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Mercado Financeiro

Novo Acordo de Biomassa Ameaça Usinas de Etanol de Milho em MT: Investimentos em Risco?

Por Vinícius Hoffmann Machado20 jun 20266 min de leitura
Novo Acordo de Biomassa Ameaça Usinas de Etanol de Milho em MT: Investimentos em Risco?

Resumo

Abramilho Alerta: Restrições à Biomassa Podem Frear Crescimento do Etanol de Milho em Mato Grosso

A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) expressou profunda preocupação com um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) assinado em Mato Grosso, que impõe novas regras mais restritivas ao uso de biomassa para geração de energia nas caldeiras das usinas de etanol de milho. Segundo a entidade, essas mudanças podem inviabilizar novos investimentos e a expansão de um setor que está em franco crescimento no estado, o maior produtor de milho e de etanol derivado do cereal no país.

O TCA, firmado após um inquérito sobre possíveis ilegalidades no uso de matéria-prima vegetal, prevê a redução gradual e posterior proibição do uso de biomassa oriunda de supressão vegetal legalmente autorizada para fins energéticos em Mato Grosso. Em seu lugar, o acordo incentiva a expansão de florestas plantadas para suprir a demanda energética, um plano que, na visão da Abramilho, desconsidera a realidade produtiva local e os prazos necessários para a adaptação.

A entidade enviou um ofício ao Ministério Público e autoridades governamentais do estado contestando as novas diretrizes. A Abramilho argumenta que a biomassa de supressão vegetal atualmente utilizada é legal, licenciada e autorizada pelo próprio Estado, questionando a lógica por trás da restrição de seu uso para geração de energia. A preocupação central reside na exigência para novos empreendimentos, que seriam impedidos de utilizar essa fonte, comprometendo a viabilidade de novos investimentos e a geração de empregos e renda.

Fonte: Agência Estado

Resistência ao Termo de Compromisso Ambiental (TCA)

O Termo de Compromisso Ambiental (TCA) enfrenta forte resistência não apenas da Abramilho, mas também da indústria madeireira em Mato Grosso. A entidade reconhece a importância da expansão de florestas plantadas e da construção de uma matriz energética renovável, mas enfatiza que a forma e os prazos estabelecidos no TCA precisam ser compatíveis com a realidade técnica, econômica e produtiva do estado. A Abramilho destaca que a restrição imposta a novos empreendimentos, que dependeriam exclusivamente de fontes alternativas de biomassa, pode ser um entrave significativo.

Na prática, a Abramilho avalia que essa condição pode inviabilizar novos investimentos, restringir a expansão da agroindústria e comprometer projetos importantes para a geração de emprego, renda e arrecadação em Mato Grosso. A entidade expressou preocupação com o cronograma para a adoção da biomassa de florestas plantadas, argumentando que o eucalipto, principal alternativa de floresta plantada, demanda aproximadamente seis anos para atingir a idade adequada de colheita.

Proposta da Abramilho para Transição Energética

Como alternativa para viabilizar a transição energética sem prejudicar o setor, a Abramilho propõe que todos os empreendimentos industriais, sejam eles novos, em operação ou em expansão, possam utilizar biomassa proveniente de supressão vegetal legalmente autorizada pelos próximos seis anos. Essa proposta considera o tempo necessário para o desenvolvimento das florestas plantadas, como o eucalipto, que é a principal fonte alternativa para geração de energia.

Após esse período de seis anos, a Abramilho defende que passe a ser exigida a utilização de biomassa oriunda de florestas plantadas, manejo florestal sustentável ou outras fontes legalmente admitidas. O TCA atual estabelece metas ambiciosas de expansão de área de floresta plantada, visando atingir 700 mil hectares ou mais até 2040, um aumento considerável em relação aos cerca de 200 mil hectares de eucaliptos registrados em 2024.

Contraponto: Garantindo a Sustentabilidade Energética

Por outro lado, entidades que defendem a assinatura do TCA argumentam que a não adoção dessas medidas agora pode levar Mato Grosso a um “apagão” na oferta de biomassa proveniente de florestas plantadas. Fausto Takizawa, presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), assegura que nenhuma indústria será paralisada ou afetada pelo acordo. Ele explica que o período de sete anos estabelecido pelo Ministério Público visa garantir uma transição segura da biomassa de supressão para a biomassa de reflorestamento.

Takizawa ressalta que esse prazo é suficiente para que os grandes consumidores ampliem suas áreas plantadas e busquem novos contratos de fornecimento, adaptando seu abastecimento sem alterar suas operações. Ele também comentou que o TCA organiza o cumprimento de regras que já eram obrigatórias pelo Código Florestal Brasileiro. Grandes consumidores de biomassa sempre precisaram comprovar a sustentabilidade de seu abastecimento por meio do Plano de Suprimento Sustentável (PSS), e o termo apenas define como e quando essa comprovação deve ser feita em Mato Grosso.

Conclusão Estratégica Financeira

A disputa em torno do uso de biomassa em Mato Grosso reflete um dilema comum na transição para uma economia mais verde: o equilíbrio entre a necessidade de práticas sustentáveis e a viabilidade econômica dos setores produtivos. Para as usinas de etanol de milho, a restrição ao uso de biomassa de supressão vegetal pode representar um aumento direto nos custos operacionais, caso a oferta de biomassa de florestas plantadas não seja suficiente ou seja mais cara. Isso pode afetar as margens de lucro e, consequentemente, a atratividade para novos investimentos, impactando o valuation dessas empresas.

O risco de uma “apagão” na oferta, como alertado pela Arefloresta, pode levar a paralisações temporárias ou à necessidade de buscar fontes de energia mais caras, como combustíveis fósseis, o que contraria o objetivo de sustentabilidade. Por outro lado, a Abramilho apresenta uma alternativa que busca mitigar esses riscos, propondo um período de transição mais longo para permitir o desenvolvimento das florestas plantadas. A leitura do cenário indica que a negociação entre os setores e o poder público será crucial para definir os próximos passos.

A decisão final sobre o TCA terá implicações diretas na competitividade do setor de etanol de milho em Mato Grosso e pode servir de precedente para outras regiões do país que buscam conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental. Para investidores e gestores, é fundamental acompanhar de perto a evolução dessa discussão e avaliar os riscos e oportunidades que ela apresenta para o setor agroindustrial e de energia renovável.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

Qual a sua opinião sobre as novas regras para o uso de biomassa em Mato Grosso? Compartilhe suas dúvidas e impressões nos comentários abaixo!

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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