Analista Destrincha Impacto da Corrupção na Eleição: Memória Política Favorece PT em Desgaste, Mas Ameaça Moderados
A recente operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA), reacende um temor antigo no eleitorado brasileiro: a corrupção. Em um período eleitoral, tais escândalos ganham contornos ainda mais dramáticos, com potencial para influenciar diretamente o resultado das urnas e, consequentemente, o ambiente de negócios no país.
Para Creomar de Sousa, cientista político e CEO da Dharma, a dinâmica dos escândalos atuais, que atingem tanto o PT quanto o núcleo do bolsonarismo, não se traduz em um impacto eleitoral idêntico. A memória coletiva sobre escândalos passados parece ser o fator determinante nessa equação, criando uma assimetria no desgaste político entre os grupos.
A forma como o eleitor reage a novas denúncias é moldada pela história. Enquanto o PT carrega o peso de escândalos como a Lava Jato e o Mensalão, que abalaram a imagem de renovação prometida pelo partido, o bolsonarismo ainda lida com investigações que, para parte do eleitorado, estão mais ligadas a figuras específicas do que a uma identidade partidária consolidada. Essa diferença na percepção histórica é crucial, especialmente em eleições acirradas.
A repercussão envolvendo a operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal, contra o senador e líder do governo Jaques Wagner (PT-BA) reacendeu o fantasma da corrupção em período eleitoral. Para o cientista político Creomar de Sousa, CEO da Dharma e professor da Fundação Dom Cabral, embora as denúncias atinjam hoje tanto o PT quanto ao núcleo duro do bolsonarismo, os efeitos eleitorais não são necessariamente os mesmos.
O PT tem uma desvantagem em termos de memória. Há mais lembrança dos escândalos da Lava Jato, do Mensalão e de outros episódios que contaminaram aquela aura do partido que chegou ao poder prometendo ser diferente. Quando surge uma nova denúncia envolvendo figuras ligadas ao PT, ela não é analisada isoladamente. Ela conversa com uma memória política construída ao longo de décadas, o que amplia seu potencial de desgaste político, avaliou Creomar durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.
Creomar ressalta que o bolsonarismo também passou a conviver com investigações e escândalos próprios nos últimos anos. A diferença é que, para parte do eleitorado, esses casos ainda aparecem mais associados a lideranças específicas do que a uma identidade partidária consolidada. Em uma eleição que deve ser disputada voto a voto, o analista avalia que a corrupção continua sendo um tema capaz de influenciar principalmente os eleitores moderados e independentes — justamente o grupo mais cobiçado pelas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
Na minha avaliação, a questão da memória política é um fator subestimado em muitas análises. Ela não apenas molda a percepção atual, mas também cria um viés cognitivo que pode ser explorado pelas campanhas. Para o PT, cada nova denúncia é um lembrete de um passado que o partido tenta deixar para trás, mas que insiste em assombrá-lo. Para o bolsonarismo, as denúncias ainda são vistas como casos isolados, permitindo uma negação mais eficaz ou uma minimização do impacto sobre a imagem do movimento como um todo.
Corrupção como Fator Decisivo para Eleitores Moderados e Independentes
Em um cenário eleitoral onde a disputa é acirrada, os votos de eleitores moderados e independentes tornam-se o fiel da balança. Estes eleitores, muitas vezes menos ideológicos e mais pragmáticos, são particularmente sensíveis a temas como a corrupção. A percepção de integridade e eficiência na gestão pública pode ser um fator decisivo para sua escolha, independentemente de alinhamentos partidários prévios.
Minha leitura do cenário é que a corrupção, quando associada a um histórico de escândalos, como no caso do PT, pode afastar esses eleitores de forma mais contundente. Eles tendem a buscar estabilidade e confiança, e denúncias recorrentes minam ambos os aspectos. Para o bolsonarismo, a estratégia pode ser a de desvincular as denúncias da figura central, focando na imagem de um líder




