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Economia Global

Stablecoins Dominam R$ 1,13 Trilhão em Cripto Declarados à Receita; Nova Plataforma DeCripto Amplia Transparência

Por Vinícius Hoffmann Machado01 jul 20267 min de leitura
Stablecoins Dominam R$ 1,13 Trilhão em Cripto Declarados à Receita; Nova Plataforma DeCripto Amplia Transparência

Resumo

Stablecoins Lideram Declarações de Criptoativos no Brasil, Representando 80% do Volume Negociado e Mudando o Cenário Financeiro

As stablecoins, criptomoedas projetadas para espelhar o valor de moedas tradicionais como o dólar e o real, consolidaram sua posição dominante no mercado brasileiro. Dados recentes da Receita Federal revelam que esses ativos representaram aproximadamente 80% do volume total de criptoativos declarados no país em 2025, um indicativo claro da evolução e do perfil atual das operações com ativos digitais em território nacional.

Essa concentração de mercado ocorre em um momento crucial, às vésperas da implementação da DeCripto, a nova plataforma de declaração de criptoativos da Receita Federal. A ferramenta, que se tornará obrigatória a partir de julho, visa aprimorar o controle e a transparência das transações, alinhando o Brasil às normas internacionais de intercâmbio de informações fiscais sobre criptoativos.

A Instrução Normativa RFB nº 2.291, de novembro de 2025, que instituiu a DeCripto, alinha o Brasil ao padrão Crypto-Asset Reporting Framework (CARF) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Essa medida estratégica da Receita Federal busca combater a evasão fiscal, a lavagem de dinheiro e o financiamento de atividades ilícitas, fortalecendo o ecossistema financeiro digital.

Receita Federal

O Que São Stablecoins e Por Que Elas Ganharam Tanto Espaço?

As stablecoins são um tipo particular de criptomoeda, desenvolvidas com o propósito de manter um valor estável, geralmente atrelado a uma moeda fiduciária. Na prática, uma stablecoin atrelada ao dólar americano, por exemplo, busca manter seu valor próximo a US$ 1, enquanto uma vinculada ao real brasileiro acompanha a cotação da moeda nacional. Essa característica fundamental as torna ferramentas ideais para a movimentação de recursos, transferências internacionais e como refúgio contra a alta volatilidade inerente a outras criptomoedas.

Ao longo dos anos, os dados da Receita Federal demonstram uma ascensão notável desses ativos. O que antes era um nicho secundário no mercado brasileiro, evoluiu para uma posição predominante em um curto espaço de tempo. Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, o volume total negociado de criptoativos declarados somou cerca de R$ 1,58 trilhão. Deste montante, impressionantes R$ 1,13 trilhão, o equivalente a 71,7%, foram movimentados através de stablecoins.

Mais recentemente, a participação mensal das stablecoins no volume negociado tem se mantido consistentemente acima de 80%, evidenciando sua consolidação como o principal ativo digital para transações no Brasil.

O Crescimento Acelerado das Stablecoins no Mercado Brasileiro

O salto na participação das stablecoins foi expressivo. Em 2019, elas representavam apenas 3,5% do volume mensal declarado de criptoativos. Nos anos seguintes, esse percentual cresceu exponencialmente, atingindo 79,7% em 2022. Em 2023, o número chegou a 91,5%, com um pico mensal de 94,3% registrado em julho daquele ano. Mesmo com a valorização de outras criptomoedas nos anos de 2024 e 2025, a relevância das stablecoins permaneceu alta, oscilando entre 76% e 80%.

O volume financeiro movimentado também acompanhou esse crescimento acelerado. Em novembro de 2025, as operações declaradas com stablecoins alcançaram o expressivo valor de R$ 39,7 bilhões, marcando o maior volume mensal já registrado na série histórica das declarações à Receita Federal. Essa tendência sublinha a crescente adoção e confiança nesses ativos digitais.

A predominância das stablecoins reflete tanto a busca por estabilidade em um mercado volátil quanto a facilidade de uso para diversas finalidades financeiras, desde investimentos até remessas internacionais. A minha leitura do cenário é que essa tendência continuará forte, impulsionada pela regulamentação e pela busca por eficiência em transações.

