Santander Detalha Resultados do 2T26: Petrobras e Prio em Destaque, Banco do Brasil e Aura Minerals Enfrentam Turbulências
A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) promete ser marcada por uma clara divisão entre as empresas brasileiras. Enquanto o setor de commodities, impulsionado pelos preços do petróleo, deve apresentar números robustos, outros segmentos, como varejo e alguns bancos, enfrentam um cenário mais desafiador. Essa polarização é um dos principais insights da análise divulgada pelo Santander, que projeta quais companhias devem entregar os melhores e os piores desempenhos.
A expectativa geral do Santander para as empresas de sua cobertura é um crescimento médio de 10% na receita líquida, 23% no Ebitda e 20% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, essa média esconde realidades distintas, com o setor de petróleo e gás liderando a expansão, enquanto empresas mais ligadas ao mercado doméstico sentem o impacto das altas taxas de juros e do crédito restritivo.
As revisões recentes nas estimativas reforçam essa tendência de polarização. Setores como petróleo e gás têm recebido projeções otimistas, enquanto varejo, construção civil e bancos viram suas perspectivas serem ajustadas para baixo. Na minha leitura, isso sinaliza uma preferência do mercado por ativos menos sensíveis aos juros e mais expostos às commodities, sem alterar, por si só, a narrativa macroeconômica geral.
A fonte principal para esta análise é o Santander, com dados e projeções detalhadas sobre o desempenho esperado das companhias. Santander Insights
Destaques Positivos: Commodities e Serviços Lideram o Crescimento
O setor de commodities surge como o grande protagonista do 2T26. A Petrobras (PETR4) e a Prio (PRIO3) devem se beneficiar da alta sustentada do petróleo e de uma boa execução operacional. Apesar do imposto de 12% sobre as exportações de óleo, a expectativa é de forte desempenho na exploração e produção (E&P) e resiliência no refino para a Petrobras. A Prio, por sua vez, também mostra sinais de força operacional.
Outras empresas que despontam positivamente incluem Bradesco (BBDC4) e Nubank (ROXO34). O Bradesco, segundo o Santander, deve apresentar lucro recorrente de R$ 6,97 bilhões, um crescimento de 15% na comparação anual, com retorno sobre patrimônio (ROAE) de 16%. A margem financeira (NII) é esperada em alta, mesmo com a volatilidade da curva de juros. O Nubank projeta lucro líquido de US$ 960 milhões, um avanço de 51% em um ano, impulsionado pela melhora da margem financeira ajustada ao risco (NIM).
No segmento industrial e de bens de capital, a Fras-le (FRAS3) deve exibir melhora na rentabilidade, beneficiada pela valorização do real e pelo aumento de volumes. A Gerdau (GGBR4) espera recuperação de volumes e preços no Brasil, com Ebitda consolidado estimado em R$ 3,37 bilhões. A Usiminas (USIM5) projeta estabilidade nos volumes de aço, melhora de preços e recuperação na produção de minério de ferro, com Ebitda de R$ 714 milhões.
Empresas de varejo e serviços também mostram resiliência em alguns casos. A Smart Fit (SMFT3) deve reportar crescimento de 22% na receita e 12% no lucro líquido, impulsionada pela plataforma Totalpass. Na TIM (TIMS3), a expectativa é de crescimento de 6% na receita consolidada para R$ 7 bilhões e avanço de 7,2% no Ebitda, com expansão em serviços corporativos e incorporações estratégicas. A Multiplan (MULT3) espera um trimestre forte, impulsionado por créditos tributários extraordinários, embora a geração de caixa (AFFO), desconsiderando o efeito não recorrente, deva recuar.
Destaques Negativos: Varejo e Setores Domésticos Sob Pressão
No polo oposto, o Santander aponta empresas que devem enfrentar dificuldades significativas no 2T26. Aura Minerals (AURA33), Banco do Brasil (BBAS3), Grupo Mateus (GMAT3), Inter (INBR32), JBS, Marcopolo (POMO4), Natura (NATU3) e Pague Menos (PGMN3) são listadas como os principais destaques negativos.
