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Mercado Financeiro

Crédito em Alerta: Bancos Brasileiros Fecham as Portas para Baixa Renda e Pedem Mais Garantias com Economia Instável

Por Vinícius Hoffmann Machado16 ago 20266 min de leitura
Crédito em Alerta: Bancos Brasileiros Fecham as Portas para Baixa Renda e Pedem Mais Garantias com Economia Instável

Resumo

Crédito em Alerta: Bancos Brasileiros Fecham as Portas para Baixa Renda e Pedem Mais Garantias com Economia Instável

Os maiores bancos do Brasil iniciaram um movimento de endurecimento na concessão de crédito. Diante de sinais de deterioração nas finanças das famílias, as instituições financeiras estão priorizando produtos com garantia e clientes de renda mais alta. Essa mudança de estratégia ocorre mesmo em um cenário de mercado de trabalho ainda forte e de uma economia que, em geral, tem superado expectativas.

A temporada de balanços do segundo trimestre, que envolveu Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander Brasil, ecoou uma mensagem uníssona: redução da exposição a tomadores de crédito mais arriscados e ao crédito sem garantia. As instituições financeiras parecem se preparar para uma fase mais desafiadora do ciclo de crédito, após anos em que o endividamento das famílias sustentou o crescimento econômico.

Essa postura defensiva dos bancos reflete preocupações de que a economia brasileira esteja se aproximando de uma desaceleração. A analista Katherine Hennings, da consultoria BRCG, explica que períodos de forte crescimento do crédito, acompanhados por rápida elevação do endividamento familiar, historicamente foram seguidos por desacelerações mais profundas do consumo. A situação atual é incomum, pois a deterioração financeira das famílias ocorreu mesmo com baixo desemprego e renda em alta, elevando o comprometimento de renda a níveis recordes.

A análise de fontes financeiras indica que essa deterioração se deve a uma combinação de fatores. Regulamentações, a expansão das fintechs e a adoção de meios digitais de pagamento ampliaram o acesso ao crédito. Contudo, políticas de estímulo ao consumo e crédito, incluindo iniciativas recentes, também contribuíram para o aumento do endividamento, muitas vezes por meio de modalidades sem garantia e de alto custo, como cartão de crédito e empréstimo pessoal – justamente os produtos que os bancos agora evitam para clientes de menor renda.

Bancos Priorizam Clientes de Maior Renda e Produtos com Garantia

A mudança de foco dos bancos é clara. Enquanto a projeção de crescimento do PIB para o próximo ano é de 1,5%, segundo a pesquisa Focus do Banco Central, executivos de bancos como o Banco do Brasil já sinalizam expansão menor para os próximos anos. Geovanne Tobias, vice-presidente de Finanças do BB, destacou que a redução da inadimplência virá do foco em crédito consignado, tanto público quanto privado.

Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú, foi um dos mais contundentes ao afirmar que o volume de crédito distribuído no mercado é excessivo e que o comprometimento de renda das famílias atingiu níveis preocupantes. Para lidar com o cenário, o Itaú tem priorizado operações com garantia. Essa tendência é compartilhada por outros grandes bancos.

Marcelo Noronha, presidente do Bradesco, ressaltou que o banco se tornou mais seletivo, com um apetite significativamente menor por clientes de menor renda. A carteira do Bradesco está, hoje, mais respaldada por garantias. O Santander Brasil também reduziu sua exposição a clientes com renda mensal inferior a R$ 4 mil, cerca de 2,5 vezes o salário mínimo, citando preocupações com a sustentabilidade do emprego e do apoio governamental em caso de desaceleração econômica.

Essa retração do Santander atinge uma parcela considerável da força de trabalho brasileira, já que aproximadamente 70% dos ocupados recebem até dois salários mínimos. Carlos Muñiz, diretor financeiro do Santander Brasil, afirmou que o banco não competirá mais por clientes nessa faixa de renda e que, para rendas superiores, a preferência será por operações com algum tipo de garantia. O Banco do Brasil, por sua vez, tem como meta estratégica aumentar em 25% o número de clientes de “alto valor” até 2030.

Nubank Enfrenta Crescimento da Inadimplência em Modalidades sem Garantia

O Nubank, maior banco digital do Brasil, que concentra sua carteira em cartões de crédito e outras modalidades sem garantia, também sente os efeitos do cenário. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 6,9% no segundo trimestre, um aumento em relação ao trimestre anterior e ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, o banco listado nos EUA registrou crescimento de lucro acima do esperado, impulsionado por maiores receitas e melhora da margem financeira ajustada ao risco.

A administração do Nubank sustenta que não observa uma deterioração generalizada entre os consumidores, mesmo diante de um ambiente macroeconômico mais cauteloso. No entanto, o aumento da inadimplência em suas principais linhas de produto é um sinal de alerta para o setor como um todo, indicando que os riscos associados ao crédito sem garantia estão se materializando.

Impactos da Nova Estratégia de Crédito no Cenário Econômico

A mudança de postura dos bancos em relação à concessão de crédito tem implicações diretas e indiretas na economia. Ao restringir o acesso a crédito, especialmente para a população de menor renda e para operações sem garantia, os bancos podem desacelerar o consumo e o investimento. Isso pode levar a um crescimento econômico mais modesto do que o projetado, impactando diretamente o varejo, a indústria e o setor de serviços.

Para os consumidores, a dificuldade em obter crédito pode significar adiamento de compras importantes, como imóveis e veículos, além de dificultar o acesso a capital de giro para pequenos empreendedores. A oportunidade para os bancos reside em migrar para um modelo de negócios mais resiliente, focado em rentabilidade e menor risco, com operações mais seguras e clientes com maior capacidade de pagamento. No entanto, isso pode acentuar a exclusão financeira de parcelas da população.

A leitura do cenário indica que os investidores devem observar atentamente a capacidade dos bancos de gerenciar essa transição. A busca por clientes de alto valor e operações com garantia pode sustentar as margens e valuations no curto prazo, mas a capacidade de atrair e reter esses clientes será crucial. A tendência futura aponta para um mercado de crédito mais segmentado e seletivo, onde a qualidade do risco e a solidez financeira do tomador serão determinantes. O cenário provável é de um crescimento econômico mais contido, com maior atenção à sustentabilidade das dívidas familiares.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

E você, o que pensa sobre essa mudança na estratégia dos bancos? Acredita que essa postura mais cautelosa é justificada? Deixe sua opinião e suas dúvidas nos comentários!

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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