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Mercado Financeiro

Super El Niño: Alerta no Agronegócio Global e no Brasil com Impactos Históricos nas Commodities

Por Vinícius Hoffmann Machado13 jun 20267 min de leitura
Super El Niño: Alerta no Agronegócio Global e no Brasil com Impactos Históricos nas Commodities

Resumo

Super El Niño Ameaça Produção Agrícola Global e Brasileira: Análise Histórica e Previsões Detalhadas para Soja, Milho e Cana-de-Açúcar

A consolidação das previsões de um El Niño de forte intensidade neste ano gera apreensão no setor do agronegócio mundial, com projeções alarmantes sobre a produção global. Embora o fenômeno climático possa impactar diversas commodities, a extensão e a natureza desses efeitos variam significativamente entre elas, exigindo uma análise aprofundada dos cenários.

Relatórios recentes de consultorias especializadas apontam para um risco considerável. Um estudo da Cogo Inteligência em Agronegócio estima que 30% da produção global de commodities agrícolas esteja em risco, com a possibilidade de 2027 se tornar o ano mais quente já registrado. Essa perspectiva eleva a preocupação sobre a estabilidade do abastecimento e os preços no mercado internacional.

A análise se aprofunda com um estudo do Bradesco BBI, que, com base em dados históricos desde 1982, projeta os possíveis efeitos do fenômeno na safra 2026/27. A probabilidade de um El Niño muito forte, algo raro e observado apenas quatro vezes nos últimos 45 anos, segundo a agência climática dos Estados Unidos, dita a urgência em compreender as dinâmicas que se desenham para o futuro da produção agrícola.

O conteúdo baseia-se em informações de Cogo Inteligência em Agronegócio e Bradesco BBI.

Impacto do El Niño na Soja: Benefícios Regionais e Riscos na Produção Brasileira

Na soja, o El Niño apresenta um cenário de nuances. O Bradesco BBI projeta um impacto positivo de 1% na produtividade global, contrastando com o efeito nulo observado em anos de La Niña. Esse ganho potencial, contudo, pode limitar pressões altistas nos preços, especialmente em um contexto de maior área plantada e equilíbrio entre oferta e demanda.

No Brasil, a produtividade da soja tende a apresentar uma variação positiva de 1%, segundo o histórico analisado. No entanto, as particularidades regionais são pronunciadas. Enquanto o Sul do país pode se beneficiar com aumento de chuvas e menor risco de déficit hídrico, o Nordeste enfrenta maior risco de seca e o Centro-Oeste pode sofrer com a distribuição irregular das precipitações, elevando o risco de replantios.

A região Norte e a Amazônia também podem ser afetadas pela estiagem severa, com rios em nível mínimo. Consultor Carlos Cogo estima que as perdas no Matopiba e Centro-Oeste superem os ganhos no Sul, resultando em um saldo negativo de 3 a 8 milhões de toneladas. Em contrapartida, nos Estados Unidos, o maior produtor após o Brasil, a oscilação deve ser positiva em 2%, e na Argentina, expressivos 8%.

Milho: Cenário Favorável Globalmente, Mas com Atenção à Safrinha Brasileira

Para o milho, as perspectivas são globalmente positivas, com o histórico indicando um ganho de produtividade de 1% no mundo e no Brasil. Contudo, o relatório do Bradesco BBI ressalta que a crescente relevância do milho de segunda safra no Brasil pode tornar a série histórica menos representativa para as projeções atuais.

Similar à soja, o milho apresenta discrepâncias regionais no Brasil. A primeira e a segunda safra no Sul correlacionam-se positivamente com o El Niño. No Centro-Oeste, a segunda safra tende a ser mais fraca, com maior probabilidade de déficit hídrico. Já no Nordeste, a correlação de produtividade é marcadamente negativa.

Um ponto de atenção crucial é a safrinha brasileira, que representa cerca de 80% da produção. Atrasos nas chuvas no Centro-Oeste podem comprometer essa safra, reduzindo a janela de plantio. Além disso, os maiores riscos podem gerar assimetria negativa nos custos para empresas de proteína animal e usinas de etanol de milho em 2027.

