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Mercado Financeiro

iFood e Keeta na mira: Multas milionárias por falta de transparência em preços de entrega

Por Vinícius Hoffmann Machado28 maio 20266 min de leitura
iFood e Keeta na mira: Multas milionárias por falta de transparência em preços de entrega

Resumo

Senacon abre processo sancionador contra iFood e Keeta por falta de transparência em taxas de entrega

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, anunciou a abertura de processos de aplicação de sanções contra as plataformas de entrega iFood e Keeta. A medida visa combater o descumprimento das normas de transparência na composição dos preços cobrados aos consumidores, uma exigência que busca clareza sobre a divisão dos valores entre aplicativo, entregador e estabelecimento comercial.

A Portaria nº 61, que estabelece a obrigatoriedade dessas informações, entrou em vigor após um prazo de adaptação de 30 dias, encerrado em abril. Desde então, a Senacon tem fiscalizado o cumprimento da norma, buscando garantir que consumidores, entregadores e parceiros comerciais tenham acesso a informações claras e compreensíveis sobre a precificação dos serviços de entrega.

O anúncio foi feito em coletiva de imprensa, onde o ministro Guilherme Boulos criticou a postura das empresas, afirmando que o cumprimento da portaria não é opcional e questionando o que as plataformas teriam a esconder ao não oferecerem essa transparência. A expectativa é que, caso as regras não sejam cumpridas, as empresas possam ser multadas em valores que podem chegar a R$ 14 milhões.

Agência Brasil

Entenda a Portaria e a Fiscalização

A Portaria nº 61 determina que as plataformas digitais de entrega detalhem a composição do preço total dos serviços. Isso significa que o consumidor precisa saber quanto do valor pago vai para o aplicativo, quanto é destinado ao entregador e qual a parcela que fica com o estabelecimento parceiro. Essa medida visa coibir práticas abusivas e promover uma relação mais justa entre todas as partes envolvidas na cadeia de entrega.

A fiscalização iniciou após o fim do período de adequação, com o objetivo de assegurar que as informações fornecidas sejam transparentes e acessíveis. A Senacon ressalta que a transparência em relações de consumo é um princípio legal consolidado no Código de Defesa do Consumidor há cerca de 35 anos, e que a portaria busca apenas aplicar esse princípio ao setor de entregas por aplicativo.

Em comparação, outras grandes empresas do setor de transporte por aplicativo, como Uber e 99, já se adequaram às novas regras, demonstrando que a implementação é possível. A Senacon espera que iFood e Keeta sigam o mesmo caminho, oferecendo a transparência devida aos seus usuários e parceiros.

iFood e as Alegações da Senacon

No caso do iFood, a Senacon apontou que a empresa não apresentou as informações solicitadas durante a averiguação preliminar e falhou em comprovar a implementação de medidas efetivas para cumprir o quadro-resumo exigido pela portaria. Há também indícios de que a plataforma possa ter induzido o consumidor ao erro em relação à destinação de cobranças como “taxa de entrega” e “taxa de serviço”.

Em sua defesa, o iFood afirmou que está em processo de adaptação e que o cumprimento da portaria exige “adaptações relevantes na arquitetura de sistemas, ajustes no aplicativo e desenvolvimento de novas funcionalidades”. A empresa criticou a falta de diálogo prévio da Senacon com o setor, alegando que a portaria foi editada sem discussão técnica sobre as particularidades operacionais das plataformas digitais.

O iFood expressou surpresa com a instauração do processo administrativo, mesmo buscando diálogo com a Senacon, e reiterou sua disposição em colaborar para encontrar soluções que garantam a transparência de forma tecnicamente viável. A plataforma busca demonstrar que seus esforços de adaptação estão em andamento.

Keeta e o Dever de Transparência

Quanto à Keeta, a análise técnica do governo concluiu que as informações disponibilizadas pela plataforma não identificam de forma clara e individualizada os valores destinados a cada agente econômico na operação. A Senacon considera que a alegação de “segredo de negócio” não exime a empresa do dever de transparência, previsto na regulamentação.

A ausência dessas informações detalhadas, segundo o órgão, compromete a autonomia do consumidor, dificulta a comparação entre diferentes serviços e impede uma decisão de consumo plenamente informada. A falta de clareza pode levar a escolhas menos vantajosas para o consumidor.

A Keeta, por sua vez, declarou que garante transparência, informando que o valor total pago pelo consumidor e a destinação de parcelas para a plataforma, entrega (incluindo gorjetas) e estabelecimento constam no recibo. A empresa reafirmou seu compromisso com a transparência e o diálogo aberto.

Conclusão Estratégica Financeira

A abertura de processos sancionadores contra iFood e Keeta por falta de transparência na composição de preços de entrega representa um marco importante na regulamentação do setor de delivery. Os impactos econômicos diretos podem incluir multas significativas para as empresas, caso sejam consideradas culpadas. Indiretamente, a medida visa promover um ambiente de negócios mais justo, onde consumidores e entregadores possam ter maior clareza sobre a divisão dos valores.

Para os investidores e gestores das plataformas, os riscos financeiros estão associados às potenciais multas e à necessidade de investimentos em adaptação de sistemas e processos. No entanto, a oportunidade reside em ganhar a confiança do consumidor e dos entregadores, o que pode fortalecer a marca e a fidelidade a longo prazo. A maior transparência pode, a longo prazo, impactar positivamente o valuation das empresas, pois demonstra conformidade regulatória e responsabilidade social.

A tendência futura aponta para um aumento da regulamentação e da fiscalização em setores digitais que lidam diretamente com o consumidor. Minha leitura do cenário é que empresas que anteciparem essas demandas e adotarem práticas transparentes proativamente estarão mais bem posicionadas para o futuro. A pressão por maior clareza nas relações de consumo, impulsionada por órgãos como a Senacon, deve se intensificar, exigindo adaptação contínua por parte das empresas do setor.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

O que você pensa sobre essa decisão da Senacon? Acredita que iFood e Keeta têm o que esconder? Deixe sua opinião nos comentários!

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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