SLC Agrícola Aponta Fundo do Poço nos Preços de Commodities: Uma Nova Era de Recuperação ou Um Alívio Temporário?
Os preços das principais commodities agrícolas, como soja, milho e algodão, parecem ter iniciado uma trajetória de recuperação, segundo Aurélio Pavinato, CEO da SLC Agrícola. Essa perspectiva otimista surge em um cenário de aumento nos custos de produção e uma notável diminuição nos estoques globais, fatores que historicamente indicam pressão de alta nos valores de mercado.
Pavinato expressou sua convicção de que a empresa já ultrapassou o ponto mais baixo em termos de precificação. “Parece que passamos pelo fundo do poço em termos de preço”, afirmou o executivo, sinalizando uma melhora esperada nas margens da companhia para a próxima safra, desde que as condições climáticas sejam favoráveis.
A análise do CEO da SLC Agrícola é embasada em dados concretos e tendências de mercado. Contratos futuros de commodities com vencimento em 2027 já exibem valores superiores aos registrados no mesmo período do ano anterior, refletindo um ambiente de maior incerteza e custos elevados para produtores em todo o mundo.
A Dança dos Preços: Custos de Produção e Estoques Globais em Jogo
O aumento nos custos de produção é um dos principais motores por trás da expectativa de preços mais altos. Conflitos geopolíticos, como a guerra no Oriente Médio, têm impactado diretamente o custo de insumos essenciais, como fertilizantes fosfatados. “Esse aumento no custo de produção gera uma necessidade de preços melhores para pagar a conta”, explicou Pavinato, ressaltando que a pressão nos custos é um fenômeno global.
Paralelamente, a redução nos estoques mundiais contribui significativamente para a perspectiva de valorização. Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) indicam que o mercado global de soja deverá registrar o menor superávit dos últimos cinco anos na próxima safra. O milho e o algodão também apresentam balanços apertados, com o consumo superando a produção em milhões de toneladas e fardos, respectivamente.
Essa mudança estrutural na oferta e demanda global está, segundo Pavinato, “pressionando a margem no mundo todo, por isso o supply está ficando cada vez mais apertado”. Ele ressalta que, mesmo com uma recuperação de 10% a 15%, os preços atuais ainda não são suficientes para estimular a expansão de área plantada, dada a elevação generalizada dos custos internacionais.
SLC Agrícola: Estratégia de Insumos e Otimismo para 2027
Enquanto o cenário para muitos produtores brasileiros pode ser desafiador, a SLC Agrícola projeta uma melhora em suas margens para a próxima safra. A empresa adotou uma estratégia proativa na aquisição de insumos, garantindo preços favoráveis antes dos picos de mercado.
Todos os fertilizantes fosfatados para a safra 2026/27 foram adquiridos antes do aumento de preços decorrente da instabilidade no Oriente Médio. No caso dos fertilizantes nitrogenados, a companhia aguardou a queda nos preços, comprando 70% de suas necessidades no ponto mais baixo do ano. Essa gestão de custos é vista como fundamental para a expectativa de “melhorar a margem em 2027”, segundo Pavinato.
A eficiência operacional e a alta produtividade são os pilares que sustentam o nível de rentabilidade da SLC. No entanto, o CEO reconhece que o clima, especialmente o fenômeno El Niño, representa o principal risco para o cumprimento dessas projeções. Para mitigar os efeitos de uma eventual seca, a empresa tem investido em práticas de conservação de solo, ajustes no cronograma de plantio e na expansão da área irrigada, que já se aproxima de 25 mil hectares na Bahia.
Desempenho Financeiro e Desafios da Alavancagem
A SLC Agrícola apresentou resultados mistos no segundo trimestre. A receita líquida atingiu R$ 2,2 bilhões, um crescimento de 16,8% em relação ao ano anterior. O Ebitda ajustado apresentou alta de 4,3%, totalizando R$ 580,6 milhões, com margem de 26,7%. O lucro líquido mais que dobrou, crescendo 75% e alcançando R$ 245 milhões.
O ponto de atenção foi o aumento da alavancagem. A dívida líquida atingiu 3 vezes o Ebitda, um patamar superior aos 2,3 vezes do mesmo período de 2025. Esse movimento, já esperado devido a aquisições recentes como a compra de terras da Radar, deve ser revertido. A meta da empresa é retornar ao patamar de 2 vezes no próximo ano.
Para acelerar a desalavancagem e otimizar a gestão de capital, a SLC Agrícola está avaliando operações de sale and leaseback de parte de seu portfólio de terras. Essa estratégia permitiria reduzir o endividamento mantendo a operação em áreas estratégicas e preservando a composição ideal de um terço de terras próprias e dois terços arrendadas, conforme observado pelo analista Leonardo Alencar, da XP Investimentos.
Conclusão Estratégica Financeira
A perspectiva de recuperação nos preços das commodities, impulsionada por um desequilíbrio entre oferta e demanda e custos de produção elevados, sinaliza um ambiente potencialmente mais favorável para empresas do setor agrícola. Para a SLC Agrícola, a gestão proativa de custos de insumos e a eficiência operacional são diferenciais importantes, mas os riscos climáticos, como o El Niño, exigem atenção contínua e estratégias de mitigação eficazes.
O aumento da alavancagem, embora esperado, é um ponto de atenção que demanda monitoramento. As estratégias para desalavancagem, como o sale and leaseback, podem ser cruciais para a saúde financeira da empresa, permitindo a otimização do balanço patrimonial sem comprometer a capacidade produtiva. Investidores e gestores devem observar de perto a capacidade da SLC em navegar os desafios climáticos e gerenciar seu endividamento para capturar as oportunidades de um ciclo de preços mais favorável.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
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