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Economia Global

Profert Aprovado: O Que a Nova Lei de Fertilizantes Significa para o Agro e a Economia Brasileira?

Por Vinícius Hoffmann Machado12 ago 20266 min de leitura
Profert Aprovado: O Que a Nova Lei de Fertilizantes Significa para o Agro e a Economia Brasileira?

Resumo

Senado Aprova Profert: Um Marco para a Autossuficiência do Agro Brasileiro em Fertilizantes

A recente aprovação do Projeto de Lei que institui o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) pelo Senado Federal representa um passo significativo para o agronegócio brasileiro. Com o objetivo primordial de diminuir a dependência de importações, a nova legislação busca fortalecer a produção nacional de insumos essenciais para a agricultura, um dos pilares da economia do país.

A proposta, que agora segue para sanção presidencial, carrega em si a promessa de maior segurança no suprimento de fertilizantes, um fator crítico para a produtividade e a competitividade do setor agropecuário. A aprovação em ambas as casas legislativas demonstra um consenso sobre a urgência e a importância estratégica desta iniciativa.

Na minha avaliação, este programa tem o potencial de reconfigurar a cadeia de suprimentos de fertilizantes no Brasil, abrindo novas oportunidades para empresas nacionais e, consequentemente, gerando empregos e desenvolvimento regional. Acompanhar de perto os desdobramentos do Profert será crucial para os envolvidos no setor.

Profert: Detalhes do Programa e Quem Pode Participar

O projeto, relatado pela senadora Tereza Cristina, define que o Profert será voltado para empresas que operam em território nacional na fabricação de fertilizantes, matérias-primas de origem sintética, mineral e orgânica, além de remineralizadores, bioinsumos e biofertilizantes. Essa abrangência visa cobrir diversas frentes da produção de insumos agrícolas.

É importante notar que empresas enquadradas no Simples Nacional não serão elegíveis para aderir ao programa. A regulamentação futura detalhará as regras de habilitação e coabilitação, estabelecendo requisitos mínimos que incluirão o apoio ao desenvolvimento local, inclusão social e a adoção de práticas ambientais para mitigação de gases de efeito estufa.

A exigência de práticas sustentáveis, como a compensação de emissões, reflete uma tendência global e a crescente preocupação com os impactos ambientais da produção agrícola. Isso pode estimular a inovação e a adoção de tecnologias mais limpas no setor.

O Papel do Confert e a Mistura Obrigatória de Fertilizantes Nacionais

Um dos pontos centrais do projeto é a atribuição ao Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert) da definição do percentual de mistura obrigatória de fertilizantes nacionais sintéticos e minerais. Essa medida visa garantir uma fatia de mercado para os produtos fabricados no Brasil.

O texto estabelece um cronograma inicial: a partir de 1º de julho de 2027, será obrigatória a mistura de 2% de fertilizantes nacionais, percentual que deve subir para 10% até 1º de janeiro de 2037. O Confert terá a prerrogativa de avaliar a implementação progressiva desses percentuais, podendo chegar a até 30%.

Minha leitura é que essa obrigatoriedade, embora gradual, enviará um sinal claro para o mercado e para os investidores sobre o compromisso do governo em fortalecer a indústria local. A capacidade do Confert de ajustar esses percentuais demonstra flexibilidade para responder às dinâmicas de mercado e de produção.

Alterações Durante a Tramitação e o Que Ficou de Fora

Durante a passagem pelo Senado, o projeto sofreu algumas modificações importantes. Foram retirados dispositivos que previam a concessão de créditos fiscais entre 2027 e 2031, com um limite anual de R$ 2 bilhões. Essa exclusão pode impactar o planejamento financeiro de algumas empresas que contavam com esse incentivo.

Também foram removidos trechos relacionados a uma lista específica de fertilizantes e matérias-primas elegíveis para esses créditos, bem como a autorização para a concessão de créditos financeiros em 2026 e a criação do Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes (FPNF). Essas exclusões indicam um foco maior na estrutura do programa e na obrigatoriedade de mistura, em detrimento de incentivos fiscais mais diretos e amplos.

A decisão de remover esses incentivos fiscais pode ter sido motivada por preocupações com o impacto orçamentário ou por uma reavaliação das ferramentas mais eficazes para atingir os objetivos do Profert. É fundamental que o setor produtivo se adapte a essa nova configuração.

Conclusão Estratégica Financeira: Impactos do Profert no Agronegócio

A aprovação do Profert traz impactos econômicos diretos e indiretos significativos. No curto prazo, pode haver um aumento nos custos de produção para algumas empresas que precisarão adquirir fertilizantes nacionais ou se adaptar às regras de mistura. No entanto, a longo prazo, a expectativa é de maior estabilidade de preços e menor volatilidade, uma vez que a dependência de importações, sujeitas a flutuações cambiais e geopolíticas, será reduzida.

As oportunidades financeiras surgem para empresas nacionais com capacidade de expandir sua produção ou que já atuam no segmento de fertilizantes. Há também oportunidades para o desenvolvimento de novas tecnologias e processos, especialmente no campo dos biofertilizantes e remineralizadores, impulsionados pelas exigências ambientais do programa. Riscos incluem a adaptação de empresas menores e a possível concorrência acirrada com players já estabelecidos.

Para investidores, o Profert sinaliza um setor com potencial de crescimento estrutural. Empresas que se alinharem com os objetivos do programa e demonstrarem capacidade de inovação e sustentabilidade podem apresentar bons resultados. A redução da exposição cambial na cadeia de fertilizantes pode, indiretamente, melhorar as margens e a previsibilidade de custos para o agronegócio como um todo, impactando positivamente o valuation de empresas do setor.

A tendência futura aponta para um mercado de fertilizantes mais robusto e nacionalizado, com um foco crescente em sustentabilidade. O cenário provável é de consolidação da produção interna, com possíveis fusões e aquisições, e um investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento para atender às demandas do agro moderno.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

O que você pensa sobre o Profert e seu impacto no futuro do agronegócio brasileiro? Deixe sua opinião, dúvida ou crítica nos comentários abaixo!

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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