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Mercado Financeiro

Combustível de Aviação Sustentável (SAF): Brasil Corre Contra o Tempo para Cumprir Metas de 2027 e Evitar Prejuízos

Por Vinícius Hoffmann Machado16 jun 20267 min de leitura
Combustível de Aviação Sustentável (SAF): Brasil Corre Contra o Tempo para Cumprir Metas de 2027 e Evitar Prejuízos

Resumo

A Urgência da Regulamentação do SAF no Brasil: Mandatos Internacionais Exigem Ação Rápida para Evitar Perda de Mercado e Créditos de Carbono

O Brasil enfrenta um desafio crítico para cumprir o mandato de combustível de aviação sustentável (SAF) a partir de 2027. Especialistas e representantes do governo alertam para a necessidade de acelerar a regulamentação e a certificação de novas matérias-primas, sob o risco de o país ficar para trás em um mercado global em rápida expansão e perder oportunidades de descarbonização.

A urgência se intensifica com as metas globais de redução de emissões no setor aéreo, impulsionadas por programas como o CORSIA da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). A falta de agilidade na aprovação de novas rotas de produção e a demora na publicação de decretos essenciais podem comprometer a participação brasileira neste nicho promissor, impactando diretamente a economia e a imagem do país.

A Petrobras, responsável pela maior parte do combustível de aviação consumido nacionalmente, destaca a dificuldade em certificar matérias-primas suficientes para atender à demanda crescente. A escassez de auditores e a complexidade do processo de certificação global adicionam camadas de desafio, exigindo um esforço coordenado entre setor público e privado para superar esses obstáculos.

Fonte: Reportagem original

Desafios na Certificação de Matérias-Primas para SAF: A Corrida Contra o Tempo e a Importância da CORSIA

A certificação de novas matérias-primas para a produção de SAF é um dos principais gargalos para o Brasil. Atualmente, o país possui nove pedidos de certificação junto à CORSIA, incluindo etanol de milho, sebo bovino e macaúba. No entanto, a lista global de materiais elegíveis pela CORSIA conta com apenas 57 itens, como óleo de palma e soja, demonstrando a necessidade de expandir essa lista para atender à demanda futura.

Ricardo Pinto, especialista sênior da Petrobras, ressalta que a produção global de SAF ainda representa uma fração mínima da demanda mundial. A certificação pela CORSIA é crucial, mas o processo é dificultado pela falta de auditores qualificados. Essa escassez de recursos pode atrasar a aprovação de novas matérias-primas, impactando a capacidade de produção e o cumprimento das metas.

A urgência se torna ainda maior quando observamos as metas de outros países, como o Japão, que projeta 10% de combustível de aviação sustentável até 2030. O Brasil precisa agilizar seu processo para não perder competitividade e relevância no cenário internacional, onde a sustentabilidade se torna um diferencial cada vez mais importante.

Harmonização de Métricas e Segurança Jurídica: Pilares para o Mercado de SAF no Brasil

A harmonização das métricas e padrões de produção de SAF com as diretrizes globais é fundamental para o Brasil. Marlon Arraes Jardim Leal, diretor do Departamento de Biocombustíveis do MME, defende a replicação dos padrões internacionais para reduzir custos e facilitar o acesso ao mercado externo. Essa convergência já se iniciou com a inclusão da rota HEFA (produção de SAF a partir de óleos) no RenovaCalc, ferramenta de métricas do programa RenovaBio.

Celso Macedo, gerente de Analytics e Trading Intelligence da Vibra, reforça a necessidade de alinhamento entre a CORSIA e as regulamentações brasileiras, destacando a importância da segurança jurídica. A falta de clareza nas regras e a ausência de garantias para os investidores podem afastar o capital necessário para o desenvolvimento do setor. O cumprimento dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e a previsibilidade regulatória são essenciais para a atração de negócios.

A insegurança jurídica pode comprometer a viabilidade de projetos de SAF, que exigem investimentos de longo prazo e um ambiente regulatório estável. O descasamento entre as normas internacionais e as nacionais pode criar barreiras comerciais e dificultar a inserção do Brasil no mercado global de combustíveis sustentáveis.

O Decreto Regulamentador do SAF: Um Atraso Crítico que Preocupa o Setor

Apesar da aprovação da Lei do Combustível do Futuro em 2024, o Brasil ainda aguarda a publicação do decreto regulamentador do mandato de SAF. O texto, que deveria ter sido publicado após o encerramento da consulta pública em dezembro passado, encontra-se parado na Casa Civil, gerando apreensão no setor produtivo e entre os consumidores.

Marlon Arraes Jardim Leal, do MME, pressiona o governo pela publicação do decreto, afirmando que o texto está nas mãos do Presidente da República e pode ser publicado a qualquer momento. A demora na regulamentação impede que o setor se organize e planeje os investimentos necessários para atender às metas de 2027, que incluem a redução de 1% das emissões a partir do próximo ano.

A publicação do decreto é apenas o primeiro passo. Será necessário ainda o aval da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para a consolidação das regras. A falta de clareza regulatória dificulta a tomada de decisões e o planejamento estratégico das empresas, impactando a cadeia produtiva de SAF.

Atraso na Regulamentação do SAF no Brasil: Impactos Econômicos e Oportunidades Perdidas

O atraso na regulamentação do SAF no Brasil representa um risco significativo de perda de competitividade e oportunidades econômicas. A falta de um marco regulatório claro dificulta a atração de investimentos, a expansão da capacidade produtiva e a inserção do país no mercado global de combustíveis sustentáveis. A Petrobras, por exemplo, que detém a maior parte do mercado de querosene de aviação, precisa de diretrizes claras para direcionar seus investimentos em SAF.

A demora na publicação do decreto regulamentador pode levar a um descasamento entre as metas brasileiras e as internacionais, resultando em multas ou sanções. Além disso, a incerteza jurídica afeta a confiança dos investidores e a capacidade das companhias aéreas de planejar a aquisição de SAF a preços competitivos. Pedro Carvalho da Silva, diretor de finanças corporativas da Gol, aponta a dificuldade em prever mecanismos econômicos sem regulamentação clara, especialmente em um setor com prazos de venda tão longos quanto o de passagens aéreas.

Minha leitura do cenário é que o Brasil tem um potencial gigantesco para se tornar um líder na produção de SAF, graças à sua vasta disponibilidade de biomassa e expertise em biocombustíveis. No entanto, a lentidão na tomada de decisões e na implementação de políticas públicas eficazes pode comprometer esse potencial. A oportunidade de gerar empregos, desenvolver novas tecnologias e contribuir para a descarbonização do setor aéreo está em risco.

Para investidores e empresários, o cenário atual exige cautela e acompanhamento atento dos desdobramentos regulatórios. A falta de clareza pode criar oportunidades para aqueles que conseguirem navegar a incerteza, mas também eleva os riscos. A tendência futura aponta para um mercado de SAF em franca expansão global, e o Brasil precisa agir rapidamente para garantir sua fatia nesse mercado, aproveitando seus recursos naturais e sua capacidade tecnológica para se posicionar como um player relevante.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

E você, o que pensa sobre a urgência na regulamentação do SAF no Brasil? Deixe sua opinião, dúvida ou crítica nos comentários abaixo!

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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