Haddad rebate críticas sobre aumento de imposto de importação e defende produção nacional
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, veio a público defender o recente aumento das alíquotas do imposto de importação para mais de mil produtos, majoritariamente eletrônicos, bens de capital e de informática. Segundo o ministro, a medida tem um caráter eminentemente regulatório e não resultará em elevação de preços para o consumidor final.
Haddad classificou as críticas, especialmente vindas da oposição, como “fake news”, argumentando que a intenção é proteger a indústria brasileira e evitar a concorrência desleal por parte de empresas estrangeiras que não produzem localmente. Ele ressaltou que mais de 90% desses produtos já são fabricados no Brasil.
A decisão, tomada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) no início de fevereiro, elevou as tarifas de importação para itens como smartphones, freezers e painéis de LED. O ministro enfatizou que, para produtos sem similar nacional, o imposto pode ser zerado imediatamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Objetivo regulatório e proteção da indústria nacional
O titular da Fazenda explicou que o objetivo principal da medida é incentivar a produção em território nacional. “A medida não tem nem análise de impacto, porque o objetivo dela é regulatório”, declarou Haddad, explicando que a intenção é coibir empresas estrangeiras que utilizam subterfúgios para competir com produtos similares fabricados no Brasil.
Ele citou os smartphones como exemplo, afirmando que a maioria é produzida na Zona Franca de Manaus. Haddad acusou a oposição de ser contrária ao regime diferenciado e de defender interesses externos em detrimento dos empregos e da produção local. O ministro reiterou que a alegação de aumento de preços é falsa, pois os produtos em questão são, em grande parte, fabricados no país.
Arrecadação e combate às “fake news”
Haddad confirmou que as medidas adotadas devem gerar uma arrecadação adicional de R$ 14 bilhões, conforme previsto no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de dezembro de 2025. Ele criticou a disseminação de desinformação pela oposição, comparando a situação com a polêmica sobre a taxação do Pix, que, segundo ele, acabou por proteger o crime organizado.
O ministro defendeu a responsabilidade na discussão de temas econômicos, acusando a oposição de “fazer jogo” contra os empregos no Brasil e de defender empresas estrangeiras que praticam dumping. Ele argumentou que a oposição não torce pelo Brasil, mas sim por interesses externos, seja dos Estados Unidos, China ou Europa.
Outras pautas: supersalários e acordo Mercosul-UE
Em outro tópico, Haddad manifestou apoio à discussão sobre “supersalários” no funcionalismo público, dentro do contexto da reforma administrativa. Ele considera a proposta um bom ponto de partida para debate no Congresso Nacional, sugerindo que alguns aspectos poderiam ser regulamentados por lei ordinária.
O ministro também se mostrou otimista quanto à aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia no Senado, destacando que se trata de uma construção de 25 anos liderada pelo presidente Lula e que deve ser bem recebida.
Análise estratégica financeira
O aumento do imposto de importação para eletrônicos, sob a justificativa de ser uma medida regulatória, visa proteger a produção nacional. O impacto econômico direto para o consumidor é negado pelo governo, mas o risco de repasse de custos em produtos sem similar nacional ou com baixa produção local não pode ser descartado a longo prazo.
Para empresas instaladas no Brasil, a medida representa uma oportunidade de fortalecer a competitividade e aumentar a participação de mercado, potencialmente impulsionando o valuation. Para investidores, o cenário demanda cautela, avaliando o impacto na cadeia de suprimentos e a capacidade das empresas de atender à demanda com produção local.
A estratégia do governo em focar em proteção setorial pode gerar efeitos inflacionários contidos, mas também pode levar a questionamentos sobre a abertura comercial. A tendência futura dependerá da efetividade da medida em estimular a produção e da capacidade do MDIC em gerenciar isenções para bens sem similar nacional, evitando gargalos produtivos.




