negócio dependia tanto da chuva”, comentou Inserra, evidenciando a curva de aprendizado no setor agro. A empresa busca equilibrar a produção tradicional de açúcar, etanol e bioeletricidade com a inovação, como demonstra a recente venda de participação na sua divisão de biotecnologia, a Biorigin.
A estratégia da Zilor neste ano desafiador tem sido multifacetada, combinando a consolidação do core business com uma gestão financeira prudente e a exploração de novas frentes de negócio. A aquisição da usina Salto Botelho Agroenergia no final de 2024 ampliou a capacidade produtiva, enquanto o foco em eficiência e a busca por um perfil mais “leve” na estrutura financeira visam mitigar os riscos inerentes ao mercado. A empresa também se mantém atenta às oportunidades de consolidação no setor.
Eficiência Operacional e Crescimento Orgânico em Foco
A Zilor registrou moagem e Ebitda recordes em 2025, com 12,7 milhões de toneladas e R$ 1,3 bilhão, respectivamente. Parte desse desempenho foi impulsionada pela aquisição da usina Salto Botelho Agroenergia, que aumentou em 15% a capacidade da companhia. No entanto, o crescimento orgânico de 6% na moagem, em um contexto de preços baixos de açúcar e etanol e custos elevados, demonstra a eficácia das estratégias de otimização implementadas.
O cenário de custos foi agravado pela guerra no Irã, elevando os preços de diesel e fertilizantes. No primeiro trimestre, a Zilor sentiu o impacto, com um prejuízo de R$ 73 milhões, revertendo o lucro do mesmo período anterior. A receita líquida caiu 16% e o Ebitda recuou 39%, reflexos do clima adverso e da pressão sobre os preços. Apesar disso, a empresa mantém o cuidado com o canavial, buscando aumentar a participação de cana própria para 50% em três anos.
Gestão Financeira e Flexibilidade para Mitigar Riscos
Em resposta ao cenário desafiador, a Zilor tem se esforçado para “ficar mais leve”, mantendo a alavancagem baixa em 1,5 vez o Ebitda e implementando cortes de custos. A empresa evitou demissões, mas segurou contratações, buscando otimizar a operação sem comprometer o capital humano. Essa gestão financeira permitiu um resultado 10% acima do planejado para 2025.
A flexibilidade para alternar a produção entre açúcar e etanol conforme a variação de preços tem sido crucial. A empresa também realizou hedge no açúcar, garantindo previsibilidade. Com a meta de moagem próxima à capacidade em 2026, em 14 milhões de toneladas, a Zilor vislumbra novas aquisições, com apetite para digerir de 4 a 6 milhões de toneladas adicionais, desde que alinhadas geograficamente e com cautela devido aos juros altos.
Governança e Inovação como Pilares Estratégicos
A chegada de Andre Inserra à CEO marcou um avanço na governança corporativa da Zilor, sendo o primeiro executivo fora da família fundadora a liderar a empresa. Essa mudança consolidou a “visão de futuro” em dois segmentos chave: a geração de bioeletricidade a partir do bagaço da cana, onde a empresa produz 100% de sua demanda e vende o excedente, e a biotecnologia.
A venda de 70% da Biorigin para a francesa Lesaffre liberou capital e energia para focar no core business e possibilitou a aquisição da Salto Botelho. A Biorigin, focada em ingredientes naturais derivados de leveduras, embora não altere significativamente o faturamento da Zilor, é vista como um motor para novos negócios com base no Brasil. A empresa também avalia a entrada no etanol de milho, mas com cautela em relação ao equilíbrio entre oferta e demanda no curto prazo.
Conclusão Estratégica: Navegando a Complexidade do Setor Sucroenergético
A estratégia da Zilor de focar em eficiência operacional, otimização de custos e aquisições estratégicas, como a da Salto Botelho, demonstra uma abordagem prudente e voltada para o longo prazo em um setor intrinsecamente volátil. A capacidade de adaptação às condições climáticas e de mercado, aliada a uma gestão financeira rigorosa, tem sido fundamental para a empresa manter sua resiliência e alcançar resultados recordes em moagem e Ebitda em 2025, apesar dos desafios conjunturais.
Os riscos financeiros residem na dependência climática, na volatilidade dos preços das commodities e no aumento dos custos de insumos, como diesel e fertilizantes, potencializados por eventos geopolíticos. Por outro lado, as oportunidades de consolidação no setor, a expansão da capacidade produtiva e o foco crescente em bioenergia e biocombustíveis sustentáveis representam caminhos promissores. A empresa busca manter uma alavancagem controlada, em 1,5 vez o Ebitda, e visa aumentar sua participação de cana própria.
Para investidores e gestores, a leitura do cenário sugere que empresas com modelos de negócio flexíveis, focados em eficiência e com capacidade de investimento estratégico, tendem a se destacar. A Zilor, ao equilibrar a tradição com a busca por inovação e expansão cautelosa, posiciona-se para navegar as complexidades do mercado sucroenergético. A tendência futura aponta para um setor cada vez mais dependente de tecnologia, sustentabilidade e gestão de riscos, onde a Zilor demonstra estar atenta.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
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