Nos Estados Unidos, o maior produtor mundial, o ganho histórico foi de 4%. Na Argentina, semelhante à soja, chegou a 8%. Na China, porém, El Niños intensos derrubaram a produtividade em 1%, segundo a análise histórica.

Cana-de-Açúcar: Aumento de Produtividade no Brasil e Impacto na Índia

No setor de cana-de-açúcar, o Bradesco BBI identificou um ganho de 4% na produtividade no Brasil durante episódios de El Niño muito forte. Na Índia, um dos maiores produtores globais, a tendência registrada foi de queda de 1%. O Brasil responde por 24% e a Índia por 16% do fornecimento mundial de açúcar.

No Brasil, o histórico sugere um aumento de 4% no TCH (toneladas de cana por hectare), atingindo 5% no Centro-Oeste e Sudeste. Curiosamente, o teor de açúcares recuperáveis diminuiu em média 2%. O ritmo da colheita no Centro-Sul, que responde por mais de 90% da moagem, pode ser afetado por chuvas excessivas, forçando um carrego de cana para a próxima safra.

O banco estima um ajuste no mix de produção, privilegiando o açúcar, em linha com a queda de 23% nos preços internos do etanol em abril. Apesar do cenário, o Bradesco BBI não se mostra tão otimista quanto a um efeito altista nos preços do açúcar, argumentando que, embora o El Niño possa pressionar a produção indiana, o papel do país no comércio global já não é tão claro.

Por outro lado, Carlos Cogo considera que um El Niño forte na Índia e Tailândia pode impulsionar as cotações do açúcar para US$ 0,24 por libra-peso, patamar significativamente acima dos atuais US$ 0,13. Ele acredita que o Brasil pode se beneficiar como um fornecedor residual estratégico diante dessa conjuntura.

Café: Vulnerabilidade Extrema e Riscos Elevados em Diversas Regiões Produtoras

O café é categorizado como uma das culturas mais sensíveis ao El Niño, tanto no Brasil quanto globalmente. Carlos Cogo alerta para um risco alto para o café arábica no Cerrado mineiro e no Sul de Minas, com potencial para floração sob seca, truncamento da bienalidade positiva e risco de abortamento de flores.

Riscos elevados também são identificados nas lavouras de arábica e robusta na Bahia, e nas de robusta em Rondônia, devido ao risco de risco hídrico prolongado. Nas regiões do Espírito Santo, Triângulo Mineiro e São Paulo, a previsão é de risco moderado.

No cenário mundial, Cogo aponta risco alto na Ásia e África, afetando o café robusta no Vietnã e Indonésia, e o arábica na Etiópia, Quênia e Uganda, devido à seca prolongada. A sensibilidade intrínseca do cafeeiro ao clima torna essas regiões particularmente vulneráveis.

Conclusão Estratégica Financeira: Navegando a Volatilidade do Super El Niño

O super El Niño representa um divisor de águas para o agronegócio global, com impactos econômicos diretos e indiretos que se estendem por toda a cadeia produtiva e chegam ao consumidor final. A volatilidade climática impõe riscos significativos, mas também abre oportunidades para gestores e investidores que souberem antecipar e mitigar essas incertezas.

Minha leitura do cenário indica que os efeitos sobre margens, custos e receitas serão desiguais entre as commodities e as regiões. Para investidores, a análise aprofundada dos riscos específicos de cada cultura e país, bem como a diversificação de portfólio, tornam-se ainda mais cruciais. A capacidade de adaptação e a resiliência das empresas serão fatores determinantes para a sustentabilidade de seus valuations.

A tendência futura aponta para um cenário de maior instabilidade climática, exigindo que o setor agrícola invista cada vez mais em tecnologia, práticas sustentáveis e sistemas de alerta precoce. A adaptação às mudanças climáticas não é mais uma opção, mas uma necessidade para garantir a segurança alimentar e a prosperidade econômica a longo prazo.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

E você, como enxerga o impacto desse super El Niño no mercado? Compartilhe sua opinião, dúvidas ou críticas nos comentários abaixo. Sua perspectiva é muito valiosa!

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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