Dario Durigan Rejeita Críticas de “All In” Fiscal em Ano Eleitoral e Afirma Foco em Responsabilidade
O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, afastou nesta sexta-feira (24) a percepção de que o governo Lula estaria apostando todas as fichas em uma política fiscal expansionista em pleno ano eleitoral. Em declarações exclusivas durante o evento Expert XP, Durigan assegurou que a atual gestão segue um caminho diametralmente oposto ao sugerido por parte do mercado financeiro.
Durigan foi enfático ao afirmar que o governo Lula encerrará seu mandato com as contas públicas em uma condição significativamente melhor do que a encontrada em 2023. Ele contrapôs as críticas com exemplos concretos de responsabilidade fiscal que estariam sendo adotados, contrastando com práticas de governos anteriores em períodos eleitorais.
“2026 vai ser muito diferente de 2022. Se a gente já viu o ‘all-in’ em ano de eleição, é tudo o que nós não estamos fazendo esse ano. Esse ano não tem calote em precatório, não tem calote em governador, nós não vamos aumentar o Bolsa Família sem previsão orçamentária”, declarou o ministro, destacando um compromisso com a previsibilidade e a sustentabilidade das contas públicas.
A fonte primária destas informações é uma entrevista exclusiva concedida pelo Ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao InfoMoney durante o evento Expert XP. O conteúdo foi consultado em InfoMoney.
Compromisso com o Arcabouço Fiscal e Respeito às Instituições
O Ministro Durigan detalhou que o governo tem se empenhado em bloquear despesas para garantir o cumprimento das metas estabelecidas pelo arcabouço fiscal. Ele ressaltou a importância da boa relação construída com o Congresso Nacional e com os governadores estaduais para a condução da política econômica.
“O que nós estamos fazendo agora é dando um ‘all-in’ em regra de respeito à democracia e regra fiscal. É totalmente o oposto do que comentaram”, enfatizou Durigan, posicionando a atual gestão como defensora de princípios democráticos e da responsabilidade fiscal, em contraposição a interpretações de “tudo ou nada”.
Essa postura sinaliza uma estratégia deliberada de priorizar a estabilidade das contas públicas e o cumprimento das leis, mesmo em um contexto politicamente sensível como um ano eleitoral. A defesa do arcabouço fiscal demonstra a intenção de ancorar a política econômica em regras claras e previsíveis.
Legado Fiscal: Organização e Transparência para o Futuro Governo
Um dos pontos centrais da entrevista foi a projeção de que a equipe econômica deixará para o próximo governo um cenário fiscal mais organizado e transparente do que o que recebeu em 2023. Durigan afirmou que o Projeto de Lei Orçamentária de 2027, a ser submetido ao Congresso até 31 de agosto, será elaborado estritamente dentro das novas regras fiscais.
Este orçamento contemplará integralmente todas as despesas permanentes do governo, evitando a prática de “orçamentos fake” que, segundo Durigan, foram herdados na transição de 2022 para 2023. Ele projetou um orçamento “bastante rígido”, com uma meta de superávit primário de 0,5% do PIB, já incluindo os principais programas sociais.
Programas de grande relevância social como o Bolsa Família e a Farmácia Popular estarão totalmente previstos no orçamento. O ministro descartou veementemente a adoção de medidas de fim de mandato que possam onerar a próxima gestão, como desonerações fiscais “no apagar das luzes”.
Consolidação Fiscal como Prioridade e Indicadores Macroeconômicos Positivos
Durigan reiterou que a consolidação das contas públicas permanecerá como prioridade máxima até o final do mandato. Ele destacou que a gestão atual já promoveu um ajuste fiscal equivalente a cerca de 2% do PIB na trajetória do resultado primário, um movimento que, segundo ele, deve ser contínuo.
“A consolidação fiscal vai continuar acontecendo. O que é importante as pessoas entenderem é que as promessas para o futuro se calcam no que a gente fez durante esses três anos e meio”, argumentou o ministro, ligando a credibilidade das projeções futuras às ações concretas realizadas.
Apesar de reconhecer a existência de desafios remanescentes, Durigan apontou que os indicadores macroeconômicos gerais da economia brasileira mostram uma melhora estrutural. Ele citou a inflação controlada, o crescimento do PIB, a geração de empregos, a balança comercial favorável, a redução do desmatamento e a safra recorde como evidências de que a economia “vai bem”.
Conclusão Estratégica Financeira: Navegando em Cenário de Responsabilidade Fiscal
A postura firme do Ministro Durigan em defender a responsabilidade fiscal, mesmo em ano eleitoral, sinaliza um esforço para ancorar expectativas e reforçar a credibilidade da política econômica brasileira perante investidores e instituições financeiras internacionais. O foco em cumprir o arcabouço fiscal e deixar um orçamento organizado para o próximo governo sugere uma estratégia de longo prazo, visando a estabilidade macroeconômica.
Do ponto de vista de riscos e oportunidades, a manutenção dessa disciplina fiscal pode reduzir a percepção de risco-país, atraindo investimentos e possivelmente levando a uma queda nos juros de longo prazo. Isso poderia ter efeitos positivos em margens de lucro de empresas, custos de financiamento e valuations de ativos. A oportunidade reside na construção de um ambiente de negócios mais previsível e sustentável.
Para investidores, empresários e gestores, a comunicação clara e a execução consistente de uma política fiscal responsável são cruciais. A mensagem de que o governo não recorrerá a medidas fiscais expansionistas de curto prazo para fins eleitorais pode gerar confiança e incentivar decisões de investimento mais sólidas.
A tendência futura aponta para a continuidade da busca por equilíbrio fiscal, com a consolidação como pilar central. O cenário provável, caso essa disciplina seja mantida, é de uma economia brasileira mais resiliente a choques externos e com maior potencial de crescimento sustentável, embora os desafios estruturais persistam e demandem atenção contínua.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
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