USDT Lidera a Movimentação, Mas Outras Stablecoins Ganham Espaço

Dentro do segmento de stablecoins, a USDT, emitida pela Tether e atrelada ao dólar americano, detém uma fatia avassaladora do mercado. De acordo com os dados da Receita Federal, a USDT respondeu por 88,7% de todo o volume declarado entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, totalizando aproximadamente R$ 1 trilhão. Sua liderança é incontestável, consolidada pela confiança e liquidez que oferece aos usuários.

Na sequência, a USDC, outra stablecoin vinculada ao dólar, aparece com uma participação de 7,1%. Um destaque importante é a BRZ, uma stablecoin lastreada em real, que conquistou 3,4% do volume analisado. A presença da BRZ demonstra um movimento de desenvolvimento de ativos digitais locais, adaptados à realidade e às necessidades do mercado brasileiro.

A quantidade de operações também reflete o avanço das stablecoins. Ao longo do período analisado, foram registradas 185,7 milhões de transações de compra e venda envolvendo esses ativos. A movimentação ganhou impulso notável a partir de 2024, com 18,2 milhões de operações declaradas somente em novembro daquele ano, em um mercado de criptoativos que totalizou 31,9 milhões de transações no mesmo período.

A Nova Era da Transparência: DeCripto e a Obrigatoriedade de Declaração

A Receita Federal tem enfatizado que uma parcela significativa das operações com stablecoins ocorre por meio de prestadoras de serviços de criptoativos sediadas no exterior. Com a entrada em vigor da DeCripto, a partir de julho, essas empresas também terão a obrigação de informar as operações realizadas com clientes brasileiros, desde que seus serviços sejam direcionados ao mercado nacional. Essa exigência se aplica tanto a empresas estabelecidas no Brasil quanto a plataformas estrangeiras que atuem no país.

A obrigatoriedade de prestação de informações, conforme previsto na Lei nº 14.754/2023 e na Instrução Normativa RFB nº 2.291, é independente da existência de tributos a pagar. O objetivo principal é ampliar a transparência e o controle sobre as operações com ativos digitais, garantindo maior segurança e conformidade para todos os envolvidos no ecossistema.

Acredito que a DeCripto será um divisor de águas na forma como as transações com criptoativos são tratadas no Brasil. A maior transparência trazida pela plataforma, aliada ao alinhamento com padrões internacionais, tende a atrair mais investidores institucionais e a consolidar a confiança no mercado.

Conclusão Estratégica: O Futuro das Stablecoins e o Impacto da Regulamentação

O cenário atual, com stablecoins concentrando a vasta maioria das operações declaradas à Receita Federal, sinaliza uma maturidade e um direcionamento claro do mercado brasileiro de criptoativos. Os impactos econômicos diretos incluem a maior arrecadação fiscal e a formalização das transações, enquanto os indiretos se manifestam na atração de investimentos e na consolidação do Brasil como um polo de inovação financeira.

Os riscos financeiros residem na possibilidade de falhas em stablecoins específicas ou em mudanças regulatórias abruptas. No entanto, as oportunidades são significativas, especialmente para empresas que oferecem serviços de conformidade e para investidores que buscam ativos digitais com menor volatilidade. A regulamentação, embora represente um desafio inicial, tende a fortalecer o mercado a longo prazo, impactando positivamente a confiança e o valuation de empresas atuantes no setor.

Para investidores e empresários, a tendência futura aponta para uma maior integração dos criptoativos, incluindo stablecoins, no sistema financeiro tradicional. O cenário provável é de um mercado mais regulado, transparente e seguro, onde a DeCripto desempenhará um papel central na fiscalização e na garantia da conformidade. A minha visão é que a adaptação a essa nova realidade regulatória será crucial para o sucesso e a sustentabilidade dos negócios no universo cripto.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

Qual a sua opinião sobre o domínio das stablecoins e a nova plataforma da Receita Federal? Deixe sua dúvida ou comentário abaixo!

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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