O Banco do Brasil (BBAS3) deve apresentar apenas uma leve melhora sequencial, com as provisões ainda pressionando os resultados, especialmente no segmento de agronegócio. A Aura Minerals (AURA33) enfrenta queda na produção de ouro e aumento de custos, agravados pela instabilidade no Oriente Médio. O Grupo Mateus (GMAT3) deve registrar queda nas vendas mesmas lojas (SSS) e compressão da margem Ebitda devido a um ambiente de consumo mais difícil.
No Inter (INBR32), o aumento do custo de risco deve limitar a expansão da margem financeira ajustada ao risco, apesar do crescimento esperado no lucro e na carteira de crédito. A JBS deve reportar resultados mais fracos em comparação anual, com custos elevados na operação de carne bovina nos EUA e recuperação lenta dos preços de aves. A Marcopolo (POMO4) lida com um mix menos favorável, menor rentabilidade de exportações e interrupção temporária em programas governamentais.
A Natura (NATU3) deve sofrer com dificuldades operacionais no Brasil, incluindo atualizações de sistemas e mudanças nas políticas de vendas, o que pode levar a uma queda de cerca de 10% na receita e compressão de margens. A Pague Menos (PGMN3) também se junta a este grupo de empresas com projeções menos otimistas, enfrentando um cenário de consumo desafiador.
Polarização de Resultados: O Que os Dados Indicam para o Mercado
A análise do Santander reforça a ideia de que o mercado financeiro tende a favorecer empresas com menor sensibilidade às taxas de juros e maior exposição a setores cíclicos em alta, como o de commodities. Essa dinâmica, por si só, não muda o cenário macroeconômico, mas direciona o fluxo de capital e influencia as avaliações das empresas.
A discrepância entre os setores de commodities e os domésticos sugere que os investidores devem estar atentos à composição de suas carteiras. Enquanto a Petrobras e Prio se beneficiam de ventos favoráveis globais, empresas ligadas ao consumo interno precisam demonstrar resiliência e eficiência operacional para navegar em um ambiente de juros altos e inflação de custos.
Minha leitura do cenário é que a temporada de resultados do 2T26 servirá como um termômetro importante para a capacidade de cada setor em gerar valor em diferentes condições econômicas. A capacidade de adaptação e a gestão de custos serão cruciais para as empresas que buscam superar os desafios.
Conclusão Estratégica Financeira: Navegando na Polarização do 2T26
O 2T26 se apresenta como um trimestre de contrastes significativos. Para as empresas de commodities, os impactos econômicos diretos são positivos, com aumento de receita e Ebitda impulsionados por preços favoráveis. As oportunidades financeiras residem na capitalização desse cenário, enquanto os riscos podem advir de volatilidade nos preços das commodities ou de mudanças regulatórias. As margens e valuations tendem a se beneficiar nesse setor.
Para os setores domésticos e de consumo, os impactos econômicos são mais desafiadores, com pressão sobre custos e receita, além de maiores provisões. As oportunidades podem surgir da eficiência operacional e da inovação em produtos e serviços, mas os riscos incluem a persistência de juros altos e a desaceleração do consumo. A gestão de custos e a otimização de margens são essenciais para manter a sustentabilidade.
Para investidores, a tendência futura aponta para uma diferenciação cada vez maior entre os desempenhos das empresas. É fundamental analisar a exposição setorial, a alavancagem e a capacidade de repasse de custos. O cenário provável é de um mercado que continuará premiando a resiliência e a capacidade de geração de caixa em ambientes adversos, enquanto capitaliza o potencial de crescimento em setores com ventos favoráveis externos.
Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.
E você, o que achou dessas projeções do Santander? Quais empresas você acredita que vão surpreender, para o bem ou para o mal, nos resultados do 2T26? Deixe sua opinião e vamos debater nos comentários!




