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Mercado Financeiro

Lula busca reconquistar trabalhadores de app e autônomos: o desafio do PT em 2024

Por Vinícius Hoffmann Machado17 ago 20267 min de leitura
Lula busca reconquistar trabalhadores de app e autônomos: o desafio do PT em 2024

Resumo

Lula lança campanha em berço sindical histórico com novo desafio: reconquistar trabalhadores de aplicativos e autônomos

Em um cenário político cada vez mais fragmentado e com novas dinâmicas de trabalho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou sua última campanha presidencial em um local simbólico: o Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), palco de grandes greves que marcaram sua trajetória. No entanto, o desafio atual é distinto do passado. Lula precisa agora atrair uma nova geração de trabalhadores, muitos deles atuando em aplicativos e com pouca ligação com os sindicatos e o modelo tradicional de emprego formal, que já foi a base do Partido dos Trabalhadores.

Aos 80 anos, o presidente reconhece a transformação profunda no mundo do trabalho. A espinha dorsal do PT, composta por operários do chão de fábrica, deu lugar a uma força de trabalho mais flexível, autônoma e, por vezes, cética em relação à intervenção estatal. Essa mudança exige uma adaptação significativa na mensagem e nas propostas do partido, que busca se reconectar com esses eleitores em um ano eleitoral crucial.

A campanha de Lula para outubro mira essa nova realidade com propostas como a redução da jornada de trabalho e a busca por proteções para trabalhadores de aplicativos, incluindo regras sobre remuneração, condições de trabalho e benefícios previdenciários. Contudo, a resistência empresarial e o ceticismo de parte desses trabalhadores representam obstáculos consideráveis, em um nicho que o principal rival de Lula, Flávio Bolsonaro, já demonstra interesse em disputar.

Fonte: Reuters

A ascensão da economia de bicos e o dilema petista

O cerne da estratégia de Lula reside em lidar com o crescimento expressivo dos empregos fora do sistema formal. Dados do IBGE revelam que, embora o número de ocupados tenha aumentado, a formalidade diminuiu. Em dezembro de 2010, ao final do segundo mandato de Lula, 46,7% dos trabalhadores tinham carteira assinada. Em dezembro de 2025, essa taxa caiu para 38,2%, mesmo com a taxa de desemprego em seu menor nível.

Lula tem enfatizado a criação de empregos formais como um pilar de sua gestão, destacando a geração de mais de 10 milhões de vagas nos últimos anos. No entanto, a realidade de muitos trabalhadores, como Darlan Almeida, de 27 anos, que migrou do emprego formal para entregas por aplicativo, revela outra perspectiva. Ele relata ganhos significativamente maiores no trabalho autônomo, apesar das despesas adicionais.

A experiência de Darlan, cujo pai era operário e admirador de Lula, contrasta com a sua própria visão. Ele, que não herdou a mesma admiração, foca em melhorias para os entregadores, mas expressa dúvidas sobre a capacidade do governo em compreender suas necessidades. “Eles não sabem do que a gente precisa nem como a gente trabalha. Deveriam passar um dia com a gente nas ruas”, afirma, exemplificando o distanciamento entre a política tradicional e a realidade dos trabalhadores de plataforma.

A flexibilidade versus a proteção: o voto de Darlan e Eduardo Marini

O grupo de trabalhadores de aplicativos, estimado em 2,1 milhões no Brasil, cresceu 170% entre 2015 e 2025. Para Eduardo Marini Filho, 51 anos, a flexibilidade é o principal atrativo, e não as proteções do emprego formal, do qual ele se afastou após anos em trabalhos temporários. Apesar de reclamar das condições, ele também expressa receio de que a regulamentação governamental ameace sua autonomia.

A visão de Marini reflete uma crítica comum à intervenção estatal. “Se impuserem uma exigência mínima de tarifa, como o governo quer, acho que a Uber vai sair do país”, comenta, evidenciando a preocupação com possíveis impactos negativos de regulamentações propostas pelo governo.

Pesquisadores apontam que o surgimento desse grupo é reflexo de mudanças econômicas mais amplas. Oswaldo Amaral, do Centro de Estudos de Opinião Pública da Unicamp, explica que a recessão de 2015-2016 impulsionou trabalhadores para o informal e, subsequentemente, para plataformas digitais. Muitos se veem como seus próprios patrões, rejeitando a necessidade de intervenção governamental, o que, segundo ele, os inclina à direita.

Crise de identidade: o PT em busca de um novo norte

As tentativas do governo Lula de regulamentar o trabalho por aplicativos em 2024 esbarraram na resistência de empresas de tecnologia e na desconfiança dos trabalhadores. O desafio para o PT, partido que nasceu para defender os trabalhadores, é adaptar sua mensagem a essa nova realidade. Marco Teixeira, professor da FGV, observa que o PT, com suas raízes no emprego formal e na relação empregador-empregado, tem dificuldade em se conectar com trabalhadores de aplicativos, que não se encaixam nessa dicotomia.

Uma pesquisa encomendada pelo PT ao Vox Populi revela a ambivalência desse grupo: a maioria deseja ser empreendedora, mas também valoriza direitos trabalhistas. Medidas como adicional de periculosidade, auxílio por doença/acidente e um piso salarial mínimo são apontadas como cruciais.

Rogério do Santo, 43 anos, motorista de aplicativo, exemplifica essa busca. Após sete anos na profissão, ele agora procura um emprego formal, citando a queda nas tarifas e a falta de representação organizada como fatores limitantes. Sua situação sugere um caminho para o PT: muitos rejeitam rótulos, mas anseiam por proteção.

Conclusão Estratégica Financeira

A busca de Lula e do PT por reconquistar os trabalhadores de aplicativos e autônomos possui implicações econômicas e políticas significativas. A regulamentação desses setores pode gerar custos adicionais para as plataformas, impactando suas margens e modelos de negócio, o que pode se refletir em repasses aos consumidores ou em reestruturações operacionais. Para os trabalhadores, a possibilidade de maior segurança e direitos pode aumentar a receita líquida e a estabilidade financeira, mas também pode haver o receio de perda de flexibilidade e de aumento de custos.

As oportunidades residem na criação de um marco regulatório que equilibre a inovação e a proteção social, potencialmente impulsionando um consumo mais estável e a formalização de parte dessa economia. Os riscos incluem a fuga de empresas, a resistência à implementação de novas regras e a dificuldade em engajar uma parcela da força de trabalho que valoriza a autonomia acima de tudo. Para empresários e gestores, a tendência é a necessidade de adaptação a novas exigências trabalhistas e a busca por modelos de negócio que incorporem essas demandas de forma sustentável.

A minha leitura do cenário é que, a médio e longo prazo, a pressão por regulamentação tende a aumentar globalmente. O Brasil, ao tentar avançar nesse debate, pode se tornar um laboratório para outras economias em desenvolvimento. A forma como o governo e as plataformas negociarão definirá o futuro do trabalho digital no país, com potenciais efeitos em investimentos em tecnologia e na atratividade do mercado brasileiro para novos empreendimentos.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

E você, o que pensa sobre essa nova dinâmica do mundo do trabalho e as propostas do governo? Deixe sua opinião, dúvida ou crítica nos comentários abaixo. Sua participação enriquece nosso debate!

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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