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Mercado Financeiro

Protecionismo Global Aumenta: Como Produtores Brasileiros Podem Navegar a Nova Ordem e Transformar Desafios em Parcerias Locais

Por Vinícius Hoffmann Machado12 jun 20267 min de leitura
Protecionismo Global Aumenta: Como Produtores Brasileiros Podem Navegar a Nova Ordem e Transformar Desafios em Parcerias Locais

Resumo

Nova Ordem Global: Protecionismo é Regra e Adaptação é a Chave para o Agronegócio Brasileiro

O cenário internacional de negócios no agronegócio está em profunda transformação. Cotas de importação e restrições às exportações brasileiras, antes vistas como episódios isolados, agora se configuram como recursos cada vez mais presentes em um mundo instável. Essa nova realidade exige uma adaptação estratégica por parte do Brasil.

A segurança alimentar global tem sido colocada sob ameaça por uma série de choques comerciais e geopolíticos, desde tarifas impostas por grandes economias até rupturas em cadeias de suprimentos devido a pandemias e conflitos. Essa conjuntura leva países a buscarem autossuficiência, impondo barreiras e priorizando a produção local.

Diante deste panorama, torna-se imperativo para o Brasil repensar suas estratégias. A saída não reside apenas na busca por novos mercados, mas na capacidade de se posicionar como um parceiro confiável para nações que buscam fortalecer sua segurança alimentar, aproveitando o volume, a escala e a competitividade de custos da produção nacional.

A discussão foi amplamente debatida no evento AGRO 360º, onde Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, compartilhou sua visão sobre como o agronegócio brasileiro pode prosperar nesta nova era. Ele destacou que a instabilidade geopolítica é uma constante, e a busca por proteção por parte dos países é uma tendência com a qual devemos aprender a conviver.

Para aprofundar este debate, o evento contou com a participação de Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic no Brasil e Paraguai, e Altamir Perottoni Júnior, vice-presidente comercial da Rumo. Suas perspectivas enriqueceram a análise sobre os impactos da nova ordem global nos negócios do agro.

The AgriBiz e Brazil Journal

A Ascensão do Protecionismo e a Necessidade de Novos Modelos de Parceria

Tomazoni explicou que a tendência de países criarem barreiras à carne brasileira, como a União Europeia, ou estabelecerem cotas para proteger suas indústrias, como a China fez com a carne bovina, é uma reação natural à instabilidade global. A prioridade se deslocou para a ampliação da produção local.

“Essa é uma questão que está permeando todo o mundo. Com a instabilidade geopolítica, você nunca sabe quando uma cadeia vai se romper. Encontrar países buscando se proteger é algo com que temos que conviver”, afirmou Tomazoni. Ele ressaltou, contudo, que o “novo normal” também apresenta oportunidades.

A JBS, por exemplo, tem investido em modelos de “fornecedor-parceiro”. Um exemplo citado foi o investimento de US$ 150 milhões em uma sociedade com o fundo soberano de Omã para instalar plantas produtoras de aves, bovinos e cordeiros. Essa abordagem visa não substituir mercados locais, mas sim operar em colaboração.

Brasil como Parceiro Estratégico na Segurança Alimentar Global

A relevância do Brasil no cenário mundial de alimentos foi enfatizada por Eduardo Monteiro, da Mosaic. “Precisamos começar a traduzir segurança alimentar em Brasil”, disse ele, defendendo que o país deve “levar a nossa bandeira para fora”, seja por meio de ações governamentais ou da iniciativa privada.

A geopolítica também tem moldado investimentos em infraestrutura no Brasil, especialmente por parte de empresas estrangeiras que buscam garantir o fornecimento de alimentos. A capacidade logística eficiente e competitiva torna-se um diferencial crucial em tempos de volatilidade.

Altamir Perottoni Júnior, da Rumo, citou o caso da trading chinesa Cofco, que inaugurou um terminal no Porto de Santos e firmou contrato com a Rumo para garantir sua capacidade de transporte. “Também tenho visto outras tradings que não atuavam no Brasil procurando formas de originar grãos aqui para tentar garantir o seu abastecimento”, observou.

Diversificação Geográfica e de Insumos: Pilares para a Resiliência

A estratégia de diversificação geográfica da JBS, com operações em mais de 20 países e vendas para mais de 130, tem sido fundamental para mitigar os impactos das dificuldades logísticas globais. “Se você está produzindo em vários países, consegue contornar e continuar operando. A diversificação não é só para agora, temos que seguir reforçando para construir resiliência”, explicou Tomazoni.

Eduardo Monteiro também defendeu a diversificação como proteção contra choques internacionais, embora com demandas específicas para o setor de fertilizantes. “Mais recentemente, temos nos preocupado em encontrar insumos para aquilo que precisamos. Diversificação é importante para nós pensando no longo prazo”, afirmou.

O setor de fertilizantes enfrenta desafios duplos: conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio impactam a exportação de matérias-primas como enxofre e ureia, enquanto a transição energética aumenta a demanda por enxofre na produção de baterias para carros elétricos. A eletrificação e o crescimento de datacenters intensificam a pressão no mercado.

Desafios na Cadeia de Fertilizantes e a Pauta da Diversificação

O déficit na aquisição de fertilizantes pelos produtores brasileiros já atinge cerca de 7 milhões de toneladas em comparação com o ano anterior. Em 2025, as entregas totalizaram 49 milhões de toneladas, um recorde. A incerteza sobre a duração dos conflitos e a potencial redução da demanda tornam o cenário complexo.

A postergação da decisão de compra por parte dos agricultores levanta dúvidas sobre a capacidade de atender à demanda concentrada no segundo semestre. É crucial informar os riscos aos clientes e calibrar a capacidade fabril para atender essa demanda futura.

A logística também sente a pressão. A Rumo se prepara para um fluxo possivelmente maior de negociações de fertilizantes no segundo semestre, o que exigirá um bom preparo para lidar com corredores de transporte potencialmente sobrecarregados.

Conclusão Estratégica Financeira: Navegando a Nova Ordem Global com Parceria e Resiliência

A nova ordem global, marcada pelo protecionismo e pela instabilidade geopolítica, impõe desafios significativos ao agronegócio brasileiro. A priorização da produção local por parte de grandes importadores de alimentos exige uma reconfiguração das estratégias de exportação, migrando de um modelo puramente vendedor para um de “fornecedor-parceiro”.

As oportunidades residem na capacidade do Brasil de se posicionar como um parceiro estratégico para países que buscam garantir sua segurança alimentar. O volume, a escala e a competitividade de custos da produção nacional, aliados à expertise em transição energética e climática, conferem ao país uma vantagem competitiva única.

Para investidores e empresários, a diversificação geográfica e a busca por resiliência na cadeia de suprimentos, especialmente no que tange a insumos como fertilizantes, tornam-se imperativos. A volatilidade nos preços e a disponibilidade de insumos exigem uma gestão de riscos apurada e uma visão de longo prazo.

A tendência futura aponta para um cenário onde a colaboração e a construção de parcerias estratégicas serão cruciais. O Brasil tem o potencial de se consolidar não apenas como um grande produtor, mas como um pilar fundamental na segurança alimentar global, desde que saiba navegar as complexidades da nova ordem com agilidade e visão de futuro.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

E você, como enxerga o futuro do agronegócio brasileiro diante desse cenário global? Compartilhe sua opinião e suas dúvidas nos comentários abaixo!

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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